Publicado em

5 passos para superar expectativas do paciente

expectativas do paciente

Observar, compreender e aplicar adequadamente ações que envolvam tais particularidades, no intuito de gerar valor àqueles que estão sendo atendidos, são os passos essenciais para transformar o paciente em um “embaixador”.

Antes mesmo de adentrar o consultório, o paciente já começa sua jornada ao buscar informações sobre o médico na internet, nos aplicativos de smartphone de seu plano de saúde, nas redes sociais e por meio da avaliação de pacientes consultados.

Então, confira um passo a passo sobre as ações fundamentais para superar expectativas do paciente e torná-lo um embaixador do consultório.

Passo 1: Quem é o meu paciente?

Anúncios impressos (como folhetos, folders e lâminas), publicações nas redes sociais, livros credenciados com as informações e características do consultório.

Para que esses materiais cumpram o objetivo de atração, é importante que o médico saiba qual é o perfil de seu paciente, fator também importante para oferecer um serviço personalizado e de qualidade, tanto por parte do profissional da saúde como dos funcionários do consultório.

Passo 2: Como devo receber o meu paciente?

Nessa etapa, o paciente já prospectado encontra-se no consultório e aguarda o primeiro contato pessoal. Após ter conseguido as informações que precisava e ter marcado a consulta, o paciente é atendido pelos funcionários da recepção, que checam os seus dados e se colocam à disposição para quaisquer outras dúvidas.

Aqui a primeira impressão é a que permanece. Torna-se fundamental, portanto, a presença de um software de gestão, gerando mais rapidez aos processos e fornecendo um local seguro para o armazenamento de dados do cliente e o treinamento dos recepcionistas.

Passo 3: Como é o lugar onde meu paciente deve ser recebido?

Decoração, limpeza, higiene, organização de todos os cômodos do consultório e os serviços extras, como café, água, biscoitos, TV e wi-fi. Esses são detalhes tão fundamentais que podem interferir diretamente também na percepção do paciente.

Muitas vezes, então, esses aspectos impactam no tempo de espera que o paciente é obrigado a cumprir, encurtando-o ou prolongando-o, dependendo do ambiente.

Passo 4: Como devo atender o meu paciente?

Atenção, médicos! Essa é a fase que a relação com o seu paciente passa pela prova de fogo. Dessa forma, cabe ao profissional da Saúde prestar o seu atendimento observando, cuidadosamente, os seguintes fatores:

  • Ser simpático e cortês
  • Ouvir atentamente as dúvidas do paciente
  • Falar de maneira clara e objetiva
  • Oferecer um atendimento humanizado e personalizado
  • Ter segurança e precisão no diagnóstico
  • Mostrar-se atualizado diante das inovações da Medicina e da tecnologia

Passo 5: Como o paciente avalia o meu consultório?

A opinião do paciente sobre a qualidade do ambiente, do atendimento médico, dos serviços prestados por recepcionistas e por outros funcionários é imprescindível para saber quais foram os acertos e pontos a serem melhorados no consultório. Conhecido também como feedback, a avaliação do paciente definirá o seu retorno ou desistência ao local.

Portanto, caso a percepção do paciente supere as próprias expectativas, ele compartilhará a sua avaliação com outras pessoas, fazendo a eficaz propaganda “boca a boca”.

As informações coletadas nessa etapa são imprescindíveis para a definição precisa de um perfil do consumidor, além do planejamento na produção de materiais e atividades destinadas à publicidade do consultório, que tem o intuito de fortalecer ainda mais a relação médico-paciente.

Publicado em

Glosa Médica: como evitá-la?

glosa médica

No dia a dia, os profissionais da Saúde precisam lidar com situações de todos os tipos. Em alguns casos, o paciente chega ao consultório, apresenta a carteira do seu convênio, realiza um procedimento e deixa o consultório com seu problema resolvido. Porém, para o médico, essa não é a realidade.

Ao final do processo, é preciso enviar uma solicitação de prestação de contas para que as operadoras de saúde possam reembolsar o prestador. Nesse trâmite, porém, o médico pode encontrar um obstáculo: a glosa médica.

Glosa é toda cobrança efetuada que não coincide com os acordos e as regras firmadas entre o serviço contratado e a empresa contratante. Na área da Saúde Suplementar, a glosa médica ocorre quando o plano de saúde suspende o pagamento de serviços contratados, como consultas, atendimentos, medicamentos, materiais ou taxas cobradas por hospitais, clínicas, laboratórios ou outros profissionais de saúde conveniados, repassando esse custo para os prestadores do serviço.

Operadora versus prestador de serviço

No geral, a relação entre os planos de saúde e os médicos é complexa, principalmente quando o assunto é glosa médica. Para Marcelo Brito, presidente da Federação Baiana de Saúde (Febase), esse relacionamento se torna conflituoso, pois um dos lados sai perdendo.

“A operadora pede que o médico atenda, mas ela deseja que você não atenda, e se atender, que seja pelo menor custo possível, o que nem sempre é viável, dependendo da doença apresentada pelo beneficiário do plano, para que você possa realizar o tratamento ou a recuperação do estado de saúde desse mesmo usuário. Ou seja, não é uma relação na qual os dois lados ganham: é uma relação que para um ganhar, o outro tem que perder”, analisa.

Ao estabelecer o contrato com médicos autônomos ou clínicas, há uma série de critérios que devem ser estabelecidos. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é obrigatório formalizar, em contratos escritos entre operadoras e prestadores de serviços, as obrigações e as responsabilidades entre essas empresas. Caso não existam esses documentos, a ANS poderá aplicar as penalidades previstas na Resolução n° 124/2006.

Segundo Rodrigo Andrade, advogado da Confederação Nacional de Saúde (CNS), em muitos contratos, os critérios não são claros. Com isso, as operadoras se reservam o direito de glosar as contas, muitas vezes sem qualquer justificativa. “Por vezes, as operadoras alegam que o material usado no procedimento é mais caro do que o autorizado, outras vezes não dão explicação. Além disso, os critérios, prazos e procedimentos variam de uma operadora para outra, sendo completamente feitos dentro do seu próprio sistema de informações. Como não há prazo para a conclusão da auditoria, o prestador pode ficar esperando anos pelo pagamento da conta, sem previsão de esclarecimento”, alerta.

Glosa Médica no dia a dia

De acordo com um boletim divulgado pela Federação dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas e Demais Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (Fehoesp), em março de 2018, 90% das clínicas médicas sofreram com glosas praticadas por planos de saúde.

Márcia Massari, gerente de contas médicas do Hospital Prontobaby, no Rio de Janeiro, revela que as glosas mais comuns são as administrativas, pois dependem do correto cadastro do paciente no sistema, como matrícula, solicitações de autorizações e senhas, o que frequentemente gera erros.

“Para evitar essas situações, temos sempre que verificar se todos os dados do paciente estão corretos, além de conferir se as guias estão devidamente assinadas e preenchidas, e enviar também documentação comprovando a realização dos procedimentos cobrados e justificativas técnicas, quando necessário”, resume.

Para Brito, outro tipo de glosa comum é em relação a valores. “Há uma tabela determinada em contrato, e a operadora, por alguma razão, passa a dizer que aquele valor acordado ficou desatualizado. Com isso, ela passa a aplicar um novo valor, sem a concordância nem a aceitação por parte do prestador de serviço”, exemplifica.

A fim de evitar essas situações, o médico aconselha: “O que se pode fazer é ter muito cuidado na confecção da fatura e ter uma equipe absolutamente preparada para isso, além de ter um sistema de informática de faturamento robusto, para que o médico possa apresentar a fatura”.

Segundo Márcia, a agilidade do prestador de serviços também pode auxiliá-lo no ato de recorrer de uma glosa. “Quanto mais rápido ele analisar as glosas e fizer o recurso, mais rápida será a resposta do recurso. Existem várias formas de realizar os recursos, que são determinadas pela operadora: por meio do próprio site da operadora, por planilhas em Excel, por telefone, presencialmente e outros meios”, afirma.

Tecnologia em foco

Usar a tecnologia também tem se mostrado uma ótima forma de evitar as glosas. “Antigamente, os recursos eram, em sua maioria, presenciais. Hoje, com avanço da tecnologia de informação, a maioria dos recursos são feitos pelo site da operadora, ocorrendo mais agilidade e otimizando tempo”, constata Márcia. A tecnologia melhora a troca de informações e ajuda a organizar dados, otimizando a rotina de consultórios. A implantação de prontuários eletrônicos é um bom exemplo dessa ferramenta.

Essas plataformas reduzem de maneira significativa o número de erros e deixa as informações mais claras, além de padronizar os processos. “A própria ANS determinou um critério de apresentação de glosas, um formulário eletrônico padronizadoPorém, a maioria das operadoras não implementou o arquivo. Ou seja, elas não têm interesse em justificar essa glosa, pois permite ao prestador apresentar recursos ou acirrar o relacionamento se a glosa for indevida. Podendo ele exigir o pagamento integral, sob pena até de uma rescisão contratual”, sustenta Brito.

Tipos de Glosa

  • Administrativa: é caracterizada por processos administrativos incorretos, como erros no preenchimento do número da carteira do beneficiário ou do código de um procedimento, realização de um serviço não coberto pelo plano, falta de assinatura do paciente ou do médico na ficha clínica, entre outras situações.
  • Técnica: está associada à necessidade de um auditor para avaliar procedimentos cobrados sem argumentação técnico-científica, como descrição incompleta da assistência de enfermagem prestada no prontuário do paciente, anotações realizadas a lápis e utilização de um procedimento diferente daquele autorizado pelo plano.
  • Linear: são recorrentes de uma postura unilateral dos convênios ou planos de saúde e podem caracterizar prática irregular e possibilitar visita técnica e outras medidas regulatórias por parte da ANS.

Orientação jurídica

Como recorrer de uma glosa médica?

O prestador precisa buscar o Poder Judiciário, para que seja declarado o abuso dessa prática e para a operadora ser condenada a pagar pelos serviços.

É uma situação complicada e nem sempre recomendável, pois as operadoras são verdadeiros gigantes e, na maioria das vezes, a maior parte do faturamento desses profissionais decorre do atendimento pelos planos de saúde. Isso significa que, para o prestador, o vínculo com a operadora faz toda a diferença para sua sobrevivência, mas a recíproca não é verdadeira: a operadora pode descredenciar o profissional quando quiser, e isso não a afetará.

As operadoras descredenciam os médicos devido às glosas?

As operadoras não descredenciam por glosas reiteradas. Para elas, não faz diferença, já que simplesmente suspendem o pagamento e, se pagarem meses depois, não incluirão juros nem atualização financeira. As operadoras apenas ameaçam descredenciar os profissionais se eles questionarem muito ou se buscarem o Judiciário contra elas.

Publicado em Deixe um comentário

A reinvenção da carreira médica no pós-pandemia

reinvenção da carreira

A pandemia de Covid-19 trouxe grandes desafios e consequências à área da Saúde. Seja pelo número de infectados e de óbitos ou pelo impacto gerado no atendimento do paciente e na carreira do médico como um todo, a situação demandou coragem e um número incontável de estratégias para que o trabalho prosseguisse. Afinal, mais do que nunca, a reinvenção da carreira tornou-se uma exigência e não uma opção.

Apesar dos esforços, a carreira e os negócios de muitos médicos foram afetados negativamente, o que gera alguns questionamentos para o atual momento da profissão: é possível lidar com uma nova realidade tão complexa? Todos os profissionais foram ou serão afetados? Como se recuperar da crise? Perguntas como essas podem ter várias respostas, dependendo do cenário, do tipo de crise vivenciada e da postura adotada.

Pensando nisso, reunimos cinco tópicos muito importantes para esse período. Nessa reportagem, contamos com a participação de especialistas médicos e das áreas de Comunicação e Gestão de Crises, que disponibilizaram dicas e um parecer diante do novo formato de trabalho imposto pela pandemia, pensando na reinvenção da carreira médica.

Reabertura

Atualmente, vive-se uma fase de incertezas em todo o mundo. Mas, aos poucos, consultórios e clínicas têm reaberto suas portas e retomado atividades presenciais. Nesse período de pandemia, muitos desses negócios tiveram seu movimento reduzido, especialmente nas especialidades cirúrgicas, o que traz novos desafios e até mesmo a necessidade de reconstrução da carreira.

De acordo com o gastroenterologista Guilherme Sander, MBA em Gestão pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), algumas clínicas sem reservas de caixa tiveram que reduzir horários, área de atuação ou até mesmo fechar. “Há uma tendência a apressar uma certa seleção natural, com o fechamento, em especial, de negócios que já não vinham bem”, explica.

O especialista acredita que, por algum tempo, o receio com a biossegurança estará presente, com aversão a aglomerações e preocupação com a higiene local. Isso pode afastar alguns pacientes das clínicas e dos consultórios. “Além disso, possivelmente, haverá uma redução do número de usuários de planos de saúde, o que também deixará o mercado mais disputado. Por outro lado, em espaços compartilhados, pode haver o fechamento de operações, elevando os custos dos que permanecerem”, acrescenta.

Outro ponto destacado pelo profissional é a necessidade de se repensar os fluxos, de forma a evitar aglomerações. No caso de clínicas e hospitais, os desafios também são outros. “O cuidado com o abastecimento de medicamentos e materiais também é fundamental, para evitar paradas por falta de insumos ou submissão a preços absurdos”, avalia Sander.

No caso do dermatologista André Braz, atuante na Dermatologia Clínica, Cirúrgica e Cosmiátrica e proprietário da clínica que leva seu nome, localizada no Rio de Janeiro, esses novos desafios têm sido vivenciados na prática diária. “O início da pandemia pegou de surpresa todos os médicos, em especial, os que trabalham em clínicas privadas, gerando demandas urgentes, todas feitas em pouco tempo, buscando manter o otimismo e sendo forte para transmitir segurança às pessoas vinculadas ao trabalho”, revela.

Entre algumas dessas demandas urgentes, o dermatologista destaca: a orientação de todos os pacientes agendados e com tratamentos em andamento; a organização da equipe em uma nova atuação o modelo de home office; a tomada de decisões urgentes sobre a gestão do negócio; e também a tomada de decisões urgentes para fortalecer o caixa.

Braz revela que, no início da pandemia, existia a dúvida sobre quanto tempo a paralisação duraria e se, na volta, o paciente se sentiria seguro a retomar o tratamento. No entanto, o cenário vem se mostrando positivo para a clínica. “Posso atribuir esse ritmo de retomada ao relacionamento prévio com cada paciente. Afinal, temos muitos pacientes que realizam seus tratamentos há muitos anos conosco e também indicam outros pacientes, pelo seu grau de satisfação e confiança”, destaca.

O médico revela, também, o impacto positivo da comunicação digital durante o período de quarentena. Os pacientes foram informados a todo tempo sobre fechamento, retorno com menor número de atendimentos presenciais e uso da Telemedicina. “O fato de a equipe estar empenhada em dedicar o seu melhor e as medidas de segurança serem criteriosamente aplicadas também contribuíram para que o paciente percebesse o cuidado e se sentisse confiante”, garante.

Evidências físicas

Outro ponto importante para a retomada das atividades ou continuação de serviços em instituições de saúde são as evidências físicas, que demonstram ao paciente o grau de segurança, limpeza e, assim, confiabilidade que ele pode depositar naquele local. De acordo com Sander, triagem de febre, higienização de mãos e uso obrigatório de máscaras são medidas que ajudam a perceber a preocupação com a segurança. “Clínicas com higiene questionável, com reprocessamento inadequado de materiais, que não façam coleta adequada de resíduos ou com banheiros sujos serão penalizadas”, alerta.

Dessa forma, Braz traz um outro cenário relacionado à necessidade de cuidar das equipes. “É preciso desenvolver protocolos de higiene interna máxima, organizar horários de trabalho, providenciar equipamentos de proteção individual (EPIs) e manter a todos bem treinados, de modo que esse sentimento de segurança por parte da equipe possa ser transmitido nas ações de comunicação com os pacientes”, destaca. De acordo com o dermatologista, se o paciente perceber a equipe segura e bem-disposta a prestar o melhor atendimento, ele também se sentirá seguro.

Relacionamento com o paciente

Ao falar em reabertura, a comunicação com o paciente tem influência em sua percepção sobre determinado serviço. Segundo o jornalista José Luchetti, sócio da empresa DOC Press e autor do livro O médico e o jornalista, o médico não pode preterir nenhum meio de comunicação.

“A comunicação é a essência das relações humanas. Nesse momento, as mídias sociais são bons caminhos para reconstrução de carreira ou para manter o tema de um especialista em evidência entre pacientes e na sociedade”, assegura.

De acordo com o comunicador, a pandemia afetou a todos, não somente a Medicina. “O planeta está gerenciando uma crise. Mas ela passará. O momento é de estruturar ações que possam ser deflagradas por etapas e conforme a crise for ficando mais branda. Esse momento está chegando, então, a hora de se planejar é agora”, orienta.

Para Luchetti, a quarentena trouxe a importância da reflexão. Ele acredita que, hoje, pensar várias vezes antes de publicar em uma mídia social é essencial. “Com a pandemia, tudo ficou menos urgente e a contenção da propagação do vírus é o que determina o rumo das coisas. Dessa forma, percebemos a importância da estratégia e o momento exato para deflagrar uma ação de comunicação”, analisa.

Quem também aborda a importância de um relacionamento estruturado é Isabela Pimentel, consultora especializada em Planejamento de Comunicação Integrada e Gestão de Crise, com experiencia na área da Saúde. Ela explica que, com a redução das consultas presenciais na pandemia, os médicos devem se familiarizar com as ferramentas de marketing digital e usar redes sociais.

Para Isabela, esse é um momento crítico, mas que mostra a importância de uma comunicação humanizada. “Precisamos priorizar, além da informação de qualidade para o cidadão, o cuidado com quem estava na linha de frente, com um impacto psicológico alto”, acrescenta.

Para que as mídias digitais podem ser utilizadas?

  • Estar próximo aos pacientes;
  • Posicionar a marca/consultório e mostrar que está trabalhando em novas condições;
  • Fornecer informações seguras e confiáveis;
  • Comunicar a migração do atendimento presencial para a Telemedicina;
  • Orientar sobre novo formato de trabalho e atendimento;
  • Deixar claro em que canais poderá ser feito o atendimento.

Recuperação financeira

No período de isolamento social, muitos médicos também foram afetados financeiramente. Para que a volta aos atendimentos presenciais seja bem-sucedida, Guilherme Sander cita algumas medidas que esses profissionais podem adotar para se recuperar economicamente. “Perceber as tendências pós-Covid e estar disponível para sua clientela, ainda que remotamente, no caso de pequenas orientações, evitam a migração de pacientes. O marketing será cada vez mais necessário e o mercado voltará mais competitivo. É hora da reinvenção da carreira e elevar a qualidade do atendimento”, avalia.

Ainda no âmbito de gerenciamento de crises, Isabela revela que, para o retorno às atividades presenciais, as clínicas e os consultórios precisarão alocar verbas e realizar investimentos. Entre eles, ela pontua a sinalização com placas indicativas do uso obrigatório de máscaras e outras ações fundamentais para garantir que os locais de atendimento se mantenham seguros e não sejam foco de contaminação. “Após essas primeiras adequações, o ideal, portanto, é garantir um retorno seguro e gradual aos atendimentos, de forma a recuperar o que foi investido”, explica.

Novos conhecimentos

Para os médicos entrevistados, que têm vivenciado na prática essa nova realidade de trabalho, muitos ensinamentos podem ser tirados da pandemia. De acordo com André Braz, foi possível entender decisões assertivas e valorizar os processos que já vinham sendo organizados pelos especialistas que trabalham na clínica. “Hoje, temos uma equipe de gestores que cuida desde o treinamento e o engajamento da equipe de atendimento até o cuidado com a comunicação e a imagem da clínica, bem como audita as finanças e faz planejamento tributário”, conta.

Além disso, o profissional explica que, para tomar decisões assertivas, é importante olhar para os dados da clínica e também rever os processos, para que sejam cada dia melhores. “Tudo isso conectado à visão de futuro. A pandemia deixou explícito que o olhar para a gestão contribui para o crescimento diário da clínica e, em momentos desafiadores, nos sentimos mais preparados para superar os imprevistos”, conclui.

Já Guilherme Sander acrescenta que toda crise é uma aula de gestão. “Não há nada de novo, mas a crise reforça tudo que sempre se disse como importante, mas que ficava para amanhã. Portanto, inovação, marketing, qualidade do atendimento, personalização, uso e abuso de tecnologias: essas serão as marcas deste período”, garante.

Dicas para reinvenção da carreira e fortalecer a marca

  • Invista em mídias sociais;
  • Fique atento às tendências de gestão;
  • Reduza custos supérfluos;
  • Invista em qualidade no atendimento;
  • Aprenda a utilizar novas tecnologias;
  • Forneça atendimento por meio da Telemedicina;
  • Faça-se presente nas redes sociais (com postagens e lives, até mesmo em parceria com outros profissionais da área médica).
Publicado em

Médicos no YouTube: educando o paciente à distância

youtube

Um grande problema enfrentado pelos médicos ao longo da carreira é lidar com a educação do paciente. Apesar de a pessoa ir presencialmente até o consultório ou clínica para o atendimento, nem sempre todas as dúvidas são sanadas no encontro, além de outros questionamentos surgirem durante o tratamento.

A consulta raramente termina quando o paciente sai pela porta, estendendo-se por telefone e, principalmente, em conversas via WhatsApp. Por isso, no intuito de reverter esse quadro, muitos profissionais têm usado as redes sociais como alternativa para acabar com o vácuo entre médico e paciente, assim como sites com detalhes sobre doenças, procedimentos clínicos e suas especialidades.

Alguns profissionais também optaram pelo Instagram para passar informação mais resumida e de forma instantânea, assim como dar detalhes da rotina. Entretanto, outros preferem o Facebook para interagir e divulgar notícias interessantes da área, mas uma outra rede social vem se tornando um canal importante para a educação do paciente: o YouTube.

Com mais de 1 bilhão de usuários ativos, o serviço de broadcast é utilizado estrategicamente por médicos para continuar o relacionamento pós-consulta, educar o paciente via vídeos informativos e reforçar a marca do próprio profissional, bem como de sua clínica ou consultório.

É o caso do dermatologista Lucas Fustinoni. Ultrapassando a marca de 1,7 milhões de inscritos em seu canal, o médico investe na plataforma de vídeos há quase cinco anos. De acordo com ele, a iniciativa surgiu pela preocupação com a baixa qualidade das informações disseminadas na internet. “A ideia de criar o canal no YouTube foi para levar mais informações aos pacientes. Eu percebi que muitas pessoas chegavam desinformadas na consulta, confusas e com pouco conhecimento científico”, analisa.

Prioridade na educação do paciente

Fustinoni esclarece que os vídeos são pautados com base científica, uma vez que muitas informações disseminadas são sensacionalistas e os pacientes estão cada vez mais exigentes. “Vejo um amadurecimento da internet brasileira. Todo o conteúdo disponibilizado no meu canal do YouTube é respaldado com referências científicas de qualidade para evitar informações falsas e de fontes duvidosas”, explica.

A ginecologista Laura Lucia Martins também apostou na educação do paciente via YouTube. Com cerca de 620 mil inscritos em seu canal, a médica começou a investir nessa área ainda em 2006, no extinto Orkut. Assim, a especialista participava da rede com objetivo de esclarecer dúvidas. “A iniciativa partiu de uma paciente muito querida, que criou uma comunidade para mim, e eu comecei a promover debates sobre diversos assuntos de saúde. Mais tarde, em 2008, tudo aquilo que eu escrevi acabou se tornando um site”, relembra.

Laura não parou por aí. A ginecologista criou um perfil no Instagram para produzir conteúdo e ampliar seu alcance. No entanto, por conta do limite na duração dos vídeos, a médica optou pela criação do canal no YouTube. “O canal foi fruto de todo o passado nas redes sociais. Até hoje me espanto com o sucesso dele e vejo como as pessoas estão realmente preocupadas com informações de qualidade sobre saúde fornecidas por especialistas com autoridade e não por blogueiras. Portanto, eu vejo o YouTube como a melhor ferramenta para praticar a educação do paciente, sem esquecer dos aspectos éticos”, destaca.

Atenção ao Código de Ética Médica

Também atento às normas do Código de Ética Médica (CEM), Fustinoni conta com uma assessoria jurídica para não infringir nenhuma orientação do documento. “Todos os vídeos seguem as normas do Código de Ética Médica. Nossa equipe consulta um escritório especializado nessa área e nenhuma das nossas produções sofreu qualquer tipo de sanção nesses quase cinco anos de canal”, comemora.

Laura, por sua vez, recomenda cuidado na hora de se posicionar nas redes sociais, não só no YouTube. Ela lembra que o código passou por alterações e que as atualizações devem ser seguidas para evitar problemas na justiça. “Todas as redes sociais merecem atenção em relação ao CEM. Os médicos não podem divulgar marcas ou dar diagnósticos para os pacientes pelas mídias. Isso jamais poderá ser feito”, enfatiza.

Autoridade digital

Criadora da primeira campanha de saúde íntima do Brasil, chamada Saia com Saia, a ginecologista reforça que muitas mulheres não conhecem o básico sobre o tema. O perfil do projeto já conta com mais de 55 mil seguidores no Instagram e, segundo Laura, as pessoas não tinham uma referência médica para falar a respeito do assunto. “O YouTube reforça o meu relacionamento com o paciente, esclarecendo dúvidas sobre esse e outros temas, além de me tornar uma autoridade dentro da minha área de atuação”, afirma.

Autor do e-book Calvície: é genética ou tem cura?, Lucas decidiu não só reunir as principais dúvidas e informações sobre esse tema na publicação, como criar uma landing page para fazer o cadastro dos pacientes, sendo essa uma estratégia muito usada no marketing digital atualmente. “O e-book foi pensado para condensar todos os questionamentos dos pacientes em um único material de maneira fácil e divertida”, conclui.

Números do YouTube

Comprado pelo Google em 2006, o YouTube é a principal plataforma de compartilhamento de vídeos do mundo. Veja alguns números da rede social:

  • US$1,65 bilhão foi o valor que o Google pagou para comprar o YouTube.
  • 1,9 bilhão de usuários ativos mensalmente.
  • Mais de 1 bilhão de horas assistidas todos os dias.
  • Cerca de 70% dos acessos vêm dos dispositivos móveis.
  • 87% das empresas usam vídeos como estratégia de marketing.
  • O YouTube está presente em 91 países e 80 idiomas.
  • É o segundo maior buscador do mundo, perdendo apenas para o próprio Google.
  • Em 2017, a plataforma tinha quase 100 milhões de usuários no Brasil.
Publicado em

4 motivos para cuidar das finanças do consultório

finanças do consultório

A gestão das finanças do consultório é tão importante quanto de uma multinacional. Por desconhecimento ou por falta de habilidades – e por acreditarem que a gerência financeira se limita a pagar contas e ver quanto sobrou no final do mês –, muitos profissionais não dão o devido valor à atividade em seu consultório.

O exercício da Medicina vem sofrendo diversas mudanças significativas nas últimas décadas. Entre elas, o crescimento do número de pacientes conveniados, o aumento da tecnologia, a exigência cada vez maior dos pacientes, o advento das sub-especialidades e a elevação dos custos da carreira médica.

Esses fatores aumentaram – e muito – a complexidade do mercado. Portanto, para ser um médico bem-sucedido nesse novo cenário, não basta ser apenas competente na técnica, é preciso estar atento às tendências e desenvolver novas habilidades.

Durante o curso da faculdade de Medicina, os futuros médicos não recebem uma formação que os instruam a respeito do gerenciamento financeiro de seus consultórios. E com o aumento cada vez maior no total de profissionais atuando no país, maior é a concorrência no mercado médico, tornando necessário o conhecimento na administração financeira, seja das contas pessoais, seja das do trabalho.

Atualmente, para manter-se no mercado, o médico deve perceber que gerenciar um consultório é ter uma atividade empresarial no ramo da Saúde, com fins lucrativos, para que seja possível manter o negócio em funcionamento, bem como cuidar de questões trabalhistas. E em um cenário de economia inconstante, conhecer um pouco sobre controle financeiro se faz essencial para sobreviver à concorrência. Por este motivo, separamos quatro razões principais para cuidar bem das finanças do consultório:

1. Consultório também é uma empresa

Apesar de suas particularidades, o consultório é uma empresa – possui funcionários, tem gastos com equipamentos e ainda paga tributos. Tal como as demais empresas, o consultório também visa o lucro, renda que arcará com os custos do exercício da atividade. Sendo assim, a boa gestão financeira otimizará o uso dos recursos, trazendo, portanto, melhores resultados.

2. Mais lucros sem comprometer a qualidade de vida

O pensamento comum é o de que para gerar mais lucro deve-se trabalhar mais, reduzir as horas de
sono, ter menos tempo com a família e com os amigos, sacrificar a própria saúde e a qualidade de vida. Mas sabendo gerir as finanças do consultório, o profissional conseguirá administrar seu negócio e sua vida, tendo sucesso em sua carreira médica e melhorando a qualidade de vida.

3. Foco no crescimento profissional

Ganhar tempo e usar esse benefício em prol do crescimento profissional é um dos pontos em que a qualidade na gestão financeira ajuda, além de contribuir para consolidar uma boa reputação. Qualificar-se permitirá a busca por uma remuneração diferenciada, aumentando o retorno sobre as atividades.

4. Criar e manter competitividade

O mercado de trabalho na Medicina está com a concorrência cada vez mais concorrência acirrada. Por isso, é preciso manter-se competitivo, tornar-se autossustentável com o passar do tempo, para que se possa usufruir desse patrimônio futuramente.

 

Publicado em

7 coisas que o paciente busca como consumidor

paciente

No setor da Saúde, é comum afirmar que os pacientes buscam médicos renomeados e que passam segurança. Entretanto, quando se percebe que essa pessoa, além de buscar por uma ajuda profissional, também tem suas necessidades como consumidor, fica mais fácil oferecer um serviço que, de fato, agrade por completo. O profissional precisa enxergar o paciente como consumidor, que possui expectativas em relação ao serviço que está procurando e estas precisam ser atendidas (ou superadas)! Em uma entrevista exclusiva, Marcia Nana, especialista em gestão estratégica voltada para profissionais da Saúde, pontuou os principais desejos dos consumidores. Afinal, o que seus pacientes realmente querem?

1 – Simpatia e cordialidade com o paciente

É o mínimo que um paciente espera receber quando faz contato com o consultório. Seja pessoalmente, por e-mail, telefone, Whatsapp ou mídias sociais. Essa simpatia está relacionada à boa vontade em atender o paciente, ao sorriso no rosto e ao tom da voz. É preciso saber escutar os paciente e responder de forma positiva, evitar gestos grosseiros e expressões faciais, que não condizem com a postura de um profissional de excelência, e possuir uma redação formal e apropriada para responder os e-mails e mensagens.

2 – Qualidade no atendimento e pontualidade

Inclui todos os aspectos do consultório, inclusive o ambiente, moveis e decorações de acordo com a proposta (missão e posicionamento do médico). Equipe uniformizada, bem apresentada, maquiada e treinada para prestar um bom atendimento. Recepção agradável, com revistas atualizadas (sempre de acordo com o público alvo), música ambiente e temperatura agradável.

Já a pontualidade é um fator de alta importância para manter a fidelidade do paciente. No caso de acontecer algum imprevisto, é necessário ligar para reagendar a consulta do paciente. Atrasos superiores a 15 minutos são considerados um desrespeito ao paciente. Muitos não voltam ao consultório em caso de atrasos constantes.

3 – Ética, respeito e humanização

Um profissional deve ter sua carreira pautada na ética e no respeito, a fim de manter um relacionamento duradouro com os pacientes. Dessa forma, cria-se um laço de confiança mútua entre o médico e o paciente, e os tratamentos prescritos fluem de forma muito mais harmoniosa, além de serem critérios importantes para indicações do profissional médico.

Outro ponto essencial é tratar o paciente como um ser humano, reconhecer suas fraquezas, medos e ansiedades, além de respeitar sua sensibilidade durante os tratamentos. E, acima de tudo, ser sincero e transparente nas orientações e explicações, usando palavras comuns que levem o paciente a entender a doença, as prescrições e os tratamentos.  Evite termos técnicos e não seja ofensivo ou debochado.

4 – Personalização

O paciente é como um consumidor e quer ter um atendimento único. Ser chamado pelo nome, ter o tempo necessário para conversar com o médico e ter liberdade para tirar dúvidas. Ele gosta de receber um sorriso e um aperto de mão do médico, pois, para ele, esses gestos significam a confirmação da confiança que ele possui no profissional.

5 – Pós-atendimento

Nada mais encantador do que receber uma ligação ou uma mensagem pelo WhatsApp para saber como está o tratamento ou a recuperação de uma cirurgia. Pequenos gestos como esses, feitos pelo médico ou por alguém da equipe, dão ao paciente uma grande sensação de satisfação, pois ele sente que seu bem-estar é importante para o médico.

6 – Credibilidade

O paciente adora ler artigos, ver entrevistas ou palestras do profissional que está cuidando dele. Cabe ao profissional médico ter cuidado com sua imagem, pois ele é uma pessoa pública e, em todos os locais (inclusive nas redes sociais), deve transmitir uma imagem positiva a todos.

7 – Relacionamento contínuo

No Marketing, chamamos esse relacionamento contínuo de Marketing de Relacionamento, que é quando o médico e sua equipe mantêm contato constante com pacientes, estando eles em tratamento ou não. Esse relacionamento é feito por cartas, e-mails, mensagens de aniversário, de Natal etc. A importância desse contato contínuo, para o paciente, consiste em ter seu nome lembrado pelo médico e pela equipe, tendo assim a certeza de que é uma pessoa especial, o que gera um sentimento de amizade, carinho, atenção e fidelização.

Publicado em

Aposentadoria especial: você conhece o seu direito a ela?

Na área da Saúde, alguns profissionais ainda não conhecem a fundo todos os seus direitos garantidos por lei. A aposentadoria especial é um dos direitos que muita gente desconhece. Ela é concedida a profissionais que sofreram exposição a agentes nocivos à saúde – o médico entra nesse tipo de categoria. Com a Reforma da Previdência, aprovada no Senado no final do ano passado, houve mudanças nos critérios para ter direito ao benefício.

Antes da Reforma da Previdência, esse benefício era assegurado a quem, após o tempo mínimo de contribuição de 25 anos e sem restrição de idade, foi exposto a riscos biológicos, químicos e físicos. Agora, além do tempo de contribuição, é preciso ter 60 anos para se aposentar. O médico, a princípio de qualquer especialidade, se enquadra nesse modelo, por exercer atividades insalubres e estar, constantemente, sujeito à contaminação e a outros perigos. Porém, apesar de terem esse direito, muitos se perguntam se essa é a melhor escolha para quem quer se aposentar.

Qual é a melhor opção para a sua aposentadoria?

Ao falar das vantagens da aposentadoria especial, leva-se em consideração as diferenças dessa opção em relação aos tipos tradicionais de aposentadoria – por idade, por tempo de contribuição ou por regra de pontos. Esse modelo é sempre o melhor, visto que o tempo de contribuição é reduzido para 25 anos e a idade mínima para 60 anos. Para o funcionário público que iniciou a carreira antes de 2003, a melhor opção será a aposentadoria por integralidade e paridade, ou seja, pelo modelo tradicional. A lei estabelece que a escolha ideal é aquela mais vantajosa quando se dá entrada na aposentadoria, e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é obrigado a fazer essa orientação.

Desvantagens e dificuldades

Considerada uma grande desvantagem da aposentadoria especial, a dificuldade de solicitação do benefício é uma preocupação de muitos médicos. A boa notícia é que, na Justiça, as chances de concessão da aposentadoria especial aumentam significativamente, e o melhor é que o INSS é obrigado a pagar os valores atrasados desde a data de entrada do requerimento administrativo.

Documentação para solicitar a aposentadoria especial

Para os profissionais que começaram a trabalhar até 28 de abril de 1995, é necessário fazer apenas a comprovação da prática médica. Os documentos são:

  • Carteira de trabalho, com o cargo médico em cada vínculo;
  • Ficha de empregados, com nome e cargo;
  • Contrato individual de trabalho;
  • Termo de rescisão contratual;
  • Inscrição de profissão na prefeitura;
  • Qualquer documento que indique a profissão desenvolvida.

Para quem iniciou a carreira após esse período, é necessário apresentar documentos diferenciados. Entre os principais, estão:

  • Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) – documento mais aceito e utilizado;
  • Laudos técnicos do ambiente de trabalho;
  • Formulários antigos, como: SB-40, DSS-8030 e DIRBEN 8030;
  • Prova emprestada;
  • Laudo das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), utilizado por médicos autônomos e produzido com a colaboração de um engenheiro do trabalho ou de médico especialista em Medicina do Trabalho.

Veja o que mudou para os médicos após a Reforma da Previdência:

 

Publicado em

4 dicas para tornar o consultório mais atraente e rentável

Embora muitos médicos já possuam seus consultórios particulares, algumas dicas são importantes para potencializar e tornar o atendimento mais lucrativo ao longo da carreira médica. O Universo DOC lista quatro caminhos diferentes que podem ajudar os médicos que querem tornar o seu consultório ainda mais atraente e rentável.

1. Participe de congressos e grupos de discussão

A participação de médicos em grupos de discussão de informações e congressos médicos é vista como um diferencial na hora de elaborar o preço das consultas. Quanto mais conhecido fica o profissional, maiores são as chances de seu serviço ser procurado e maiores serão as chances de cobrar um preço maior pela consulta. Para os iniciantes, a prática pode parecer complicada em um primeiro momento, mas, com o passar do tempo, esse hábito acaba se tornando rotineiro. Nesse espaço, evite fazer publicidade. Aproveite para divulgar mais a própria especialidade por meio de reportagens, artigos, entrevistas e workshops oferecidos por você ou por membros da sua equipe.

2. Interaja com os pacientes

A interação com os pacientes por meio das mídias digitais já é uma prática comum. A criação de uma página na Internet contendo informações úteis aos pacientes, como resultados laboratoriais, publicidade, marcação e mudança de datas das consultas, também é um jeito fácil de manter contato com ele. O médico pode contratar um especialista em programação para montar site e ampliar o seu alcance criando perfis nas redes sociais. Com isso, também é possível o contato com os pacientes para tirar dúvidas e compartilhar arquivos e ideias.

3. Organize a sua agenda

Com a abertura de um consultório, os horários ficam muito mais escassos e difíceis de serem cumpridos. Para quem trabalha com plantões, um local próximo ao hospital para abrir o consultório pode dar um pouco mais de flexibilidade no horário. Uma agenda cheia de pacientes não é garantia de sucesso sempre. Caso atrasos e faltas se repitam constantemente, pacientes poderão ficar insatisfeitos com a demora no atendimento ou até mesmo com a remarcação do dia da consulta e não voltarão mais.

4. Privilegie uma localização de fácil acesso

O local de instalação do consultório deve levar em consideração a facilidade para o paciente chegar até ele. Em geral, os lugares de fácil acesso de ônibus, trens, metrô e até de carro são os mais procurados por quem vai a uma consulta. Tenha isso em mente. Mesmo possuindo as melhores tecnologias, um consultório organizado e atendimento rápido, a dificuldade para se locomover até o local pode fazer com que o paciente busque uma opção  mais perto e mais fácil de chegar.

Publicado em

Os 5 andares para construir os alicerces da carreira médica

A edificação da carreira médica não se diferencia muito da construção de um projeto arquitetônico quando o assunto é planejamento. É necessário arquitetar cada pavimento que se deseja erguer na carreira, colocando no papel o desenho da futura estrutura da profissão. Assim, constrói-se a base sólida calcada em uma formação não apenas com competência para o exercício da Medicina, mas, também, na capacitação para a relação médico-paciente. É preciso possuir formação humanista, reflexiva e crítica, sob os princípios éticos. Sob essa perspectiva, o residente precisa saber que ferramentas utilizar e como cimentar sua futura carreira. Conheça os “andares” dessa construção sólida a seguir.

1º andar – Atualização e aperfeiçoamento

Às vezes, uma única residência não é suficiente para o profissional atingir seus objetivos. Um residente em Ortopedia pode, por exemplo, especializar-se em Cirurgia do Joelho. Outro, em Dermatologia, pode vir a especializar-se em Cosmiatria. Enxergue o desafio de fazer uma subespecialidade como um investimento, um tempo gasto que, futuramente, reverterá em sucesso. Busque novos conhecimentos em áreas que não domina e participe de congressos para atualizar-se.

2º andar – Adquirindo experiência

O médico recém-formado pode trabalhar como assistente em algum hospital ou, mesmo, dar plantão em um ambulatório. Além de adquirir mais experiência, também é uma oportunidade de conseguir atrair pacientes para hospitais e consultórios em que for atuar. Na carreira médica, há caminhos que os residentes podem trilhar, como atuar clinicamente, na academia, em pesquisa ou na gestão da saúde.

3º andar – Começando um negócio

A maioria dos médicos sonha em ter seu próprio consultório. O começo da carreira, porém, traz pouco retorno para arcar com o alto custo de manutenção, equipamentos e pessoal. No início, a baixa quantidade de pacientes não garante rentabilidade. Dividir um consultório ou uma clínica com outro profissional é uma solução. Vocês podem atuar em especialidades diferentes ou, caso sejam da mesma área, definir a atribuição de cada um para evitar concorrência entre os sócios. O melhor é dividir atividades compatíveis, possibilitando ampliar os serviços oferecidos aos clientes.

4º andar – Escolha dos sócios e da equipe

O profissional que decidir compartilhar um consultório deve avaliar bem a sociedade empresarial que vai formar. Apenas a afinidade com um colega não é o suficiente para que o empreendimento dê certo. É preciso que o sócio tenha responsabilidades e um objetivo em comum. O mesmo ocorre na formação de uma equipe, que deve ter ética, competência e comprometimento. O médico vai precisar, ainda, contratar uma secretária capacitada para atender telefonemas, organizar consultas e receber os pacientes com eficácia.

5º andar – Abrindo o próprio consultório

Em determinado momento da carreira, a oportunidade de abrir o próprio consultório pode surgir. A qualidade no atendimento será o maior diferencial, pois gera satisfação nos clientes. Agregar conhecimentos sobre marketing médico é necessário para que o profissional saiba como organizar seu consultório e recepcionar seus pacientes com qualidade, conforto e eficiência. A formação universitária não traz aos médicos noções de Administração, por exemplo. Por isso, é importante que o profissional busque esses conhecimentos em periódicos, livros e cursos, enquanto ainda estiver na residência, e terá mais chance para disputar a concorrência no mercado. Como uma reforma de um prédio, o atendimento adequado aos pacientes garante a boa conservação da carreira, evitando que a estrutura profissional rua.

Publicado em

Fake news: como lidar com esse fenômeno na medicina

O cenário moderno permite que todos estejam conectados de alguma forma, recebendo e produzindo conteúdo a todo momento. Desse modo, as pessoas não são apenas receptoras, mas também produtoras de informação. A questão complica-se quando os usuários das redes sociais utilizam as plataformas para difundir notícias falsas, as chamadas fake news.

As fake news estão presentes em todos os nichos e é fácil encontrá-las sendo compartilhadas pelas pessoas, que, sem saber da veracidade das notícias, acabam acreditando e reproduzindo as mensagens mentirosas. Na área da saúde, não é diferente. A circulação de informações truncadas é capaz de causar pânico no paciente ou fazer com que esse indivíduo tome medidas para sua saúde sem consultar um profissional, apenas baseando-se em um conteúdo da própria internet.

Atualmente, existem empresas especializadas em fact-checking, ou seja, em verificação de informações que circulam pela internet, como é o caso da Agência Lupa, primeira agência de fact-checking do Brasil. De acordo com Cristina Tardáguila, diretora da agência, a propagação de notícias falsas é algo que pode levar uma pessoa a tomar decisões das quais irá se arrepender.

“A base para qualquer decisão que a pessoa irá tomar na vida é a informação que ela dispõe sobre o assunto. Partindo dessa ideia, as notícias falsas colocam em risco esse pilar, pois se você tem uma informação de má qualidade, certamente tomará decisões erradas, aumentando a chance de arrependimento”, alerta Cristina.

De acordo com a diretora da agência, a área de saúde é alvo de muitas notícias e informações falsas que se proliferam de forma rápida. Um exemplo é o caso dos rumores que envolveram a vacina contra a gripe. Após uma checagem, a agência mostrou que os boatos, que já estavam, em algumas horas, com mais de 257 mil interações no Facebook, causando medo na população em relação à vacinação, eram falsos.

Pânico no consultório médico

Apesar de existir o fact-checking, a informação falsa consegue difundir-se em um tempo muito curto, atingindo um número muito alto de pessoas e gerando medo na população. Diante disso, é comum que o médico receba pacientes com uma visão errada sobre certo problema devido aos rumores que circularam nas redes sociais.

De acordo com o pediatra e infectologista André Ricardo, é necessário estabelecer uma relação de confiança com o paciente e buscar esclarecer tudo, sem deixar espaço para dúvidas que possam ser preenchidas com alguma informação mentirosa. “Recentemente, pacientes chegaram assustados até mim por causa de notícias falsas em relação à vacina da febre amarela.

Essas informações deturpadas perpetuam-se no imaginário popular e complicam a relação médico-paciente. A melhor forma de combater as fake news é conversar de forma clara e certificar-se que o paciente entendeu o que você passou para ele”, explica o profissional.

O papel das redes sociais

Diante dessa situação, surge uma dúvida: afinal, as próprias redes sociais, como o Facebook e o Twitter, devem ou não fazer um trabalho de verificação e exclusão de informações falsas? De acordo com André Ricardo, seria importante que esses meios de comunicação modernos criassem um filtro do que está sendo perpetuado e removessem as informações comprovadamente falsas, evitando que alcançassem um maior número de pessoas.

“Essa questão de como as redes sociais deveriam lidar com informações falsas é um assunto de debate, pois precisamos saber até que ponto podemos censurar a internet, porém acho que seria necessário ter um filtro ou barreira para lidar com esse tipo de informação”, afirma André Ricardo. Ainda sobre esse tema, Cristina acredita que as redes sociais não devem e não possuem capacidade de controlar o fenômeno das fake news.

“Isso não é algo que eles querem ou devem ter, porque o fact-checking é um trabalho jornalístico e não de TI apenas. Os profissionais de TI devem ampliar e auxiliar o trabalho minucioso que ainda precisa ser feito pelo ser humano, e o jornalista é o que mais tem essa capacidade. A remoção das fake news das redes sociais é algo preocupante, pois não basta deletar uma informação, o melhor é você apostar em propagar mais a informação verdadeira”, elucida Cristina.

Auxiliando o paciente a identificar fake news

O profissional precisa estar preparado para auxiliar seus pacientes e sanar todas as dúvidas, além de aconselhá-lo sobre a existência de notícias falsas e sobre como reconhecê-las. De acordo com Cristina, é preciso alertar os pacientes a respeito dos perigos das informações que eles encontram na internet e os possíveis malefícios em acreditar nelas. “O especialista precisa dizer e mostrar para o paciente que ele deve sempre confiar no médico e não no Google ou em qualquer rede social, além de auxiliar o paciente a consultar um profissional antes de tomar qualquer medida que possa prejudicar a própria saúde. As pessoas devem desenvolver a capacidade de duvidar, praticando o exercício da autoproteção e da reflexão”, recomenda Cristina.

Passo a passo das fake news

  • Leia a matéria inteira e não apenas o título. Muitas notícias utilizam uma chamada sensacionalista, e o conteúdo da notícia pode ser algo diferente;
  • Fique atento às datas. Algumas notícias da área da saúde utilizam dados antigos e desatualizados, que não têm mais ligação com a realidade do atual cenário;
  • Verifique a fonte utilizada para sustentar a informação. O ideal é que os dados venham sempre de órgãos oficiais;
  • Observe sempre o autor da informação. É necessário estar atento ao link e à credibilidade da página;
  • Desconfie de sites cheios de banners coloridos, alguns podem até ser vírus;
  • Cheque sempre a informação nos sites oficiais das sociedades, associações médicas, órgãos públicos etc.