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O médico e as mídias: como essa relação influencia a sua carreira?

Há décadas, o papel do médico não se limita apenas ao conhecimento técnico e uma boa atuação em consultórios. Cada vez mais, os pacientes esperam que o médico seja mais ativo fora do consultório e isso envolve as redes sociais. Desse modo, as mídias no atendimento médico acabam possibilitando a comunicação, o compartilhamento de informações e um alcance maior de potenciais pacientes.

Somando quase 2 milhões de seguidores nas redes sociais, o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto é um verdadeiro exemplo de como unir a Medicina às mídias digitais. Além da carreira médica, Gomes Pinto é consultor do programa Encontro com Fátima Bernardes e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). O neurocirurgião conta um pouco de sua trajetória e dá algumas dicas de como se posicionar nas redes sociais para auxiliar na prática médica.

Como tudo começou

A relação de Fernando Gomes Pinto com as mídias começou há mais de dez anos, quando ele se formou e abriu seu próprio consultório. “Assim que terminei a residência médica em Neurocirurgia, comecei a organizar o meu consultório e entender que seria necessário ter um site. Foi, aí, o passo inicial. Organizado por mim, comecei a montar textos, explicando um pouco mais sobre as doenças e isso foi crescendo”, lembra.

Porém, foi durante o doutorado, em 2007, que o médico organizou um grupo de hidrodinâmica cerebral, e, com isso, recebeu um convite da produção do programa Encontro para uma participação para explicar um pouco sobre memória. “A partir daí, tudo deslanchou, com participação em programas de televisão; até que a Globo me chamou para um contrato de participação no programa. Desde 2013, toda terça-feira, participo do programa da Fátima Bernardes, levando um pouco de conhecimento médico e neurociência para toda a população”, orgulha-se.

Mídias na Medicina

Médicos e as Mídias Digitais

As redes sociais estão cada vez mais presentes na vida do médico. Com elas, os profissionais da Saúde têm a oportunidade de levar conhecimento médico para a população leiga. O neurocirurgião acredita que hoje em dia a Medicina e as redes sociais se complementam e fazem parte do mesmo processo.

“É lógico que a participação na televisão me coloca em um papel diferenciado como comunicador, que é diferente de um indivíduo que atende e simplesmente opera, mas tudo faz parte do mesmo propósito, o de ser um consultor, não só de doenças, mas de saúde, para toda a população. Então, tudo faz parte disso: informar a população, formar os médicos residentes e passar informação para os pacientes e seus familiares. Tudo isso faz parte do mesmo contexto”, defende.

De acordo com o especialista, as redes sociais atuam como ferramenta de aproximação entre o médico e o paciente. “As mídias digitais podem ajudar mostrando que o indivíduo é especialista em determinado assunto, levando informações de qualidade, sempre tendo como objetivo principal a verdade, e informar a população seguindo os preceitos do nosso juramento de Hipócrates”, pontua Gomes Pinto.

Apesar dos benefícios do mundo digital, é preciso tomar cuidado com o conteúdo publicado. O Código de Ética Médica proíbe o profissional médico de realizar consultas, diagnósticos ou prescrever por qualquer meio de comunicação em massa. “Existe uma diferença entre marketing e entender que nós precisamos informar a população.

O marketing médico, na verdade, não deve ser feito totalmente por meio das mídias sociais, até porque existe uma série de normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O melhor marketing que existe para o médico é o bom trabalho e o relato dos pacientes.

Eles, sim, podem fazer a diferença para o profissional, comentando em suas redes sociais. Lembre-se de que, nas mídias digitais, a função do médico é educacional e de esclarecimento”, destaca.

Entre as redes disponíveis, destacam-se quatro: Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn. Porém, apesar da variedade, cada uma delas apresenta uma proposta diferente e tudo depende do objetivo do usuário. “Acredito que o mais importante é o médico identificar com qual rede social ele prefere trabalhar, em qual se sente mais à vontade.

Entendendo que seja algo de relacionamento mais profissional, o LinkedIn acaba sendo o mais indicado. O Facebook é mais popular, com uma liberdade maior para escrever dicas, orientações, além de permitir a introdução de links.

Já o Instagram é mais usado visualmente, com imagens coloridas e rápidas para orientar a população com uma linguagem mais simples e visual”, orienta. Apesar de não ser um fator determinante, Gomes Pinto acredita que o poder das redes agrega valor ao trabalho do médico.

“Quando um indivíduo tem um problema de saúde, ele quer ser bem atendido, quer atenção, quer um profissional que saiba o que está fazendo, que ofereça a ele a possibilidade de melhora. É claro, no entanto, que todos gostam de informação e as mídias sociais oferecem essa possibilidade de informação organizada, gratuita e de valor”, justifica.

Estar presente ativamente nas redes sociais também é uma vantagem para chamar a atenção do público jovem. Uma pesquisa realizada no ano passado pela ONG Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia) revela que 70% dos jovens quase não vão ao médico, por isso é tão importante criar maneiras de captar a atenção dessa parcela da população.

“O público mais jovem entende que, se o médico está inserido no meio midiático, ele sabe do que está acontecendo, dos problemas, das dificuldades e das curiosidades, ou seja, está sempre atualizado e, com isso, seu interesse aumenta”, acredita Gomes Pinto.

Desafios das mídias digitais

Com as tecnologias, a relação médico-paciente tem se tornado cada vez mais complexa. Atualmente, há a presença do chamado “paciente expert”, termo que se refere ao paciente que busca ativamente informações sobre sua doença. De acordo com Gomes Pinto, a liberdade de acesso é uma faca de dois gumes, que pode auxiliar ou atrapalhar o médico em diversos momentos.

“A educação do paciente faz toda a diferença. Hoje, ele pode fazer uma busca sobre sua enfermidade. Porém, não tendo um editor, pela questão da liberdade de acesso aos buscadores como Google, o paciente, muitas vezes, tem acesso a informações falsas ou que não se aplicam a ele ou a seus familiares. Então, o paciente está educado, entendendo que há esse acesso livre à informação, mas que, por vezes, quem dirá qual é a informação correta que se aplica ao caso dele é o profissional da Saúde. Isso é o que faz a diferença”, ressalta o neurocirurgião.

Como se posicionar nas redes sociais?

Como se posicionar nas redes sociais?

Para alcançar seu público-alvo e levar informação de maneira eficiente aos seus pacientes, confira, abaixo, uma série de dicas para se posicionar da melhor forma nas redes sociais.

  1. Fotos e vídeos do ambiente são fundamentais: publicar fotos do consultório e da recepção é fundamental para mostrar ao paciente a estrutura do local. Fotos da equipe e do próprio médico também são bem-vindas. Para o paciente, é muito importante conhecer a aparência do local e de quem vai atendê-lo, pois é uma forma de se identificar com o profissional ou não.
  2. Verifique a fonte de suas postagens: antes de publicar qualquer conteúdo nas redes, é fundamental checar sua fonte para não divulgar notícias falsas. Além disso, esteja atento aos direitos autorais, pois o compartilhamento de vídeos ou fotos de terceiros pode violar os direitos do autor.
  3. Produza conteúdo breve e relevante: para que o paciente entenda o conteúdo com mais facilidade, publique postagens simples e objetivas. Ao utilizar uma linguagem muito técnica, ele pode perder o interesse ou ter dificuldade em entender os termos. Caso queira usar palavras estrangeiras, o melhor é destacar a expressão e logo em seguida traduzi-la.
  4. Fique atento à qualidade da imagem: nas redes sociais profissionais, a qualidade da imagem é fundamental. O Instagram, por exemplo, utiliza imagens como destaque, por isso seus conteúdos devem ser de alta qualidade para que a imagem fale por si só. Da mesma forma, os vídeos também precisam ter uma ótima produção, a fim de passar profissionalismo ao seu potencial paciente e, assim, conquistar a sua confiança para realizar um procedimento ou consulta.
  5. Faça marketing de conteúdo: não adianta aparecer sem ter um bom conteúdo. Produzir conteúdo de qualidade, de forma a se posicionar como especialista dentro de um segmento, é grande a chance de conseguir captar mais pacientes interessados naquela especialidade.

5 motivos para ser digital:

  • Oportunidade de visibilidade;
  • Atingir novos nichos;
  • Interagir e tirar dúvidas dos pacientes;
  • Passar credibilidade e confiança aos usuários por meio de conteúdos e avaliações;
  • Gerar tráfego para o site da instituição.

Ética médica nas mídias sociais

Apesar de ser um ótimo espaço para divulgar seu serviço, as redes sociais possuem regras de uso, permitindo e proibindo algumas atividades. Confira a lista com algumas das permissões e das proibições, de acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM):

É permitido:

  • Publicar foto com seus grupos de trabalho e sua equipe médica;
  • Publicar, de forma comedida, que participou de cursos e de congressos, desde que possa comprovar;
  • Publicar seu endereço de consultório ou clínica, desde que não em matérias científicas e de esclarecimentos da coletividade;
  • Publicar que realiza procedimentos, desde que reconhecidos cientificamente e ligados a sua especialidade;
  • Fazer orientações gerais sobre doenças, sem, no entanto, prescrever ou direcionar suas informações a casos detectáveis.

É proibido:

  • Publicar foto de seu paciente ou em conjunto com o mesmo, fazendo referência a esse vínculo (quebra de sigilo);
  • Publicar foto de “antes e depois” (promessa de resultado);
  • Publicar foto de paciente na sala cirúrgica, relatando o que será realizado ou o que acabou de acontecer (quebra de sigilo, autopromoção e concorrência desleal);
  • Publicar que não existem complicações em seus procedimentos ou que todos os seus pacientes estão satisfeitos (promessa de resultado, sensacionalismo, autopromoção e concorrência desleal);
  • Publicar figuras de modelos ou artistas, vinculando-os ao nome do médico ou à clínica (autopromoção, sensacionalismo e quebra de sigilo).

Raio-X das mídias digitais

WhatsApp: com 1,2 bilhão de usuários no mundo e sendo uma das mídias digitais mais usadas no Brasil, é uma forma de se comunicar com pacientes e com profissionais da área, servindo como uma ferramenta de troca de informações.

Facebook: atualmente, é a maior rede social do Brasil e do mundo, somando mais de 2 bilhões de usuários, sendo 130 milhões apenas no nosso país. Essa é uma das redes mais importantes para sua clínica ou seu consultório se fazer presente.

YouTube: sendo a maior plataforma de vídeos do mundo, o YouTube possui 98 milhões de usuários no país. Como muitas pessoas preferem ver vídeos a ler conteúdos, produzi-los pode ser uma boa estratégia para impactar seus pacientes em potencial.

Instagram: com quase 60 milhões de usuários no Brasil e com o maior índice de engajamento entre as redes sociais, o Instagram é o aplicativo que mais cresce no mundo. A rede é uma plataforma visual, sendo uma oportunidade de postar fotos sobre os bastidores, dia a dia, dos funcionários do consultório ou clínica.

Twitter: a rede, caracterizada por textos curtos e atualizações sobre notícias e novidades em tempo real, reúne 30 milhões de usuários no Brasil.

Snapchat: hoje com 187 milhões de usuários em todo o mundo, a plataforma se destaca pela instantaneidade. Nela, você pode postar vídeos e imagens que ficam no ar por apenas 24 horas.

LinkedIn: é a maior rede social corporativa do mundo e conta com 29 milhões de usuários brasileiros. Por meio dela, é possível criar um forte networking profissional, além de melhorar seu marketing pessoal.

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Inovação e tecnologia: os wearables impactando na vida do médico

A Medicina vive um período de constantes mudanças e os recursos tecnológicos atuam como grandes aliados na otimização da Saúde e na carreira médica, cumprindo um papel fundamental no trabalho dos médicos.

Entre as inovações, surgem os wearables dispositivos que podem ser facilmente acoplados ao corpo, como pulseiras, relógios, óculos e roupas. Eles são capazes de calcular batimentos cardíacos, peso, calorias consumidas, passos e até o tempo de atividade física. Ou seja, dados que até então eram medidos apenas em consultórios, agora, podem ser captados em tempo real.

Segundo relatório da IHS Technology, o mercado global de wearables crescerá em 2018, gerando uma receita de US$30 bilhões, um aumento de mais de 250% em relação aos US$8,5 bilhões em vendas em 2012. Muitos profissionais estão aderindo, hoje, a essa nova forma de monitoramento da saúde. Mas como isso impacta na relação médico-paciente?

O que são wearables?

Os wearables (ou dispositivos vestíveis) atuam na função de monitoramento remoto, proporcionando mais independência para o usuário.

Os dispositivos podem ser incorporados a qualquer acessório, usando inúmeros sensores, integrados em um sistema, que conecta e cruza as informações coletadas. A partir daí, os dados são armazenados em servidores para que, posteriormente, seja feita uma análise mais profunda.

Geralmente, esses dados ficam disponíveis para médicos e pacientes. Como é o caso da Miniclinic, um sistema que integra diversos aplicativos em uma única plataforma, permitindo a coleta, o gerenciamento e o compartilhamento de informações de maneira prática e segura.

De acordo com Alvaro Cattani, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e sócio da Miniclinic, com o uso correto dessas informações, é possível ter um controle mais adequado sobre os problemas de saúde do paciente. “Por exemplo, um wearable que faz medidas de pressão regularmente e transmite esse dado para o médico de forma semanal ou mensal sobre um paciente hipertenso. Com isso, podem ser feitos ajustes de tratamento quando necessário”, exemplifica.

Melhorando a relação médico-paciente

Segundo Guilherme Rabello, gerente comercial do núcleo de projetos InovaInCor, os dispositivos wearables têm muito a contribuir para a área médica, atuando como “cuidadores virtuais” e como aliados dos médicos. “Eles podem auxiliar os médicos no controle sobre a saúde do paciente, indicando alterações em suas condições físicas que os permitam agir de modo preventivo e até mesmo intervir em casos agudos, com melhora no desfecho do tratamento clínico”, pontua.

O nutrólogo Stêfani Teixeira também acredita que esses dispositivos sejam benéficos para o médico, encurtando o distanciamento entre ele e o paciente. “Graças ao avanço tecnológico, por meio das tecnologias vestíveis, é possível monitorar, por exemplo, os níveis de açúcar no sangue, o nível de dor, e a temperatura corporal, estando em qualquer lugar”, assegura.

Mas para que o dispositivo funcione de forma adequada, é necessária a adesão do paciente. Para Cattani, o feedback do paciente é o que determina a eficácia do monitoramento. “Temos no Miniclinic o monitoramento da pressão arterial e da glicemia, a oximetria e o acompanhamento do índice de coagulação.

Tenho pacientes que utilizam o controle de pressão arterial e me enviam semanalmente os dados de curva pressórica. Sempre faço uma interação com eles, comentando as medidas e discutindo potenciais necessidades de correção. Esses pacientes passam a ter um entendimento da doença, conhecem o comportamento de sua patologia, aceitam e, por vezes, até sugerem ajustes de doses ou mudanças no rumo do tratamento”, explica.

Conhecer o paciente, suas emoções e frustações também é uma das questões proporcionadas por esses dispositivos, contribuindo para um tratamento mais humanizado. “Penso que, quanto mais houver a incorporação de tecnologia pelo paciente, com interação ou interface com a utilizada pelo médico em seu trabalho, mais conhecimento o profissional terá sobre o paciente na sua individualidade, pois os dados fornecidos geram uma gama de informações”, ressalta Cattani.

Empoderamento do paciente no ambiente médico

Devido à popularização do acesso à internet, é possível encontrar facilmente informações relacionadas à saúde disponíveis na rede.

Com isso, surge um novo personagem no ambiente médico: o paciente expert. Ele é aquele que busca informações relacionadas a sintomas, doenças e tratamentos. Mais do que isso: por vezes, também acredita que entende da especialidade e está em pé de igualdade com o médico.

Segundo Rabello, o paciente expert está transformando a tradicional relação médico-paciente baseada na autoridade concentrada apenas nas mãos do médico. “Em vários sentidos, a relação médico-paciente está mudando desde o advento do ‘Dr. Google’.

O início do empoderamento dos pacientes com acesso à informação médica tem gerado efeitos positivos, como um diálogo melhor e a inclusão dos pacientes na discussão da sua própria saúde.

Porém, há desafios para ambas as partes. Pacientes podem gerar expectativas equivocadas sobre como seus médicos precisam avaliar os dados que seus wearables produzem, querendo avaliações rápidas”, afirma.

Para Teixeira, a conversa prévia com o paciente é uma boa forma de evitar esse tipo de situação. “Quando você usa um sistema de alta tecnologia aliado à saúde, é muito importante você sempre explicar bem as funcionalidades para o paciente e nunca perder a integração médico-paciente. O diálogo e a clareza são a melhor forma de prevenir os ‘pré-diagnósticos’ que existem através do Dr. Google”, orienta o médico.

Porém, apesar da facilidade trazida por esses dispositivos, essas informações precisam ser levadas a um médico para que ele recomende o tratamento mais indicado para cada indivíduo.

Segundo Immo Oliver, fundador da Carenet, empresa criadora do primeiro dispositivo vestível de saúde do mercado brasileiro, o Carenet Klip, os dispositivos auxiliam no controle da enfermidade.

Porém, apenas os médicos são responsáveis pelo diagnóstico da patologia. “O foco do monitoramento remoto não é necessariamente o diagnóstico. Ele serve mais para monitorar os pacientes crônicos, que já foram diagnosticados por um médico, e, então, realizar o acompanhamento durante uma crise, para que o paciente receba a ajuda no momento certo e de maneira correta”, defende.

Prós e contras dos wearables

Apesar das inúmeras vantagens possibilitadas pelo uso dos wearables, eles também podem apresentar fatores negativos. Em uma pesquisa recente, realizada pela empresa Harris Interactive com 2.500 pessoas nos Estados Unidos, quase três quartos dos entrevistados disseram ter pelo menos uma preocupação com esse tipo de aparelho, em geral, relacionada ao preço e à privacidade.

Segundo Rabello, até a segurança do paciente pode ser uma das desvantagens trazida pelas novas tecnologias. “Os usuários que não entenderem adequadamente para que servem os wearables podem desenvolver um falso senso de segurança física, tomando decisões erradas quanto à aderência a tratamentos e à medicação indicada pelo médico.

Quem cuidará dos dados? Estaremos no controle ou seremos controlados? Nossos dados serão usados a favor ou contra nós mesmos? Esses são dilemas que devem ser debatidos e estudados pelos pacientes”, pontua.

Oliver acredita que o segredo para o melhor aproveitamento desses recursos é saber equilibrar o uso das tecnologias com o aconselhamento médico. “No fim, todos querem ajudar o paciente a gerenciar melhor sua patologia. Então, quem faz a educação é o médico. O paciente recebe do profissional as instruções de como ele deveria se tratar e a tecnologia o ajuda a seguir essas regras definidas pelo médico. Vejo isso como uma ferramenta de autocuidado”, conclui.

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O papel do consultório da era digital

O mercado médico de consultório vivencia o acompanhamento da era digital. Do atendimento e marcação de consulta ao armazenamento das informações de pacientes, a digitalização vem se tornando um modelo mais rentável, dinâmico e ágil, que, com o tempo, passará a ser padrão para todos os processos de gerenciamento de um negócio, bem como na rotina do médico.

Após perceber a importância da informatização dos dados para sua rotina médica, o cardiologista Álvaro Cattani passou a pesquisa sobre tecnologia. Depois disso, o médico começou a se dedicar ao desenvolvimento de alguns aplicativos. Um deles permite a junção de informações do paciente e seus exames em um único prontuário. Há um outro voltado para a prevenção da saúde do paciente. Existe, ainda, o aplicativo que coleta dados sobre a pressão arterial do paciente, para que possa ser feito um compartilhamento dessas informações com o médico.

Segundo o especialista, esses dados arquivados permitem que o médico tenha acesso ao histórico do paciente antes mesmo da consulta. “Com um aplicativo que faça as medidas regularmente, eu dispenso exames, porque sei que a pressão do paciente está bem quando ele está em casa”, diz Cattani. “A digitalização pode otimizar e dinamizar o tratamento, aumentando a aderência de pacientes a ele”, acrescenta.

Claudio Giulliano, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), explica que é muito importante que o médico conheça a história clínica do paciente, o que é facilitado, hoje, com a tecnologia. Como exemplo, ele cita médicos que possuem mais de um consultório e que podem acessar dados de outros computadores ou smartphones. “Se o médico acoplar ao prontuário eletrônico ferramentas mais informadas, que chamamos de sistemas de apoio à decisão clínica, ele terá a possibilidade de ter informações que podem melhorar o resultado clínico por meio da adesão a protocolos clínicos internacionais, propostas mais diretas e objetivas de tratamento ao paciente”, comenta.

Cuidados e desafios

Contudo, Giulliano esclarece alguns cuidados necessários com a digitalização da informação do consultório. “O médico tem que saber se o software é aderente às resoluções estabelecidas pelo CFM. Muitas vezes, os softwares para consultório médico são apoiados pelas sociedades de especialidades médicas e isso ajuda muito. E também é fundamental que o médico possa conversas com outros colegas que já usam a aplicação para ver como é o perfil do software ou aplicativo”, relata.

Apesar de muito se falar na importância das novas tecnologias e as contribuições que elas promovem em relação ao diagnóstico e ao tratamento de doenças, ainda existem médicos resistentes à entrada dessas ferramentas no consultório. Para Cattani, o grande problema em estimular a digitalização está no fato de que muitos médicos chefes de serviço têm mais de 40 anos e não estão habituados com a linguagem tecnológica, acabando por impor resistência a esse tipo de novidade. “Eu acho que vivemos uma nova fase. Devemos quebrar esse paradigma e nos familiarizarmos com a tecnologia, porque não é escapatória, esse é o futuro”, define o cardiologista. “Não tem como criar resistência para uma coisa que vai acontecer cedo ou tarde. Em breve, teremos uma explosão do uso da tecnologia na área médica. É necessário entender que tudo isso vai facilitar e muito a adesão ao tratamento”, conclui.