Publicado em Deixe um comentário

Dia do Anestesiologista: confira o panorama da especialidade

panorama da anestesiologia

Em 16 de outubro comemora-se o dia do anestesiologista. Isso porque, nessa data, em 1846, foi documentada a primeira intervenção cirúrgica realizada sob anestesia geral. Já no Brasil, de acordo com Lycurgo Santos Filho, a primeira anestesia geral com éter foi realizada em 25 de maio de 1847, no Hospital Militar do Rio de Janeiro, pelo médico Roberto Jorge Haddock Lobo.

Antes de tal possibilidade, os recursos mais utilizados para amenizar dores durante cirurgias eram extratos de plantas com propriedade sedativa e analgésica, além do uso de bebidas alcoólicas e, na China, de acupuntura. De qualquer forma, ainda se fazia necessária a contenção do paciente.

Desde então, aconteceram muitas evoluções dos procedimentos anestésicos, desde o melhor preparo dos profissionais da área e da compreensão acerca de determinadas doenças até o melhor preparo dos pacientes. Com isso, consultas pré-anestésicas, drogas mais seguras e monitorização adequada no intraoperatório e no período pós-anestésico podem ser considerados fatores importantes para diminuição de complicações associadas a técnicas anestésicas.

Para homenagear todos os profissionais dessa área, preparamos um panorama da especialidade no Brasil. Confira a seguir.

A pesquisa Demografia Médica, publicada em 2018 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), aponta que existem 23.021 anestesiologistas no país, representando 6% dos médicos brasileiros. Em comparação com os registros da Demografia Médica de 2015, houve um crescimento de 10,1% no número de especialistas nessa área.

Publicado em Deixe um comentário

Panorama Clínica Médica: especialidade em crescimento

panorama clínica médica

Especializar-se em Clínica Médica é optar por uma das áreas mais amplas da Medicina, já que compreende toda a base da profissão. Vale lembrar que a especialidade é responsável por integrar o setor, o que a torna ainda mais importante no cuidado com os pacientes. Essa importância ficou ainda mais evidente em 16 de março de 1989, quando a Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM) surgiu para dar apoio e visibilidade à prática, tão necessária na Medicina.

No Brasil, essa é a especialidade com maior número de médicos registrados, conta com 42.728 profissionais e promete crescer ainda mais nos próximos anos. De acordo com a última Demografia Médica no Brasil, realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), juntamente com a Pediatria, a Cirurgia Geral e a Ginecologia e Obstetrícia, a especialidade representa 38,4% de todos os especialistas registrados no país.

Confira, a seguir, o panorama sobre a especialidade.

Distribuição de especialistas segundo gênero

As mulheres já são maioria entre os clínicos. São 52,3% do total, contra 47,7% de homens.

Número de residentes

Em 2017, a especialidade contava com 4.466 residentes, ou seja, 12,7% do total no país.

Atualmente, a idade média dos especialistas em Clínica Médica é 42,6 anos.

Aproveite para assistir ao depoimento do Dr. Antonio Carlos Lopes, presidente da SBCM.

Fonte: Demografia Médica 2018

Publicado em Deixe um comentário

Especial Dia do Ortopedista: veja panorama da especialidade

panorama ortopedia

Você sabia que em 19 de setembro é comemorado o Dia do Ortopedista? A escolha da data para homenagear o profissional, especialista responsável por tratar qualquer alteração patológica que envolva ossos, tendões e ligamentos, faz referência à criação da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), fundada no mesmo dia em 1935.

Por isso, para homenagear os especialistas de todo o país, preparamos um panorama com as principais atualizações da Ortopedia nos últimos anos. Confira:

De acordo com o CFM, em sua pesquisa Demografia Médica de 2018, a Ortopedia possui 15.598 especialistas em todo o país, sendo a sétima especialidade com o maior número de médicos especialistas. A Ortopedia representa 4,1% do total de títulos de especialidade no Brasil.

Crescimento da especialidade

Entre 2015 e 2018, o número de especialistas em Ortopedia cresceu 18,6%, conforme dados a seguir:

Entre as 27 unidades federativas, São Paulo continua sendo o estado com o maior número de especialistas, somando 4.636. Enquanto isso, Amapá e Roraima são os estados que apresentam o menor número de médicos especialistas, com 26 e 25, respectivamente.

Presença da especialidade nas residências médicas

De acordo com a pesquisa, atualmente, a Ortopedia é a sexta especialidade com o maior número de médicos cursando residência no Brasil. Ao todo, são 2.292, representando 6,5% dos residentes do país.

Distribuição de médicos especialistas por sexo

Os homens estão em maior número em 36 das 54 especialidades, e uma delas é a Ortopedia. Na especialidade, os homens representam 93,7% dos médicos especialistas, enquanto as mulheres ocupam apenas 6,3% do total.

A Ortopedia é a segunda especialidade com a maior presença masculina de especialistas, contabilizando 13.213 especialistas do sexo masculino, perdendo apenas para a Urologia.

Aproveite e clique aqui para ver o depoimento do presidente da SBOT, Glaydson Gomes Godinho, em homenagem ao Dia do Ortopedista.

Fonte: Demografia Médica 2018

Publicado em Deixe um comentário

Especial Dia do Urologista: veja panorama da especialidade

panorama urologista

O papel do urologista tem sido cada vez mais importante para a população. Ele é conhecido por ser um profissional que cuida da saúde masculina. Mas não é apenas isso: o urologista também é responsável por cuidar de todo o aparelho urinário, atendendo mulheres e crianças.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), por dia, 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata. Além disso, a patologia é a segunda principal causa de óbitos e a mais comum entre os homens em todo o mundo, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma.

E, para enaltecer a importância desse profissional, é comemorado no dia 12 de setembro o Dia do Urologista. Por isso, em comemoração à essa data, preparamos um panorama da especialidade. Confira abaixo:

Atualmente, os urologistas representam 1,4% dos médicos especialistas brasileiros.

De acordo com a pesquisa Demografia Médica de 2018, do CFM, o Brasil conta com 5.328 especialistas em Urologia, representando um aumento de 11,2% em relação a 2015.

São Paulo permanece sendo o estado com o maior número de especialistas em Urologia no país, somando 1.507 no total. Já Roraima possui o menor número, com apenas sete especialistas em todo o estado.

A demografia também aponta que a média de idade entre os urologistas do país é de 48 anos.

Mulheres na Urologia

Nos últimos 10 anos, houve um pequeno crescimento da presença feminina na especialidade. Um levantamento realizado em 2008 contabilizava 48 especialistas no país. Porém, em 2018, a Demografia Médica apontou que o número de mulheres especialistas em Urologia passou para 108, representando 2,2% do total de especialistas no país.

Publicado em Deixe um comentário

Especial Dia do Endocrinologista: veja panorama da especialidade

endocrinologista

A agitação dos grandes centros, o sedentarismo, a má alimentação e o consumo excessivo de cigarros e bebidas alcoólicas são a rotina de grande parte da população atualmente. Nesse contexto, nossa saúde se torna cada vez mais vulnerável e propícia ao desenvolvimento de uma série de doenças. Diabetes, obesidade e distúrbio hormonais são algumas delas e estão na lista das patologias endrocrinológicas que mais afetam o cotidiano dos brasileiros. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, essas condições estão no ranking das cinco doenças que causam maior taxa de mortalidade no país.

Diante desse cenário, o papel do endocrinologista ganha destaque, bem como o papel da Sociedade Brasileira
de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), criada em 1950. Com um site repleto de informações, ela assiste não só os profissionais da Saúde, como também a população. Veja, a seguir, um panorama sobre a especialidade.

Aproveite e confira o depoimento do presidente da SBEM, Rodrigo Moreira, sobre o cenário da especialidade no país.

Fonte: Demografia Médica 2018

Publicado em Deixe um comentário

Especial Dia do Psiquiatra: veja panorama da especialidade

Dia do psiquiatra

No passado, os portadores de doenças mentais viviam de forma excluída na sociedade por serem considerados incapazes de exercer seus direitos e deveres. Posteriormente, essa situação se modificou, graças ao trabalho incansável dos psiquiatras contra o estigma e a favor do progresso dos recursos diagnósticos e das abordagens terapêuticas da especialidade. No Brasil, como forma de agregar os profissionais da área, em 13 de agosto de 1966, foi criada a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), no Rio de Janeiro.

Hoje, o número de pessoas com transtornos mentais aumenta no mundo inteiro. De acordo com uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta 300 milhões de pessoas; o transtorno afetivo bipolar, 60 milhões; a esquizofrenia, 23 milhões; e a demência, cerca de 50 milhões de indivíduos. Essa realidade aplica grande impacto no dia a dia da Psiquiatria, que precisa se adaptar a esse cenário e passa por um momento de grande demanda na área.

Para comemorar o Dia do Psiquiatra, confira, a seguir, o panorama sobre a especialidade.

A Psiquiatria representa 2,7% dos médicos brasileiros e, de acordo com a Demografia Médica 2018, corresponde a 4,1% das vagas ocupadas de residência médica

 

Publicado em

7 coisas que o paciente busca como consumidor

paciente

No setor da Saúde, é comum afirmar que os pacientes buscam médicos renomeados e que passam segurança. Entretanto, quando se percebe que essa pessoa, além de buscar por uma ajuda profissional, também tem suas necessidades como consumidor, fica mais fácil oferecer um serviço que, de fato, agrade por completo. O profissional precisa enxergar o paciente como consumidor, que possui expectativas em relação ao serviço que está procurando e estas precisam ser atendidas (ou superadas)! Em uma entrevista exclusiva, Marcia Nana, especialista em gestão estratégica voltada para profissionais da Saúde, pontuou os principais desejos dos consumidores. Afinal, o que seus pacientes realmente querem?

1 – Simpatia e cordialidade com o paciente

É o mínimo que um paciente espera receber quando faz contato com o consultório. Seja pessoalmente, por e-mail, telefone, Whatsapp ou mídias sociais. Essa simpatia está relacionada à boa vontade em atender o paciente, ao sorriso no rosto e ao tom da voz. É preciso saber escutar os paciente e responder de forma positiva, evitar gestos grosseiros e expressões faciais, que não condizem com a postura de um profissional de excelência, e possuir uma redação formal e apropriada para responder os e-mails e mensagens.

2 – Qualidade no atendimento e pontualidade

Inclui todos os aspectos do consultório, inclusive o ambiente, moveis e decorações de acordo com a proposta (missão e posicionamento do médico). Equipe uniformizada, bem apresentada, maquiada e treinada para prestar um bom atendimento. Recepção agradável, com revistas atualizadas (sempre de acordo com o público alvo), música ambiente e temperatura agradável.

Já a pontualidade é um fator de alta importância para manter a fidelidade do paciente. No caso de acontecer algum imprevisto, é necessário ligar para reagendar a consulta do paciente. Atrasos superiores a 15 minutos são considerados um desrespeito ao paciente. Muitos não voltam ao consultório em caso de atrasos constantes.

3 – Ética, respeito e humanização

Um profissional deve ter sua carreira pautada na ética e no respeito, a fim de manter um relacionamento duradouro com os pacientes. Dessa forma, cria-se um laço de confiança mútua entre o médico e o paciente, e os tratamentos prescritos fluem de forma muito mais harmoniosa, além de serem critérios importantes para indicações do profissional médico.

Outro ponto essencial é tratar o paciente como um ser humano, reconhecer suas fraquezas, medos e ansiedades, além de respeitar sua sensibilidade durante os tratamentos. E, acima de tudo, ser sincero e transparente nas orientações e explicações, usando palavras comuns que levem o paciente a entender a doença, as prescrições e os tratamentos.  Evite termos técnicos e não seja ofensivo ou debochado.

4 – Personalização

O paciente é como um consumidor e quer ter um atendimento único. Ser chamado pelo nome, ter o tempo necessário para conversar com o médico e ter liberdade para tirar dúvidas. Ele gosta de receber um sorriso e um aperto de mão do médico, pois, para ele, esses gestos significam a confirmação da confiança que ele possui no profissional.

5 – Pós-atendimento

Nada mais encantador do que receber uma ligação ou uma mensagem pelo WhatsApp para saber como está o tratamento ou a recuperação de uma cirurgia. Pequenos gestos como esses, feitos pelo médico ou por alguém da equipe, dão ao paciente uma grande sensação de satisfação, pois ele sente que seu bem-estar é importante para o médico.

6 – Credibilidade

O paciente adora ler artigos, ver entrevistas ou palestras do profissional que está cuidando dele. Cabe ao profissional médico ter cuidado com sua imagem, pois ele é uma pessoa pública e, em todos os locais (inclusive nas redes sociais), deve transmitir uma imagem positiva a todos.

7 – Relacionamento contínuo

No Marketing, chamamos esse relacionamento contínuo de Marketing de Relacionamento, que é quando o médico e sua equipe mantêm contato constante com pacientes, estando eles em tratamento ou não. Esse relacionamento é feito por cartas, e-mails, mensagens de aniversário, de Natal etc. A importância desse contato contínuo, para o paciente, consiste em ter seu nome lembrado pelo médico e pela equipe, tendo assim a certeza de que é uma pessoa especial, o que gera um sentimento de amizade, carinho, atenção e fidelização.

Publicado em Deixe um comentário

Título de especialista em meio a COVID-19: como fica?

título de especialista

Desde antes da pandemia, as sociedades médicas já costumavam fornecer conteúdo virtual aos associados, porém, geralmente com a opção presencial. No entanto, esse modelo não se aplicava a outras funções e sistemas, como o Exame de Título de Especialista. Com o novo coronavírus, muitas entidades precisaram se reinventar para continuar a qualificar os novos profissionais, apesar do isolamento social.

Recomendações da AMB para os exames

A Associação Médica Brasileira (AMB) suspendeu em março de forma temporária (90 dias) a realização de provas para obtenção do título de especialista, exames que são promovidos pela entidade em parceria com as Sociedades de Especialidades.

Em 17 de junho, a AMB revogou a decisão. No documento, a entidade destaca que as Sociedades devem “adotar ações preventivas para evitar a disseminação da Covid-19, bem como seguir as recomendações das autoridades locais, a fim de criar ambientes seguros de aplicação de provas”.

Além disso, a AMB recomenda que a primeira fase do exame seja realizada por meio eletrônico. Para as fases subsequentes, que envolvam avaliação teórico-prática ou prática, o órgão sugere que sejam realizadas em capitais ou em regiões metropolitanas com baixo índice de contaminação, onde já tenha havido flexibilização do isolamento social, mas respeitando as medidas de distanciamento.

Sociedades médicas

As sociedades de especialidades estão se organizando para cumprir a decisão. Algumas delas vêm planejando um novo formato, mas muitas ainda não sabem como será realizada a prova.

É o caso da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), que ainda não possui informações sobre a data, o horário e o formato em que serão realizados os exames, em nenhuma de suas fases. Já a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) resolveu adiar a prova, que seria realizada em 5 de abril. “O Exame foi reagendado para o dia 19/11/2020. A princípio, o formato permanece o mesmo”, declarou a assessoria da entidade, referindo-se ao teste de forma presencial.

Ambos órgãos afirmaram que quaisquer mudanças ou informações futuras serão divulgadas nas redes sociais e no site.

 

 

Publicado em Deixe um comentário

CFM: Pesquisa aponta apoio da população ao exame do Revalida

De acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e divulgada em julho deste ano, a maior parte da população brasileira defende que o portador de diploma de Medicina obtido no exterior deve passar por um processo de revalidação do seu título para trabalhar no Brasil, chamado de Revalida. Nela, foram ouvidas 1.511 pessoas, com mais de 16 anos, de todas as regiões e segmentos sociais.

Os números mostram que essa opinião é praticamente unânime – com um índice de 91% entre homens e mulheres – e ela independe do sexo, idade, grau de formação ou nível de renda. Desse modo, o levantamento revela que a percepção favorável da população sobre essa exigência está diretamente vinculada ao receio de exposição a riscos e outros problemas durante possíveis atendimentos. A pesquisa demostrou, ainda, que, para o paciente, essa aprovação atesta a posse de conhecimentos, habilidades e atitudes esperadas de um médico com registro ativo.

Além disso, de acordo com os dados coletados, a aprovação no exame significa, para os pacientes, maior confiança em quem faz o atendimento, o diagnóstico e a prescrição de tratamentos. Da mesma forma, para os entrevistados, gera um impacto positivo na relação médico-paciente. Ou seja, para o público, a consulta com profissional que tenha sido bem-sucedido no exame de revalidação permite que o vínculo se estabeleça de forma mais satisfatória. Confira abaixo alguns resultados da pesquisa.

Com relação à importância de ter aprovação no Revalida, por sexo, idade e escolaridade:

Com relação ao impacto da aprovação no Revalida no sentimento de confiança no tratamento, por idade, escolaridade e região:

Publicado em Deixe um comentário

Telemedicina e o debate sobre o futuro da Saúde

Desde que a tecnologia da informação começou a ganhar espaço em todo o mundo, as distâncias passaram a ser menores. Muitas pessoas imaginam que vivemos, hoje, em uma realidade próxima à dos filmes de ficção científica. Prova disso é que conseguimos falar com quem está distante – até mesmo do outro lado do planeta – em poucos segundos por meio de mensagens, vídeos e áudios em celulares, redes sociais e outros dispositivos digitais. Já que tudo isso invadiu nosso dia a dia, era de se esperar que também invadisse os consultórios e, de quebra, impactasse a relação médico-paciente. A partir disso, um termo passou a ser muito falado nos últimos tempos: a Telemedicina.

O debate sobre a tecnologia na Saúde ganhou mais força depois que uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) foi publicada em fevereiro de 2019. O documento definia o que é a Telemedicina e de que forma ela poderia ser exercida no país, além de regulamentar toda a questão no Brasil. Porém, a resolução não foi bem recebida pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs), que criticaram vários pontos do documento. Devido aos debates que surgiram, o CFM revogou a resolução 16 dias depois, para que fossem analisadas sugestões e críticas recebidas.

Da teoria à “possível” prática

A Telemedicina é definida pela resolução do CFM como o exercício da Medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e de lesões e promoção da saúde. “Nos tempos atuais, é importante registrar que a Telemedicina é a ferramenta com maior potencial para agregar novas soluções em saúde e que muitos dos procedimentos e atendimentos presenciais poderão ser substituídos por interações intermediadas por tecnologias. Porém, não se deve esperar que se torne um remédio para todos os problemas de assistência à saúde”, explica Aldemir Humberto Soares, conselheiro-relator da resolução 2.227/2018, em texto publicado em anexo ao documento do CFM.

O presidente da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms), Humberto Serra, concorda que a Telemedicina tem potencial para solucionar grandes problemas da Saúde no Brasil. “Nos países em desenvolvimento, ela pode ampliar o acesso aos serviços médicos especializados em locais que não contam com profissionais ou serviços especializados. Também pode atuar na melhoria da qualidade da atenção à saúde, na redução do tempo gasto entre o diagnóstico e a terapia, na racionalização de custos e no apoio à vigilância epidemiológica, auxiliando na identificação e no rastreamento de problemas de saúde pública”, lista o presidente da ABTms.

O Brasil está preparado?

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Sylvio Provenzano, ressalta que a Telemedicina pode ser uma grande contribuição, sem dúvidas, para a Saúde no país, se houvesse estrutura para tal. “Como posso fazer Telemedicina em lugares remotos do país, onde certamente há dificuldade de conseguir uma banda larga suficiente para compartilhar essas informações em tempo hábil? Se em uma cidade como o Rio de Janeiro, a segunda maior do país, temos problemas com a internet, onde a banda larga fica ‘estreita’ demais e cai, como seria isso no Oiapoque (AP), em Santarém (PA) ou em Quixadá (CE)?”, questiona.

Perguntas sem respostas não vêm apenas do presidente do Cremerj. Para Luiz Ary Messina, coordenador nacional da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), a maioria da classe médica no Brasil não sabe o que é a Telemedicina. “As pessoas têm que ser treinadas sobre isso. Entre as faculdades de Medicina, você conta nos dedos as que têm alguma disciplina que trata sobre a Telemedicina na graduação. Ou seja, falta conhecimento. Soma-se a isso outras razões, como o receio de parte da classe médica de perder espaço para grandes corporações, muito mais bem preparadas tecnologicamente”, acredita.

Por outro lado, Messina ressalta que a Telemedicina já é uma realidade e cabe ao médico correr atrás para entender melhor sobre o assunto. “O desconhecimento é um problema que pode ser resolvido à medida que os médicos tomem ciência do que se trata e se informem. A Telemedicina já é uma realidade. As pessoas que não querem entender como é esse processo acabam atropeladas. Em países continentais, como Brasil, Rússia, China, Índia, Estados Unidos e Canadá, é impossível ter um especialista em todas as cidades. Isso é possível com a Telemedicina, mesmo que à distância”, defende.

Modalidades de Telemedicina*

  • Teleconsulta: consulta médica remota, com médico e paciente em diferentes espaços geográficos.
  • Telediagnóstico: emissão de laudo ou parecer de exames, com envio de imagens e dados pela internet.
  • Teleinterconsulta: troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente.
  • Telecirurgia: procedimento feito por robô, manipulado por um médico que está em outro local.
  • Teleconferência: grupo de médicos que se reúne para receber e debater sobre imagens, dados e áudios.
  • Teletriagem: avaliação a distância de sintomas para direcionar o paciente ao tipo de assistência necessária.
  • Teleorientação: declaração para contratação ou adesão a plano de saúde.
  • Teleconsultoria: troca de informações entre médicos e gestores sobre procedimentos de saúde.
  • Telemonitoramento: avaliação da saúde do paciente, evitando ida ao pronto-socorro ou casa de repouso.

Telemedicina e o coronavírus

O mundo vive um momento crítico. Desde o final de 2019, os governos e a Organização Mundial da Saúde (OMS) tentam combater o coronavírus, um “inimigo invisível”. Com milhares de contaminados e óbitos registrados, além da incerteza sobre o tratamento e sobre a cura de Covid-19, diversas medidas têm sido adotadas em vários países, sendo o isolamento social a principal delas.

Além de o isolamento social se fazer cada vez mais necessário para conter a doença, os profissionais da Saúde, sobretudo os da linha de frente, têm contato constante com infectados e passam a ser um risco de contaminação para seus pacientes. Tendo em vista que existem pacientes com doenças pré-existentes, que são de alto risco, as consultas continuam sendo extremamente necessárias, não só para orientar, mas para acalmar e esclarecer tantas dúvidas, oriundas de diversas especulações, recomendações e, principalmente, notícias falsas sobre a pandemia. Então, o que fazer nesses casos?

Diante desse cenário, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou, por meio do ofício 1.756/2020, o uso da Telemedicina durante a pandemia de Covid-19. A medida tem caráter excepcional, valendo até o fim da luta contra a disseminação da nova doença.

O que muda?

Segundo o CFM, a Telemedicina está autorizada para ser utilizada nas seguintes modalidades:

  • Teleorientação: profissional realiza à distância a orientação e o encaminhamento de pacientes.
  • Telemonitoramento: monitoramento ou vigência à distância de parâmetros de saúde e/ou doença.
  • Teleinterconsulta: troca de informações entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

De alguma forma, essa tecnologia já impacta a Medicina e os profissionais da Saúde. A Agência Nacional de Saúde (ANS), por exemplo, publicou a nota técnica 7/2020, que admite a cobrança pelas teleconsultas, sem que seja necessária qualquer alteração no Rol de Procedimentos, garantindo cobertura obrigatória pelas operadoras de planos de saúde.

A ANS não definiu regras específicas sobre o pagamento das consultas realizadas à distância, deixando que cada operadora estabeleça a forma como isso será realizado. Isso não impede que os pacientes sejam atendidos, paguem como pacientes particulares e busquem, se for o caso, o reembolso junto a sua operadora.

 

*De acordo com a resolução 2.227/2018 do CFM