Publicado em

5 dicas para garantir tranquilidade jurídica

tranquilidade jurídica

Tranquilidade é um objetivo que todos temos em nossas vidas, seja na esfera pessoal quanto profissional. Mas o que garante ao médico ter tranquilidade para exercer seu trabalho? Muitas vezes, a segurança jurídica é uma forma de prevenir a quebra dessa tranquilidade tão almejada. Quando toma atitudes preventivas em seu dia a dia, o médico pode evitar muita dor de cabeça no futuro.

Pensando nisso, preparamos uma lista especial com cinco dicas preciosas para a segurança jurídica dos médicos em suas clínicas e consultórios. As orientações vêm de um artigo publicado pela revista americana Medical Economics. Veja, a seguir, as orientações para sua tranquilidade jurídica adaptadas para a realidade brasileira.

1. Documento pouco é bobagem…

Sabe aquela história de que quanto menos burocracia melhor? Pois é, ela não se aplica tanto assim no consultório médico. É verdade que papéis, guias e documentos – a burocracia de maneira geral – tomam muito tempo do médico ou da secretária. Entretanto, os registros precisam ser os mais precisos e informativos possíveis, traçando um panorama completo do atendimento prestado, não apenas listando medicamentos prescritos. Uma burocracia hoje pode resultar em grande tranquilidade jurídica para o médico amanhã.

2. Compartilhe e seja curtido!

Ser acessível e compartilhar as decisões com o paciente (e com seus familiares, conforme as circunstâncias) sobre o tratamento ao qual ele será submetido é uma forma excelente de garantir um nível mais alto de confiança. Quando constrói esse tipo de relação com seus pacientes, o médico pode se precaver de possíveis acusações de negligência na prestação do atendimento. Em geral, quando um paciente se queixa, é porque está assustado, frustrado ou mal informado. Portanto, envolva o paciente nas decisões que tomar: explique bem os diagnósticos, ouça as preocupações dele e veja o consentimento informado como a oportunidade certa para esclarecer dúvidas.

3. Humildade sempre

Uma dica que pode parecer estranha à primeira vista é: não seja arrogante. Não estamos afirmando que você seja essa pessoa, porém, devido à carga histórica que a profissão carrega, os médicos geralmente são vistos como indivíduos mais esclarecidos. Para o paciente, você detém um conhecimento essencial para o bem-estar dele, por isso ele o valoriza tanto. Contudo, quando o médico atua com arrogância, achando-se muito confiante em si mesmo, ele não toma atitudes preventivas, crendo que apenas os registros médicos falarão por si em um possível processo judicial.

4. 3 C: Coordenar, colaborar e comunicar

Muitas vezes, o médico precisa contar com uma equipe multiprofissional para fazer bem seu trabalho, principalmente em casos com paciente crítico. Por isso, é importante exercer os três Cs com a equipe: coordene, colabore e comunique-se. Quando há falhas nesse processo, seja interno ou externamente (no contato com o paciente e familiares), as consequências jurídicas podem ser desastrosas. Lembre-se que, em muitos casos, você é a melhor pessoa para orientar e educar seus pacientes e os membros da equipe na melhor tomada de decisão clínica.

5. Vá em busca da qualidade

Modelos de cuidados baseados na qualidade estão transformando muitos médicos de prestadores de serviços em gestores clínicos. Quando implementa sistemas de segurança e qualidade em sua prática de atendimento, o médico garante mais segurança – tanto jurídica quanto para o paciente. As novas tecnologias de informação, que nas últimas décadas mudaram as vidas das pessoas, é que permitem a melhoria constante da qualidade e dos resultados clínicos na Medicina.

Publicado em

4 motivos para cuidar das finanças do consultório

finanças do consultório

A gestão das finanças do consultório é tão importante quanto de uma multinacional. Por desconhecimento ou por falta de habilidades – e por acreditarem que a gerência financeira se limita a pagar contas e ver quanto sobrou no final do mês –, muitos profissionais não dão o devido valor à atividade em seu consultório.

O exercício da Medicina vem sofrendo diversas mudanças significativas nas últimas décadas. Entre elas, o crescimento do número de pacientes conveniados, o aumento da tecnologia, a exigência cada vez maior dos pacientes, o advento das sub-especialidades e a elevação dos custos da carreira médica.

Esses fatores aumentaram – e muito – a complexidade do mercado. Portanto, para ser um médico bem-sucedido nesse novo cenário, não basta ser apenas competente na técnica, é preciso estar atento às tendências e desenvolver novas habilidades.

Durante o curso da faculdade de Medicina, os futuros médicos não recebem uma formação que os instruam a respeito do gerenciamento financeiro de seus consultórios. E com o aumento cada vez maior no total de profissionais atuando no país, maior é a concorrência no mercado médico, tornando necessário o conhecimento na administração financeira, seja das contas pessoais, seja das do trabalho.

Atualmente, para manter-se no mercado, o médico deve perceber que gerenciar um consultório é ter uma atividade empresarial no ramo da Saúde, com fins lucrativos, para que seja possível manter o negócio em funcionamento, bem como cuidar de questões trabalhistas. E em um cenário de economia inconstante, conhecer um pouco sobre controle financeiro se faz essencial para sobreviver à concorrência. Por este motivo, separamos quatro razões principais para cuidar bem das finanças do consultório:

1. Consultório também é uma empresa

Apesar de suas particularidades, o consultório é uma empresa – possui funcionários, tem gastos com equipamentos e ainda paga tributos. Tal como as demais empresas, o consultório também visa o lucro, renda que arcará com os custos do exercício da atividade. Sendo assim, a boa gestão financeira otimizará o uso dos recursos, trazendo, portanto, melhores resultados.

2. Mais lucros sem comprometer a qualidade de vida

O pensamento comum é o de que para gerar mais lucro deve-se trabalhar mais, reduzir as horas de
sono, ter menos tempo com a família e com os amigos, sacrificar a própria saúde e a qualidade de vida. Mas sabendo gerir as finanças do consultório, o profissional conseguirá administrar seu negócio e sua vida, tendo sucesso em sua carreira médica e melhorando a qualidade de vida.

3. Foco no crescimento profissional

Ganhar tempo e usar esse benefício em prol do crescimento profissional é um dos pontos em que a qualidade na gestão financeira ajuda, além de contribuir para consolidar uma boa reputação. Qualificar-se permitirá a busca por uma remuneração diferenciada, aumentando o retorno sobre as atividades.

4. Criar e manter competitividade

O mercado de trabalho na Medicina está com a concorrência cada vez mais concorrência acirrada. Por isso, é preciso manter-se competitivo, tornar-se autossustentável com o passar do tempo, para que se possa usufruir desse patrimônio futuramente.

 

Publicado em

Você sabe como o marketing digital pode impulsionar a sua carreira?

reinvenção da carreira

Hoje, o poder do marketing e da comunicação com grupos cada vez maiores foi democratizado, deixando de ser um privilégio das grandes empresas de comunicação e passando esse poder para as mãos de qualquer pessoa com acesso à in­ternet. É a época das redes sociais e blogs.

Sabemos, por exemplo, que pacientes em busca de in­formações sobre o problema de saúde que têm – ou que imaginam ter – buscam informações no Google, antes de procurar por um atendimento médico. Isso tende a crescer.

Os médicos precisam entender que o digital pode ser uma excelente ferramenta na carreira médica para criar valor para o paciente. O objetivo de trabalhar a questão do marketing médico é gerar credibilidade e confiabilidade.

Os instrumentos que temos no ambiente digital facilitam essa aproximação, ampliam-na e trazem novas possibilidades para o médico gerar esse valor.

Vantagens do marketing digital

  • Interatividade com o público-alvo, possibilitando in­teração direta por meio de e-mails, redes sociais e sites;
  • Segmentação de seu público-alvo;
  • Produção e veiculação a baixos custos;
  • Controle do volume de visitação do site;
  • Maiores possibilidades de formatos a serem utilizados;
  • Rapidez no recebimento de informações, anúncios e feedback;
  • Valor para o paciente;
  • Gerenciamento do consultório.

Faça uma análise das suas mídias

  1. Qual a missão do seu site? Divulgar os serviços? Estabelecer um canal de agendamento de consultas?
  2. Seu site possui muitos efeitos e animações? Não se esqueça que vários efeitos podem não ser vistos em smartphones!
  3. A administração do seu site requer um profissional técnico ou pode ser realizada por alguém de sua equipe?
  4. Seu site é fácil de navegar? É possível encontrar facilmente o que se procura nele?
  5. Links estão corretamente destacados? Banners possuem links para mais informações?
  6. O site é bastante visitado por seus pacientes?
  7. Seu site promove a interatividade entre clínica e seus visitantes?

Crie sua página nas redes sociais

Clínicas devem ter fanpage, uma página empresarial, de caráter corporativo, não um perfil pessoal. As mídias sociais, para serem bem usadas em favor da imagem do serviço médico junto aos seus públicos-alvo (pacientes, outros médicos e formadores de opinião), requerem dedi­cação e, de preferência, apoio de um profissional da área (um analista de mídias sociais).

Muitas empresas de pe­queno e de médio porte que desejam obter o maior pro­veito possível de suas presenças nas redes sociais optam por terceirizar esse trabalho, contando com o apoio de uma assessoria de comunicação.

Além disso, as fanpages possibilitam às empresas criar um veículo de comunicação com seus clientes. A ideia é que a “marca” interaja e troque expe­riências sobre suas ações (e não sobre seus sentimentos) com seus públicos.

Invista em diversas mídias digitais

O Facebook é uma das ras redes sociais de maior uso e interatividade do brasileiro, mas não é a única ferramenta digital que merece atenção. Existem outras mídias sociais que devem ser utilizadas para atingir o seu público-alvo e desenvolver uma tática de atração.

Cada uma dessas mídias conta com características específicas e estratégias diferentes, como o Instagram, por exemplo, que atinge um público mais jovem e tem postagens rápidas e dinâmicas.

O blog, por sua vez, ajuda no desenvolvimento e no fluxo de pessoas no site da empresa. Assuntos relacionados à especialidade do médico em questão podem ser favoráveis ao aumento no número de usuários que vão acessar a sua página.

Quer saber mais sobre marketing na área da Saúde? Clique aqui e adquira o livro/e-book Guia prático: plano de marketing para clínicas e consultórios.

Quando e como publicar?

Nos horários de pico da internet, as possibilidades de atingir seu público aumentam, como nos horários comer­ciais. Mas, clínicas com públicos jovens podem apostar em publicações noturnas. Confira algumas dicas:

  • O tipo de postagem deve refletir a clínica e o pú­blico-alvo;
  • Não se esqueça de inserir textos e links complemen­tares. Quanto mais conteúdo oferecer, há mais chances de o usuário curtir e compartilhar a sua informação;
  • Evite muitas publicações, pois um grande número de postagens tende a fazer com que suas mensagens se percam, mas também não crie grandes intervalos entre suas postagens, para evitar que seu público es­queça a sua clínica (uma boa sugestão é começar com uma vez ao dia, três vezes por semana);
  • Procure aperfeiçoar suas ações conforme as respos­tas do público e não se esqueça de manter um olho nas ações da concorrência.

Quer saber mais sobre marketing digital? Clique aqui e faça o curso Marketing digital para clínicas e consultórios.

Publicado em

Lições da Apple para a gestão médica

Steve Jobs também era muito apaixonado pelo que fazia, na mesma proporção que seu nível de exigência. Na época em que esteve à frente da Apple, a corporação funcionava quase como um regime militar, com funções muito bem definidas, pouca tolerância a erros e a exigência da maior discrição possível (e impossível) sobre seus próximos projetos. Para conseguir seu pôr em prática seu intento, Jobs fazia duas reuniões semanais.

Uma às segundas-feiras, para discutia projetos importantes, e outra às quartas-feiras, para lidar com sua equipe de marketing e comunicação. Todos os que participavam dessas conversas saíam das reuniões com uma lista de tarefas e, ao lado de cada atribuição, eram discriminadas as responsabilidades individuais de cada funcionário.

Seria esse controle obsessivo algo prejudicial para o médico que empreende? Não necessariamente. Mas é preciso, contudo, desempenhar a função plenamente, com o máximo de atenção possível. “Quem controla tem que controlar de verdade, sobretudo quando falamos em escolha de fornecedores.

Tenho um colega médico que contratou uma agência de comunicação para fazer um busdoor. Só que a empresa não executou o serviço corretamente, utilizando palavras difíceis de entender. É preciso ter muito conhecimento para montar uma interface com outros profissionais, sejam eles fornecedores ou da própria equipe. Só assim é possível exercer o controle”, acredita D’Aguiar. O grande mérito da Apple é ter a habilidade de dar aos clientes o que eles querem, antes mesmo de saberem que desejam. Isso é o resultado da visão criativa da empresa, aliada a práticas eficazes de gestão. Um exemplo simples – mas bem eficiente – é a receita impressa.

“Os geriatras já partiram para esta ‘inovação’, e costumam fornecer receitas com letras grandes para ajudar não só a leitura do idoso, mas também a do farmacêutico”, exemplifica o médico do trabalho. E você? Já pensou por onde começar? Lembre-se de que não há progresso sem mudança e, o mais importante, não tenha medo dos desafios.

Esse post faz parte da série “Gestão em saúde: Google, Microsoft e Apple“.  Fique atento para acompanhar mais lições destas grandes marcas para as áreas médicas

Publicado em

Finanças Médicas: tudo sobre impostos, tributos e taxas

remuneração médica

O funcionamento de um consultório de maneira regularizada depende, entre muitos fatores, de um planejamento tributário. Para que isso seja possível, o médico deve estar ciente de todos os impostos que precisa pagar, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Existem cinco espécies tributárias diferentes, reguladas pela Constituição Federal de 1988, que são exigidas das empresas pelas unidades da federação, variando de acordo com suas competências.

São espécies tributárias:

  • impostos;
  • taxas;
  • contribuições de melhoria;
  • contribuições especiais;
  • empréstimos compulsórios.

Segundo Felipe Lourenço, especialista em gestão em Saúde e CEO da iClinic, empresa especializada em gestão de clínicas e consultórios, os principais impostos pagos pelos consultórios são o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).

“O pagamento desses impostos costuma ser mensal ou trimestral. Em relação à destinação desses tributos, não existe um fim específico, podendo ser destinados para educação, segurança e outro serviços oferecidos pelo Governo”, esclarece.

As taxas são tributos cobrados para custear uma prestação de serviço específica. Caio Carniato, analista financeiro da iClinic, explica que nos consultórios as principais taxas cobradas são a de bombeiros, a da vigilância sanitária (licença de funcionamento e responsabilidade técnica), a de coleta e destinação final de resíduos de saúde e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

“O pagamento dessas taxas costuma ser feito mensalmente ou anualmente, de acordo com o propósito da mesma. Além disso, as taxas possuem alíquotas diferentes e podem variar de acordo com o município”, ressalta.

As contribuições de melhoria são taxas raras, sendo requisitadas quando o Governo realiza uma obra pública e, consequentemente, ocorre uma valorização do entorno onde o consultório está alocado. “É um tributo muito difícil de se ver, pois é difícil calcular o valor exato acrescentado essas melhorias e, por esse motivo, está entrando em desuso”, avalia Carniato.

As contribuições especiais são cobradas quando destinadas a um grupo ou atividade específica. Em um consultório, as mais aplicadas são referentes ao Programa de Integração Social (PIS), ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Carniato define que o PIS tem como objetivo financiar o pagamento de seguro-desemprego.

Já o INSS patronal é pago quando o consultório opta pelo lucro real ou lucro presumido, descontando 20% sobre o salário do funcionário. Por último, a contribuição ao CRM é uma taxa anual para a renovação do certificado de registro médico, sendo que seu valor pode variar dependendo do capital social da pessoa jurídica.

Por fim, o empréstimo compulsório é uma espécie tributária criada para atender despesas extraordinárias (provenientes de guerras externas ou calamidades públicas) ou para custear algum tipo de investimento público urgente e de interesse social. Contudo, Carniato explica que não existem empréstimos compulsórios aplicados no Brasil atualmente, já que a última ocorrência de um tributo desse tipo foi no Governo Collor.

Lourenço ressalta que o cálculo dos tributos depende, principalmente, do regime tributário escolhido pela empresa, seja ele o Simples Nacional, o lucro presumido (LP) ou o lucro real (LR). Além disso, em cada um desses regimes existe uma maneira correta de calcular os tributos.

“No Simples Nacional, todos os oito tributos incidentes são unificados em um único cálculo, facilitando o gerenciamento desses impostos e contribuições na contabilidade médica. Já no lucro real e no presumido, os tributos são calculados separadamente e possuem alíquotas diferentes das aplicadas no Simples Nacional”, define.

Impostos federais, estaduais e municipais

No âmbito federal, existem seis principais impostos que devem ser pagos pelo médico que atua em consultório. São eles: IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, INSS e fundo de garantia do tempo de serviço (FGTS). Carniato esclarece que o IRPJ e o CSLL são tributos sobre o lucro, separadamente da receita bruta, e que, por isso, são os mais impactantes para o consultório, pois possuem alíquotas mais elevadas.

“Cofins e PIS são contribuições incidentes sobre o faturamento e estão embutidos na base de cálculo dos optantes pelo Simples Nacional. O INSS patronal e o FGTS são impostos trabalhistas e incidem sobre o salário do funcionário, sendo suas alíquotas de 20% e 8%, respectivamente”, complementa.

Os impostos municipais pagos pelo consultório são o ISS e o IPTU. Carniato define que a alíquota do ISS é estabelecida pelo município, normalmente sendo de 2% sobre o valor dos serviços vendidos (consultas, procedimentos etc.). Já o IPTU é cobrado sobre a propriedade e sua base de cálculo leva em consideração o tipo do imóvel, o bairro em que está localizado, as características do terreno e outros fatores que variam de acordo com o município. Em relação aos impostos estaduais, Carniato explica que hoje não existem impostos estaduais vigentes aplicados a consultórios, somente a atividades industriais.

Pessoa física ou pessoa jurídica?

O médico que trabalha em consultório pode optar por atuar como pessoa física (PF) ou jurídica (PJ). Contudo, existem diferenças em relação ao pagamento de imposto de renda em cada caso. “Na atuação como PF, o médico precisa fazer o livro-caixa todos os meses, visando à dedutibilidade de despesas para pagar somente o imposto de renda efetivamente devido. Como PJ, o médico terá que pagar o imposto de renda de acordo com uma alíquota fixa sobre o faturamento para quem opta por LP ou sobre o lucro apurado para quem opta pelo LR”, sustenta Carniato.

Lourenço define que, se o consultório não possui uma quantidade elevada de despesas dedutíveis e as receitas forem muito altas, provavelmente a atuação como PJ será mais adequada. “É necessário sempre simular os resultados para verificar qual é o regime mais vantajoso para a empresa, dando importância para a análise das despesas dedutíveis, para o faturamento médico da clínica e para o pró-labore dos sócios”, avalia o especialista.

Finanças Médicas e o planejamento tributário

Após compreender os impostos que devem ser pagos pela atuação no consultório, o médico deve dar início ao planejamento tributário. Nesse processo, o primeiro passo deve ser a escolha do regime de tributação menos oneroso para a empresa, seja ele o Simples Nacional, LR ou LP. “Realizando a escolha de maneira adequada, o médico pode reduzir consideravelmente a carga tributária do consultório, pois utilizará o modelo mais vantajoso de pagamento de impostos”, define Felipe Lourenço.

Além disso, Caio Carniato avalia que o médico deve tentar diminuir os tributos pagos. Por meio do mapeamento das despesas dedutíveis do consultório, ele pode reduzir os tributos sobre a renda por meio da elisão fiscal. “É sempre bom lembrar que não se trata de um tipo de sonegação de impostos, em que a empresa usa de meios ilícitos para evitar o pagamento de tributos. A elisão nada mais é do que um meio vantajoso para o perfil específico do consultório, para que ele arque com uma carga tributária inferior sem cometer qualquer irregularidade”, reforça.

Lourenço orienta que o planejamento seja feito de forma individualizada para cada perfil de consultório, visto que cada empresa possui suas particularidades. “Um consultório com custos operacionais baixos, folha salarial elevada e margens de lucro altas provavelmente deve escolher a apuração do Simples Nacional, por ser menos onerosa para a empresa”, define. Por outro lado, os consultórios com margens de lucro baixas devem optar pelo LR, pois, dessa forma, pagam menos tributos em relação à renda.

O fundador da iClinic também alerta que o médico pode acabar arcando com mais tributos no caso de apuração errada ou incompleta. “Um exemplo prático é o caso de médicos que optam por trabalhar como PF e não realizam o livro-caixa, tendo que pagar imposto de renda sobre o rendimento bruto em vez de líquido, diminuindo sua margem de lucro”, analisa.

O que é o livro-caixa?

No livro-caixa, devem constar todas as despesas consideradas dedutíveis na apuração de imposto de renda (salário de funcionários, aluguel, condomínio, água, energia elétrica, telefone, material de limpeza, IPTU e ISS). Quando o médico que atua como PF elabora o livro-caixa, é possível deduzir diversas despesas e pagar um valor menor de imposto de renda. Caso não elabore o livro-caixa, o médico terá que pagar o imposto de renda sobre o seu rendimento bruto.

Para evitar esse tipo de situação, Lourenço recomenda que os médicos busquem a opinião de um contador de confiança, pois esse profissional pode apresentar a melhor opção de tributação e de impostos para a clínica ou consultório.

Entenda os regimes tributários

Simples Nacional

Reúne todos os tributos em um único. São eles: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Patronal Previdenciária (CPP), Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Trata-se de um regime tributário que utiliza a receita bruta do consultório como base de cálculo e, dependendo do faturamento, a alíquota aumenta. Nesse caso, o proprietário não precisa arcar com o INSS patronal – tributo de 20% que incide sobre o salário do funcionário. Por se tratar de um único tributo, é mais fácil para o contribuinte entender seu cálculo.

Lucro presumido (LP)

Possui um percentual de tributação de 13,33% sobre o faturamento de clínicas e consultórios, podendo variar de acordo com o município. Normalmente, seu período de apuração é trimestral e o pagamento é realizado nos dias 30 ou 31 dos meses de março, junho, setembro e dezembro. Nesse regime, há obrigação do pagamento do INSS patronal sobre a folha salarial.

Lucro real (LR)

A tributação é incidente sobre o lucro das clínicas e consultórios e pode ser apurado de forma trimestral ou anual. Havendo prejuízo no período, o contribuinte fica isento do IRPJ e da CSLL. Contudo, é uma opção que dificilmente é aplicada em clínicas e consultórios, pois o LP costuma ser mais vantajoso nesses casos.

Publicado em

Telemedicina e o debate sobre o futuro da Saúde

telemedicina

Desde que a tecnologia da informação começou a ganhar espaço em todo o mundo, as distâncias passaram a ser menores. Muitas pessoas imaginam que vivemos, hoje, em uma realidade próxima à dos filmes de ficção científica. Prova disso é que conseguimos falar com quem está distante – até mesmo do outro lado do planeta – em poucos segundos por meio de mensagens, vídeos e áudios em celulares, redes sociais e outros dispositivos digitais.

Já que tudo isso invadiu nosso dia a dia, era de se esperar que também invadisse os consultórios e, de quebra, impactasse na relação médico-paciente. Um termo passou a ser muito falado nos últimos tempos: a Telemedicina.

O debate ganhou mais força depois que uma polêmica resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) foi publicada em 6 de fevereiro. O documento definia o que é a Telemedicina e de que forma ela poderia ser exercida no país, além de regulamentar toda a questão no Brasil.

Porém, a resolução não foi bem recebida pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs), que criticaram vários pontos do documento. Devido aos debates que surgiram, o CFM decidiu revogar a resolução em 22 de fevereiro, analisar as sugestões e críticas recebidas e recomeçar o debate para desenvolver um novo documento.

Debate sobre Telemedicina no Brasil

Telemedicina no Brasil

 

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Sylvio Provenzano, a grande crítica à resolução do CFM é que ela era abrangente demais, sem estabelecer claramente responsabilidades e limites para a Telemedicina.

O Cremerj foi um dos conselhos regionais que mais criticou a resolução. Procurados pela nossa equipe de reportagem, o CFM e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), outro grande crítico ao documento, não quiseram se manifestar, alegando que os debates sobre o tema ainda estão acontecendo.

Provenzano explica que toda a polêmica surgiu porque o CFM publicou a resolução 2.227/2018 sem o parecer dos conselhos regionais. “Havia uma reunião marcada para que os presidentes dos conselhos discutissem a resolução. Mas fomos surpreendidos com a promulgação antes de essa reunião acontecer.

Quando a reunião aconteceu, o que fizemos foi listar uma série de não conformidades que detectamos no texto. Por exemplo: no artigo 4º, não é dito que seria necessária a consulta médica presencial inicial. Então, quem faria essa primeira avaliação? Quem ficaria responsável pelas decisões diagnósticas?”, questiona.

O presidente do Cremerj ressalta que o órgão aceita a Telemedicina como uma realidade já presente na Saúde brasileira e que precisa ser regulamentada o quanto antes. Porém, o que Provenzano defende é que haja um grande debate, envolvendo outros segmentos da sociedade, como advogados, professores e jornalistas.

“A nossa preocupação é com o comprometimento do ato médico. Hoje, o médico é o grande responsável por guardar as informações do paciente. E, na Telemedicina, isso ficaria sob responsabilidade de uma empresa de tecnologia. Como fica o sigilo? Um hacker pode invadir e colocar tudo na rede”, alerta.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms), Humberto Serra, a resolução do CFM representaria um grande avanço para a Saúde no Brasil, ampliando o acesso dos serviços médicos à população. “Toda mudança de paradigma tem suas resistências e não seria diferente com a classe médica. Acho que faltam esclarecimentos para romper essas resistências. De qualquer maneira, assim como o Conselho Federal de Psicologia (CFP) já fez, regulamentando o atendimento à distância, essa é uma iniciativa esperada por todos os conselhos da área da Saúde”, afirma Serra, que também é coordenador do Núcleo Estadual de Telessaúde do Maranhão.

Luiz Ary Messina, coordenador nacional da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), acredita que a regulamentação do CFM seria uma tranquilidade para um setor que já existe no país há pelo menos 15 anos.

“Como não foi assim, vejo esse momento como uma oportunidade para a classe médica ser confrontada com uma questão ainda pendente. Na década de 1970, isso aconteceu com os bancos, com a automação de processos. O mesmo aconteceu, nas décadas seguintes, com as indústrias. Está na hora de acontecer com a Saúde”, destaca.

Contribuições para o futuro da Medicina

A Telemedicina é definida pela resolução do CFM como o exercício da Medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e de lesões e promoção da saúde.

“Nos tempos atuais, é importante registrar que a Telemedicina é a ferramenta com maior potencial para agregar novas soluções em saúde e que muitos dos procedimentos e atendimentos presenciais poderão ser substituídos por interações intermediadas por tecnologias.

Porém, não se deve esperar que se torne um remédio para todos os problemas de assistência à saúde”, explica Aldemir Humberto Soares, conselheiro-relator da resolução 2.227/2018, em texto publicado em anexo ao documento do CFM.

No mesmo documento, Soares ressalta o quanto a Telemedicina pode contribuir para o atendimento das demandas por saúde em lugares remotos do país “A Telemedicina foi originalmente criada como uma forma de atender pacientes situados em locais remotos, longe das instituições de saúde ou em áreas com escassez de profissionais médicos. Enquanto ela ainda é usada para resolver esses tipos de problemas, ao mesmo tempo vem se tornando cada vez mais uma ferramenta para cuidados médicos. A Telemedicina é uma evolução natural dos cuidados de saúde no mundo digital. A cada dia, torna-se mais indiscutível a capacidade que ela tem de melhorar a qualidade, a equidade e a acessibilidade”, afirma o relator.

Humberto Serra concorda que a Telemedicina tem potencial para solucionar grandes problemas da Saúde no Brasil. “Nos países em desenvolvimento, ela pode ampliar o acesso aos serviços médicos especializados em locais que não contam com especialistas ou serviços especializados.

Também pode atuar na melhoria da qualidade da atenção à saúde, na redução do tempo gasto entre o diagnóstico e a terapia, na racionalização de custos e no apoio à vigilância epidemiológica, auxiliando na identificação e no rastreamento de problemas de saúde pública”, lista o presidente da ABTms.

Dúvidas sobre Telemedicina

O presidente do Cremerj ressalta que a Telemedicina seria uma grande contribuição, sem dúvidas, para a Saúde no país, se houvesse estrutura para tal. “Como posso fazer Telemedicina em lugares remotos do país, onde certamente há dificuldade de conseguir uma banda larga suficiente para compartilhar essas informações em tempo hábil? Se em uma cidade como o Rio de Janeiro, a segunda maior do país, temos problemas com a internet, onde a banda larga fica ‘estreita’ demais e cai, como seria isso no Oiapoque (AP), em Santarém (PA) ou em Quixadá (CE)?”, questiona Sylvio Provenzano.

O dirigente destaca que não se trata apenas de melhorar a estrutura tecnológica, mas questões jurídicas e práticas precisam ser definidas e regulamentadas para que a Telemedicina possa se tornar viável no país.

“Há questões legais e de bioética que vêm sendo discutidas com advogados. Outro ponto: de quem é a responsabilidade e quem recebe por determinados procedimentos? Vou dar um exemplo: especialistas se reúnem em um hospital em São Paulo para assessorar um procedimento de cirurgia robótica em um lugar remoto.

O responsável é o médico que está a distância, disponibilizando conhecimento, tempo e experiência, ou o que está presencialmente assistindo o paciente? Como será o pagamento desses médicos? Quem fica responsável pela segurança das informações? Essas são algumas das perguntas ainda sem resposta”, afirma.

Perguntas sem respostas não vêm apenas do presidente do Cremerj. Para o coordenador da Rute, Luiz Ary Messina, a maioria da classe médica no Brasil não sabe o que é a Telemedicina. “As pessoas têm que ser treinadas sobre isso.

Entre as faculdades de Medicina, você conta nos dedos as que têm alguma disciplina que trata sobre a Telemedicina na graduação. Ou seja, falta conhecimento. Soma-se a isso outras razões, como o receio de parte da classe médica de perder espaço para grandes corporações, muito mais bem preparadas tecnologicamente”, acredita.

Messina, porém, ressalta que a Telemedicina já é uma realidade e cabe ao médico correr atrás para entender melhor sobre o assunto. “O desconhecimento é um problema que pode ser resolvido à medida que os médicos tomem ciência do que se trata e se informem, lendo ou participando de congressos.

A Telemedicina já é uma realidade. As pessoas que não querem entender como é esse processo acabam atropeladas. Em países continentais, como Brasil, Rússia, China, Índia, Estados Unidos e Canadá, é impossível ter um especialista em todas as cidades. Isso é possível com a Telemedicina, mesmo que à distância”, defende.

Modalidades de Telemedicina

  • Teleconsulta: consulta médica remota, com médico e paciente em diferentes espaços geográficos.
  • Telediagnóstico: emissão de laudo ou parecer de exames, com envio de imagens e dados pela internet.
  • Teleinterconsulta: troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente.
  • Telecirurgia: procedimento feito por robô, manipulado por um médico que está em outro local.
  • Teleconferência: grupo de médicos que se reúne para receber e debater sobre imagens, dados e áudios.
  • Teletriagem: avaliação a distância de sintomas para direcionar o paciente ao tipo de assistência necessária.
  • Teleorientação: declaração para contratação ou adesão a plano de saúde.
  • Teleconsultoria: troca de informações entre médicos e gestores sobre procedimentos de saúde.
  • Telemonitoramento: avaliação da saúde do paciente, evitando ida ao pronto-socorro ou casa de repouso.

História da Telemedicina no Brasil e no mundo

Idade Média – Na Europa, por conta da peste que devasta o continente, é registrado o primeiro caso de Telemedicina da história. Um médico se isola na margem de um rio para atender a distância os pacientes na margem oposta.

Século XIX – Com a invenção do telégrafo e do telefone, o envio de laudos de exames se torna realidade.

1910 – Em Londres, SG Brown inventa o estetoscópio eletrônico, capaz de transmitir sinais por até 50 milhas de distância.

Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – Durante o conflito, rádios são utilizados para conectar médicos em diferentes lugares, trocando informações.

Década de 1960 – É criado, na cidade de Norfolk, nos Estados Unidos, um sistema de comunicação entre hospitais. O sistema permite, ainda, a realização de videoconferências entre pacientes e familiares, que muitas vezes estão em lugares distantes.

Década de 1970 – Surge a transmissão de dados para diagnósticos. Um exemplo é a criação de um serviço na Groenlândia para receber suporte de saúde de hospitais da Dinamarca.

1993 – Criada a Associação Americana de Telemedicina (ATA), entidade pioneira do tema no mundo.

Década de 1990 – Surgem as primeiras iniciativas de Telemedicina no Brasil, com realização de laudos de exames a distância e videoconferências.

Décadas de 2000 e 2010 – Cresce a Telemedicina no Brasil e no mundo. Com a evolução tecnológica, criação de dispositivos móveis e democratização da internet, a Telemedicina ganha força para atender, principalmente, pacientes em lugares remotos.

Publicado em

Auditoria médica: saiba tudo sobre essa função

A auditoria médica pode ser compreendida como o processo que, dentro de princípios éticos e legais, se propõe a assegurar a qualidade dos serviços profissionais e institucionais, preservando o uso adequado dos recursos destinados à Saúde, visando a assegurar o máximo de benefício, com menor risco e maior eficiência possível.

Considerando que a auditoria se caracteriza como um ato médico, de acordo com Reinaldo Ramalho, consultor em Gestão Estratégica em Oftalmologia e coordenador do Comitê de Diretrizes do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o médico que desempenha a função de auditor de convênios deve apresentar conhecimento técnico, pleno e integrado da profissão. “Dessa forma, em razão do grande avanço tecnológico observado nas diversas áreas médicas, identifica-se no exercício da função, cada vez mais, a figura do auditor especialista”, define.

Além de garantir a qualidade no atendimento, evitando desperdícios e auxiliando no controle de custos, o especialista ressalta que o auditor também tem a função de monitorar periodicamente os resultados dessas ações. “Nessas circunstâncias,o principal desafio para um auditor médico em sua área de atuação é manter-se sempre atualizado frente ao avanço médico-tecnológico, além de construir um bom relacionamento com os prestadores de serviços médicos e buscar a otimização dos processos regulatórios na análise de procedimentos médicos”, avalia.

Modalidades da auditoria médica

Auditoria preventiva: também conhecida como auditoria prévia, tem como finalidade auditar os procedimentos antes que aconteçam, a fim de prevenir não conformidades e glosas posteriores.

Auditoria operacional (concorrente): é aquela que se efetua in loco, ou seja, no próprio prestador. Nesse tipo de auditoria, os procedimentos são auditados durante e após terem acontecido.

Auditoria de contas: é parte integrante da auditoria operacional e caracteriza-se por ser um processo minucioso, realizado, atualmente, por equipes de profissionais multidisciplinares, para a avaliação de diversas informações, como indicação clínica, procedimentos realizados, exames e seus respectivos laudos e/ou imagens e relação de materiais e  medicamentos gastos, e também a avaliação de pertinência de utilização de dispositivos médico-implantáveis (DMI) e/ou materiais especiais.

Auditoria analítica: compreende as atividades de análise dos dados levantados pelas auditorias preventiva e operacional, e sua comparação com os indicadores gerenciais locais e de outras organizações.

O que diz o CFM?

O parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) 11/1999 define a auditoria médica como o conjunto de atividades e ações de fiscalização, de controle e de avaliação dos processos e procedimentos adotados, assim como o atendimento prestado, objetivando sua melhor adequação e qualidade, detectando e saneando-lhes eventuais distorções e propondo medidas para o seu melhor desempenho e resolubilidade.

O CFM tem o entendimento pacificado de que não pode tolerar qualquer forma de intervenção, seja de quem for, que venha a restringir ou limitar o trabalho assistencial do médico, sob pena de grave infração do Código de Ética Médica e dos princípios fundamentais que os norteiam. Por outro lado, a entidade reconhece que existem distorções, fraudes e desobediências de regras básicas perpetradas por muitos profissionais e instituições que prestam assistência à Saúde.

Na prática: qual o papel do auditor?

Ramalho explica que o auditor recebe a guia de solicitação com a relação de procedimentos médicos solicitados. De posse de tais dados, deve, antes de mais nada, verificar se há cobertura contratual assegurada. Cumprida essa premissa,passa, então, a analisar a indicação clínica (quando registrada) confrontando com o(s) evento(s) listado(s).

A partir daí, existem três situações possíveis:os elementos encaminhados são insuficientes para subsidiar a análise, não justificam a solicitação dos procedimentos ou justificam parte dos procedimentos solicitados.

O auditor, por fim, encaminha seu parecer para o conhecimento do prestador solicitante para as considerações cabíveis. Segundo o especialista, mesmo em caso de divergência técnica, o auditor jamais pode negar o(s) procedimento(s),caso eles possuam cobertura contratual assegurada.

Nessa situação, considerando a resolução normativa 424/2017 da ANS, que dispõe sobre critérios para a realização de junta médica ou odontológica formada para dirimir divergência técnico-assistencial acerca de indicação clínica do profissional assistente que foi objeto de contestação pelo auditor contratado pela operadora, o caso deverá ser conduzido para avaliação de profissional desempatador, com emissão de parecer fundamentado por respostas e quesitos técnicos formulados para o caso em questão.

O médico e o auditor médico

Segundo Breno Caiafa, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – regional Rio de Janeiro (SBACV-RJ), enquanto o médico assistente promove a atenção direta ao paciente, o auditor médico fica encarregado de avaliar a adequação e o custo dos serviços médicos, o que se concretiza pela análise do cumprimento dos protocolos e das diretrizes médicas emanadas pelas sociedades de especialidades vinculadas à Associação Médica Brasileira (AMB), bem como pelo preenchimento das regras internas das operadoras.

O especialista complementa que, assim como o médico assistente, o auditor médico deve prezar pelo integral cumprimento das normas que regem o exercício da Medicina no Brasil, sob pena de responsabilização nas esferas ética, civil e criminal. “Os profissionais devem, sobretudo, respeitar a autonomia um do outro, sempre com vistas ao bem-estar do paciente. Também é necessário esclarecer que a atuação dos dois profissionais não é conflitante. Pelo contrário: é subsidiária uma a outra, de modo a garantir o equilíbrio do setor e uma atenção à saúde digna para todos”, define Caiafa.

Ramalho avalia que a relação entre o médico prestador de serviços e o auditor médico é pacífica. Todavia, não é raro observar situações de animosidade nesse processo.“O que deve ficar claro, antes de mais nada, é que a auditoria médica não se trata de técnica utilizada para policiamento das atividades dos profissionais da Saúde. Ao contrário, justifica-se como um estímulo à melhoria do padrão de atendimento”, ressalta.

Relação com as operadoras de Saúde

Atualmente,a relação entre médicos e operadoras é complexa. Caiafa analisa que o diálogo entre as duas partes pode ser dificultado pelo excesso de burocracia e, até mesmo, por um sentimento de desconfiança mútuo. Contudo, a manutenção de um relacionamento com as operadoras permite, segundo o especialista, obter a solução de eventuais conflitos de forma mais eficaz, seja pelo contato direto com os auditores ou mesmo com os responsáveis pelos setores de negociação.

Para Ramalho, o que se observa, na prática, é que a maioria dos prestadores de serviços não detém o conhecimento legal necessário em sua área de atuação,sendo leigos no que compete ao conhecimento de normativas, resoluções de processos-consulta e leis que regulamentam o setor de saúde suplementar.

“Por outro lado, de posse de tais conhecimentos, esses profissionais passariam a solicitar ao convênio procedimentos de maneira adequada, acompanhados de contexto clínico necessário ao exercício do processo de auditoria, sendo inclusive capazes de orientar adequadamente seus pacientes em situações de ausência de cobertura”, considera.No caso do paciente,o esforço conjunto do médico assistente com a operadora permite que asa provações das autorizações sejam muito mais céleres e que o trâmite seja mais transparente.

Nesse contexto, quando o médico e a operadora estão em sintonia, o paciente se sente mais confiante em relação ao cuidado assistencial. “Cumpre ressaltar que a proximidade entre o médico, as operadoras e os pacientes colabora para evitar os crescentes casos de judicialização na esfera da Saúde – suplementar e pública –, que, em sua maioria, são decorrentes da insuficiência de informação”, sustenta o presidente da SBACV-RJ

Solicitação de procedimentos e glosas

Caiafa relata que uma das principais dificuldades enfrentadas pelo médico em relação à solicitação de um procedimento é a multiplicidade de regras existentes junto às diferentes operadoras. “Em que pese a edição de normas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para disciplinar as regras gerais aplicáveis nas relações entre médicos e operadoras, inclusive no tocante à formalização dos contratos e da transmissão de informações, fato é que cada operadora ainda mantém regras próprias em seus respectivos manuais”, analisa.

Ainda de acordo com o presidente da SBACV-RJ, a existência de diferentes sistemas, regras e referenciais prejudica o bom funcionamento do setor de saúde suplementar. “No tocante aos procedimentos contratados, verifica-se que são adotados referenciais que muitas vezes estão em desacordo com os procedimentos reconhecidos pela especialidade”, complementa.

Nesse cenário, o especialista também destaca os tipos de glosas mais comuns e como é possível evitá-las. “Enquanto as glosas administrativas e técnicas podem ser evitadas ao conferir mais cuidado no preenchimento das informações e na adoção dos procedimentos autorizados pelas operadoras, as glosas lineares apresentam hipótese distinta, na qual o prestador está à mercê das operadoras, mesmo que tenha cumprido todas as exigências contratuais e regulamentares”, explica.

Em todo caso, Caiafa reforça que é preciso compreender que algumas operadoras incluem, nos contratos, descontos pré-estipulados sobre a fatura, o que deve ser evitado sempre que possível, visto que a resistência das operadoras é algo esperado. Também deve ser observado se o contrato prevê a forma do faturamento e os procedimentos efetivamente acordados entre as partes.

Publicado em

O médico e a liderança das equipes multidisciplinares

Conforme as profissões tornaram-se mais especializadas e o saber tornou-se mais complexo, os cuidados em saúde também ganharam novas dimensões. Hoje, nas diferentes áreas de assistência, o médico precisa ter a consciência do papel que cabe a ele nesse contexto. “O cuidado ao paciente, hoje, envolve times assistenciais de alto desempenho – e, para isso, é preciso ter liderança”, afirma Evandro Tinoco, diretor de Qualidade Assistencial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Segundo Tinoco, as escolas de Medicina não preparam mais o profissional para ser o modelo de “caubói solitário”, e sim para atuar com base no conceito de time.

É natural que esse profissional surja como líder da equipe, pelo grau de responsabilidade do médico no cuidado ao paciente, devido a especificidades de sua atuação – certas implicações legais, por exemplo. Essa visão é corroborada por especialistas que atuam em áreas diversas. “É no médico que o paciente deposita sua confiança, e é o médico que se responsabiliza quando algo sai errado”, confirma o neurocirurgião Francinaldo Gomes.

Ascensão das equipes multidisciplinares

As doenças crônicas são um grande desafio da assistência em saúde atual. A International Diabetes Federation estima que, em 2040, caso a tendência atual não seja revertida, mais de 642 milhões de pessoas, entre 20 e 79 anos, irão viver com o diabetes no mundo. Hoje, já são 415 milhões, sendo cerca de 75% em países em desenvolvimento.

No manejo dessas condições, atuar em conjunto com profissionais de várias áreas é visto como necessidade crescente. O paciente, hoje, diferentemente do que ocorria no passado, tem múltiplas comorbidades identificadas – especialmente os pacientes idosos, no contexto das doenças crônicas. “É uma mudança de paradigma”, ressalta Evandro Tinoco.

O tratamento dessas enfermidades envolve um trabalho de planejamento na assistência ao paciente – no qual o médico precisa estar envolvido –, na escuta empática e no entendimento de que as outras áreas também têm uma vivência própria e que muito evoluiu. “É a visão de que a Medicina não é só o contexto biológico: as ciências comportamentais e as ciências sociais são muito importantes. Hoje, o conjunto de saberes traz diferentes olhares, que constroem essa visão nova da Medicina e da Saúde”, arremata o diretor de Qualidade Assistencial da SBC.

A presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Hermelinda Pedrosa, corrobora o cenário. “Não se deve centralizar todas as ações em cima da ação do médico”, alerta. Por vezes, o médico tem expertise em outras áreas, contudo, quando há um profissional especializado no assunto, deve-se recorrer a ele. “Por exemplo, a educação do paciente pode, em parte, ser feita pelo médico, mas também temos o educador em diabetes, que pode ser qualquer profissional, desde que receba uma capacitação para isso.

Educar é uma tarefa ampla, que envolve não só o repasse do conhecimento, mas a forma como esse repasse é feito”, detalha. Segundo a médica, na diabetologia, o movimento de descentralização do cuidado ainda é mais consolidado no exterior, sobretudo na Europa.

Essa noção se estende para cuidados de outras doenças, como o câncer. O diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gustavo Fernandes, relata que a adaptação do oncologista às equipes multidisciplinares tem sido crescente, e é uma tendência ainda em avanço. “Todos os médicos vão ser compelidos, para ter um cuidado melhor com o paciente, a liderar equipes multidisciplinares”, projeta.

Assim como nas doenças crônicas, o paciente oncológico demanda cuidados que englobam ativamente uma série de outas especialidades, como Odontologia, Fisioterapia e Enfermagem. “É o paciente que impõe essa multidisciplinaridade”, explica.

A humildade de um líder

Para Gustavo Fernandes, ter a humildade de saber ouvir os outros profissionais é traço primordial. Sem essa abertura, os demais membros da equipe que atuam no cuidado ao paciente não podem colaborar da melhor forma. “A primeira característica que um líder de cuidado precisa ter é esta: ouvir e respeitar a opinião das pessoas que fazem parte do cuidado. É desenvolver uma percepção coletiva, e não apenas sua visão individual”, aponta.

Pelo tempo que passam com o paciente, bem como pelas especificidades de suas atuações, outros profissionais podem ter percepções acerca do quadro do paciente, diferentes das do médico – que deve considerá-las e ponderá-las. “Naturalmente, há outras características de liderança, como confiabilidade, ser acessível e demonstrar conhecimento de sua área e de outras áreas”, acrescenta Fernandes.

Para Francinaldo Gomes, além da capacidade de absorver novos conhecimentos, de estar em constante aprendizado e de ter uma visão global da assistência, o médico precisa ter paixão pelo que faz e saber motivar e valorizar os que estão a sua volta. “O médico precisa ser um exemplo a ser seguido pelos demais. Para isso, ele deve prezar pelo profissionalismo, pelo respeito e pela ética no exercício da Medicina”, conclui.

Multidisciplinaridade ou interdisciplinaridade?

A endocrinologista e presidente da SBD, Hermelinda Pedrosa, ressalta: multidisciplinaridade não significa necessariamente que haja uma natural interdisciplinaridade. É positivo que haja profissionais diversos buscando o bem-estar do paciente, que é o centro do cuidado; porém é preciso aprofundar-se. “Se não houver também a interdisciplinaridade, interação entre os profissionais, nem sempre a dinâmica vai ser positiva”, explica. O caminho rumo a esse cenário ideal passa, em grande parte, pela educação não só do paciente e dos familiares, mas dos próprios médicos e profissionais de saúde, para cristalizar a noção do paciente como ator principal dessa empreitada.

Reportagem por André Klojda

Publicado em

5 erros comuns em agendas médicas e como resolvê-los

Como todo ciclo de atendimento se desenvolve a partir da agenda, sem ela não é possível marcar consultas, exames ou cirurgias. Isso significa que a ferramenta pode ser considerada o combustível que abastece o trabalho de todo o serviço médico.

De acordo com Márcia Campiolo, psicóloga com especialização em Gestão de RH e autora do livro Agenda médica: muito além do trivial, uma agenda não precisa ser apenas organizada, mas estrategicamente planejada em todos os seus detalhes, permitindo que seja possível aos profissionais médicos aliarem sucesso e qualidade de vida.

A desorganização da agenda pode até mesmo comprometer a qualidade do atendimento da clínica ou do consultório. Portanto, eliminar os problemas na agenda é uma boa estratégia para o crescimento da empresa, a partir da satisfação e fidelização de pacientes.

Confira, a seguir, os principais problemas das agendas médicas e como evitá-los, garantido o sucesso de sua clínica:

1. Falta de planejamento

De acordo com Márcia Campiolo, um ponto importante que pode prejudicar a organização da agenda médica é a falta de planejamento do agendamento voltado para a especialidade de cada médico da clínica, resultando em uma produtividade e satisfação dos profissionais aquém do que seria possível por meio de um planejamento especializado adequado.

“Também é importante lembrar que a agenda deve ter um olhar especial para a qualidade de vida do profissional médico, uma vez que seu ritmo de trabalho e horários disponíveis para vida social e familiar dependem muito da forma como sua agenda está organizada”, destaca a especialista.

2. Agenda desorganizada

Para que os pacientes sejam encaminhados para os profissionais com especialidade adequada aos seus casos, a agenda deve estar sempre organizada. Além disso, Márcia pontua que depende da agenda a presença ou não de atrasos no atendimento, assim como a dimensão e extensão desses atrasos.

“Esses fatores estão ligados diretamente à agenda médica e podem, com certeza, comprometer severamente a qualidade do atendimento. É claro que são necessárias outras ações para que se possa alcançar o equilíbrio necessário entre agendamentos e qualidade de atendimento, mas esse é um bom começo no processo de melhor organização da agenda”, complementa.

3. Gerenciamento precário

Para evitar um gerenciamento insatisfatório da agenda, médico e secretária devem trabalhar de forma conjunta, realizando a administração eficiente dessa ferramenta. Segundo Márcia Campiolo, o médico deve participar de todo o processo de agendamento de forma ativa. Já a execução do planejamento ficará a cargo da secretária, mas esta só poderá ser efetiva se estiver realmente fundamentada, organizada e preparada.

4. Atrasos, imprevistos e encaixes

Muitas vezes, é difícil manter todas as consultas agendadas em dia, levando em consideração os imprevistos do dia a dia, que podem acontecer tanto por parte dos médicos como dos pacientes. Para Márcia, o segredo para resolver esse problema pode estar nas perguntas feitas ao telefone no momento do agendamento, como questionar ao paciente se trata-se de uma consulta de rotina ou alguma urgência.

“Essa pergunta frequentemente resulta em informações importantes para estimar a possível demora ou não em uma consulta, uma vez que é comum o paciente, nesse momento, fornecer pistas importantes. Com informações, é possível ter uma melhor distribuição e, também, uma quantidade melhor de pacientes para o atendimento”, define.

5. Profissionais sem treinamento

Frequentemente, o agendamento não recebe o tratamento e cuidados necessários para que realmente seja efetivo e com baixos índices de problemas e insatisfações. Quanto maior o serviço, o tamanho da equipe médica e a variedade de especialidades atendidas, mais complexo será o processo de agendamento.

Os problemas de agenda começam, segundo Márcia Campiolo, pelo perfil e preparo de quem a organiza. Para resolver essa situação, portanto, o profissional responsável por realizar os agendamentos precisa receber treinamento intensivo e contínuo que permita o preparo e desenvolvimento constante do mesmo.

“É preciso um minucioso planejamento e preparo da equipe de quem organiza a agenda, assim como do instrumento utilizado para a marcação. Esse é o melhor caminho para que as possibilidades de sucesso sejam realmente efetivas”, analisa a especialista.

Bônus: contato com o paciente

 No processo de atendimento para agendamento, é preciso ter atenção a alguns pontos importantes, como:

  • Demonstrar interesse pelas questões e preferências de horários dos pacientes;
  • Desenvolver um atendimento gentil, focado e eficiente;

Oferecer todas as informações necessárias e precisas para que o paciente se sinta seguro quanto aos dados relacionados à data, horário e outras informações importantes do agendamento.

Publicado em

O impacto financeiro dos convênios médicos

Quando se fala de finanças nos consultórios, o que vem à mente de vários médicos, logo de início, é a fatia do faturamento que depende, exclusivamente, dos convênios.

Muitos profissionais têm sofrido per­das e diminuição em suas rendas devido à relação cada mais vez mais conflituosa com os planos de saúde. São procedimentos glosados, baixos valores pagos pelas consultas e pelos exames e a ameaça, muitas vezes presente, de descredenciamento.

Rodrigo Aguiar, diretor de Desenvol­vimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), afirma que a instituição reconhece que o prestador de serviço é peça fundamental na saúde suplementar e entende que é necessário pro­mover mudanças no modelo de remuneração dos profissionais da Saú­de, incluindo os médicos.

“A agência vem trabalhando na criação de mecanismos regulatórios para incentivar a adoção de boas práticas na atenção à saúde. O desenvolvimento de novos modelos assistenciais e de remuneração de prestadores também é essencial para garantir o equilíbrio e a sustentabilidade do setor”, defende Rodrigo Aguiar.

Grupo de Trabalho de Remuneração

Para isso, foi criado, em 2016, o Grupo de Trabalho de Remuneração, com o objetivo de debater um modelo de financiamento e remune­ração sustentável para o setor.

O grupo de trabalho é formado por representantes de todos os segmentos da Saúde Suplementar: presta­dores de serviços, operadoras, representantes de sociedades médicas e entidades representativas de profissionais de saúde.

“A implemen­tação de novos modelos de gestão, de remuneração de prestadores e de assistência aos beneficiários é discutida em grupos e câmaras téc­nicas, consultas e audiências públicas e nos diversos comitês criados pela ANS.

O grupo de trabalho, especificamente, tem alcançado seu principal objetivo, que é tornar-se um fórum de discussão sobre o tema na Saúde Suplementar, com a participação dos principais atores envolvidos, além de compartilhar as experiências em curso no Brasil”, avalia Rodrigo Aguiar.