Rede Rute e o crescimento da telemedicina no Brasil 

Saiba mais sobre essa iniciativa que visa a apoiar o aprimoramento de projetos em telemedicina no país

Julia Lins 4 minutos

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No cenário atual, a telemedicina tem se mostrado cada vez mais importante para a área da Saúde no Brasil. Ela se tornou uma medida estratégica para garantia de acesso e educação dos profissionais. Dessa forma, alguns projetos foram criados para incentivar essa nova prática em saúde digital, como a Rede Rute.

 Como surgiu?

Em 2006, foi criada a Rede Universitária de Telemedicina (Rute),  uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e patrocinada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) com parcerias estabelecidas posteriormente com os ministérios da Educação e da Saúde.

A iniciativa nacional tem como principais objetivos:

  • Possibilitar a integração em projetos de telemedicina e telessaúde em hospitais universitários, hospitais certificados de ensino, faculdades de Medicina e profissionais da área da saúde;
  • Oferecer uma infraestrutura de serviços de comunicação, assim como parte dos equipamentos de informática e comunicação para os grupos de interesse especial (SIGs);
  • Proporcionar o surgimento de novas aplicações e ferramentas que explorem mecanismos inovadores na educação em saúde, na colaboração a distância para pré-diagnóstico e na avaliação remota de dados de atendimento médico.

Quem são os SIGs?

Os chamados grupos de interesse especial (special interest groups –SIGs) são criados e coordenados por instituições que fazem parte da Rute, profissionais de saúde, pesquisadores e professores que planejam uma agenda de videoconferências ou webconferências para debater temas específicos.

De acordo com Luiz Ary Messina, coordenador Nacional da Rute, em relação ao ensino e pesquisa foram criados e mantidos em torno de 55 SIGs em especialidades e subespecialidades da saúde, com, em média, três sessões diárias por videocolaboração. “Ou seja, milhares de profissionais da saúde já estavam habituados à prática da telemedicina quando a pandemia nos atingiu. Esta consolidação permite uma predominância de conhecimento público, o que é crucial para o crescimento da telemedicina e telessaúde no Brasil”, afirma Messina.

Quais são os serviços prestados?

A Rute contribui tanto para a melhoria na qualificação dos profissionais, através do desenvolvimento de inovações na área de educação em saúde, quanto para o atendimento aos pacientes, por meio de diagnósticos à distância. Mas de que forma?

  1. Possibilita a utilização de aplicativos que demandam mais recursos de rede e o compartilhamento dos dados dos serviços de telemedicina dos hospitais universitários e instituições de ensino e pesquisa participantes da iniciativa;
  2. Leva os serviços desenvolvidos nos hospitais universitários do país a profissionais que estão em cidades distantes. Os serviços são levados por meio do compartilhamento de arquivos de prontuários, consultas, exames e segunda opinião.

Impacto da Rute para o crescimento da telemedicina no Brasil

Desde sua criação, em 2006, a rede vem crescendo bastante. Na primeira fase da iniciativa, 19 instituições foram beneficiadas. Já em sua segunda fase, em agosto de 2007, o número de instituições beneficiadas aumentou para 57. Atualmente, com 14 anos de atuação do mercado, a rede Rute conta com 139 unidades operando em todo o Brasil.

Para Messina, o apoio do ministério a RNP para estruturar e operar a rede Rute foi um dos marcos para a telemedicina no Brasil. Antes existiam alguns projetos, mas com poucos pontos integrados.

A perspectiva de uma rede acadêmica, com base no domínio de conhecimento da saúde no país nos hospitais universitários e de ensino, permitiu o avanço estruturado em todos os estados do país, pelo menos no que diz respeito às práticas de ensino, pesquisa e assistência à distância a partir destes hospitais.

Por dentro da rede: O que esperar dela no futuro?

Messina acredita que o avanço das comunicações, tecnologias e metodologias computacionais exige conectividade e pessoal qualificado. Em ambos os casos, a base acadêmica desenvolvida em 14 anos permite voos nas novas tecnologias, como IoT, BigData, IA, sensores, atuadores, robôs e 5G. Entretanto, a base acadêmica, principalmente, consolidou um ambiente virtual para a prática de experiências em rede e relacionamento.

Portanto, os especialistas em rede poderão agora aplicar os conhecimentos praticados ao longo deste tempo para capacitar toda a classe de profissionais da saúde no Brasil, tanto em telemedicina, telessaúde e saúde digital, como também em suas especialidades expandidas no ambiente virtual, inovando a partir das novas tecnologias e com base em experiência acumulada.

E você, o que acha sobre as iniciativas em telemedicina no Brasil?

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