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O que diz o CFM sobre uso do WhatsApp

whatsapp

Criado em 2009, o WhatsApp é utilizado, atualmente, por mais de dois bilhões de pessoas em mais de 180 países. Além disso, 98% dos usuários do aplicativo no Brasil utilizam-no todos os dias.

Esses números apenas reforçam o que já observamos em nossa realidade. O WhatsApp é muito mais do que um canal de comunicação pessoal, pois muitos profissionais utilizam a ferramenta para entrar em contato com clientes.

Na Saúde não é diferente: pacientes entram em contato com médicos pelo aplicativo, seja para marcar consulta ou tirar dúvidas sobre medicações, diagnósticos e tratamentos.

O que diz o CFM?

O uso do aplicativo é permitido pelo órgão, mas algumas regras devem ser respeitadas. A troca de mensagens por WhatsApp não pode substituir uma consulta, seja ela feita de forma presencial ou por meio de Telemedicina.

Alice Selles, mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial e mentora do curso WhatsApp para consultórios e clínicas, avalia que é natural que, diante da disponibilidade de um médico nas mídias sociais, pacientes busquem obter orientações específicas. Algumas pessoas podem até tentar uma consulta gratuita on-line. “Nesses casos, explique que o Código de Ética Médica proíbe a prescrição sem o exame físico do paciente. Isso vale também para o WhatsApp. Seus pacientes podem enviar fotos, vídeos, áudios e mensagens, mas precisam agendar uma consulta presencial”, destaca.

A especialista enfatiza, ainda, que o médico não é obrigado a fazer consultas por Telemedicina, nem teleorientação, mas, caso opte por adotar essa modalidade, deve se lembrar que o WhatsApp pode ser usado para orientar o paciente e instruí-lo sobre a necessidade ou não de passar por uma consulta presencial.

Parecer CFM nº 14/2017

Esse documento trata especificamente do uso do WhatsApp por médicos. Por meio da publicação, CFM define que é permitido usar o aplicativo e plataformas similares para comunicação entre médicos e pacientes, bem como entre  médicos.

Nesses casos, o contato deve ser feito de forma privada – para enviar dados ou sanar dúvidas – ou em grupos de especialistas ou do corpo clínico de uma instituição. Mas atenção! Essas informações devem ser confidenciais e não podem extrapolar os limites do grupo, impedindo a circulação em grupos recreativos, mesmo que compostos apenas por médicos.

“O que estamos regulando não diz respeito ao uso saudável dos meios de comunicação, mas o abuso, a violação de regras que comprometa a segurança da assistência, do sigilo, ou as de cunho personalíssimo para obter ganho pessoal, como a proibição imposta à divulgação de selfies durante atividade médica, bem como imagens do antes e depois”, reforça o CFM no documento.

Impacto da telemedicina

Em 19 de março, o CFM editou o Ofício 1756/2020, considerando a pandemia de Covid-19 e a necessidade de proteger médicos e pacientes. Para aperfeiçoar a eficiência dos serviços médicos, enquanto dura a pandemia, o órgão reconhece a utilização da Telemedicina além do disposto na Resolução CFM 1.643/2002. “O ofício não revogou ou modificou permanentemente a Resolução; contudo, sabemos que o mundo e a ciência nunca mais serão os mesmos. De alguma forma, a Telemedicina veio para ficar”, esclarece Alice.

No mesmo caminho, em 20 de março, o Ministério da Saúde editou a Portaria 467/2020, que dispõe em caráter excepcional e temporário sobre as ações de Telemedicina, com o objetivo de regulamentar e operacionalizar as medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública. Além disso, no final do mesmo mês, o Senado aprovou o Projeto de Lei 696/2020, que libera o uso da Telemedicina durante a pandemia de coronavírus no Brasil. Em seguida, a sanção presidencial aprovou o PL.

Alice Selles considera que, com a autorização para modalidades da Telemedicina no Brasil, tudo que se sabia sobre o que era permitido fazer em termos de orientar pacientes usando aplicativos foi alterado, já que a normatização inclui a teleorientação e a teleconsulta como modalidades possíveis. “O cuidado aqui deve ser com o nível de segurança exigido: o WhatsApp é excelente para a teleorientação, mas, apesar de criptografado, não é reconhecido para a realização de teleconsultas com segurança”, ressalta.

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O desafio da comunicação com pacientes durante a pandemia

Diante do surgimento de uma nova doença, como foi o caso do Covid-19, surgem também diversos medos e incertezas em toda a população. Por ser caracterizada como uma pandemia, a nova infecção viral promoveu um estado de crise em todo o mundo, fazendo com que milhões de pessoas sofressem diariamente os impactos dela. Desse modo, foi necessário entender o papel dos profissionais de saúde no que diz respeito à comunicação com o público atingido pelo novo coronavírus durante esse período.

Nesse momento, diversos cenários devem ser traçados e não há apenas um caminho possível, mas é fundamental considerar o enorme potencial de sofrimento dos diversos personagens envolvidos, desde pacientes e familiares até profissionais e líderes do sistema de saúde. Com isso, a comunicação deve ser pautada a fim de prevenir e antecipar eventos, além de reduzir danos dos acontecimentos já existentes.

Em situações de crise, em geral, são considerados três níveis de comunicação essenciais:

  1. Líderes e sociedade geral;
  2. Profissionais diretamente envolvidos na solução e combate;
  3. Pessoas que sofrem as consequências da crise, no caso atual, pacientes e seus familiares.

Com o governo e os profissionais da saúde fazendo sua parte no combate ao novo vírus, é preciso fornecer orientações para redução do sofrimento de pacientes e familiares por meio da comunicação efetiva. Esse é um dos pontos cruciais para o estabelecimento da relação de confiança e para envolver esse público nas tomadas de decisões relacionadas ao tratamento. Pensando nisso, listamos algumas recomendações que podem auxiliar na comunicação assertiva entre profissionais de saúde e familiares em momentos de crise:

  • No momento do diagnóstico, seja honesto e deixe claro todos os riscos e possibilidades do curso da doença;
  • Explique de forma clara qual o protocolo de assistência que será utilizado;
  • Mantenha o contato visual e utilize as mãos para gesticular e ilustrar a linguagem verbal;
  • Informe o motivo da internação ou não do paciente e esclareça todos os detalhes relacionados a ela;
  • Utilize linguagem simples, objetiva, de fácil entendimento. Evite termos técnicos;
  • Forneça conteúdos de informação que sirvam de suporte (folhetos, cartazes) com as recomendações sobre medidas de prevenção e controlo da infeção e cuidados a ter em casa e na rua;
  • Sempre reserve um tempo para o esclarecimento de dúvidas;
  • Certifique-se sempre se as informações passadas estão claras;
  • Identifique na equipe de saúde quem será o facilitador da comunicação com a família, isso reduz o risco do desencontro de informações;
  • Identifique o cuidador principal do paciente;
  • Explique toda a rotina da instituição e da unidade em que o paciente está alocado, como será o fluxo de informações, assim como será o fluxo de notificação de intercorrências, caso ocorra;
  • Sempre que possível, tenha outras opções de ferramentas de comunicação com as famílias, e não apenas presenciais, para reporte de boletins informativos;
  • Nunca atrase o horário de compartilhamento de informações, isso gera angústia, irritabilidade e pode passar a impressão de descaso;
  • Pense em estratégias alternativas para promover a visita aos pacientes, como a visita virtual por exemplo, se não houver uma demanda elevada de pacientes internados e se os recursos da instituição permitir;
  • Para os pacientes que terão alta, pense na possibilidade de criar junto ao comitê/célula de crise e equipe de comunicação, materiais informativos com linguagem simples, com os cuidados indispensáveis no domicílio.

A pandemia pelo Covid-19 possui uma carga de ocasiões em que uma comunicação eficaz pode fazer toda a diferença. Nessas situações, as medidas de combate e prevenção e o planejamento do tratamento da doença devem pautar a relação entre os profissionais da saúde e os pacientes e familiares a fim de garantir o entendimento efetivo de cada etapa do atendimento.

 

Fonte:

  • Crispim D, da Silva MJP, Cedotti W, Câmara M, Gomes SA. Comunicação difícil e Covid-19: recomendações práticas para comunicação e acolhimento em diferentes cenários da pandemia [Internet]. Acessado em: jun 2020. Disponível em: <https://ammg.org.br/wp-content/uploads/comunicação-COVID-19.pdf.pdf>.
  • Serviço Nacional de Saúde – República Portuguesa. Toolkit de Comunicação para profissionais de saúde. 2020.