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Ministério da Saúde regulamenta uso de telemedicina para combater coronavírus

O Ministério da Saúde publicou em 23 de março uma portaria que autoriza o uso de telemedicina para atendimento de pacientes durante a emergência pelo novo coronavírus.

A publicação ocorre poucos dias após o CFM (Conselho Federal de Medicina) autorizar em caráter excepcional o uso desse tipo de ferramenta.

O objetivo é reduzir a circulação de pessoas e a exposição ao vírus. Segundo o ministério, as medidas também ocorrerão em caráter excepcional.

Entre as ações possíveis com interação à distância nesse período, segundo a portaria, estão atendimento pré-clínico, suporte assistencial, consulta, monitoramento e diagnóstico.

As medidas podem ocorrer tanto na rede pública quanto na rede privada.

O ofício do CFM publicado em 19 de março citava ferramentas como teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta – troca de informações entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

Já a portaria do ministério não cita termos, mas abre espaço para que haja atendimento direto entre médico e paciente.

O texto diz que o atendimento “deve ser efetuado diretamente entre médicos e pacientes” com uso de tecnologia que garanta a segurança e o sigilo médico.

Os médicos que participarem desse tipo de atendimento devem registrar informações em prontuário clínico, com dados do atendimento, horário em que ocorreu e o número do CRM. Casos do novo coronavírus devem ser notificados à rede de saúde.

Médicos também podem emitir atestados, receitas médicas e determinar isolamento domiciliar.

A portaria diz que a receita e atestado serão válidos caso haja assinaturas eletrônicas por meio de certificado reconhecido e dados de identificação do médico e do paciente.

Já no caso de isolamento, o paciente deve comunicar termo de consentimento livre e esclarecido e documento com a relação de pessoas que vivem no mesmo endereço.

A portaria representa uma mudança de postura do setor em relação ao uso de telemedicina no país.

Em 2019, o CFM chegou a aprovar uma resolução com novas regras, mas acabou revogando-a por pressões dos conselhos regionais e de médicos, que temiam que a medida afastasse médicos e pacientes.

Com o aumento de casos de coronavírus, no entanto, entidades e o próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, passaram a pressionar o conselho e o governo pela mudança.

O ministro já havia falado anteriormente sobre a intenção do governo em utilizar recursos da telemedicina para auxiliar no combate ao novo coronavírus.

“Será uma maneira que a gente vem discutindo com nossos epidemiologistas e equipes, e deveremos ter uma ferramenta bem inovadora. Para que todo o brasileiro possa receber a chamada e, ao digitar sinais e sintomas, a gente classificar o risco e mantê-lo sistematicamente monitorado”, declarou o ministro em entrevista.

A ideia do governo é criar um mecanismo para que um profissional de saúde possa dar as primeiras orientações de forma remota.

A medida deve auxiliar principalmente em locais remotos, que devem ser atingidos depois pelo vírus.

O ministro também estuda plataformas para que médicos de cidades menos populosas possam intercambiar experiências e informações com profissionais dos grandes centros, para aproveitar a experiência dos locais que devem ser atingidos primeiro pelo vírus.

 

Fonte: Folha de São Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/ministerio-da-saude-regulamenta-uso-de-telemedicina-para-combater-coronavirus.shtml)

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O cuidado com a relação médico-paciente

A melhora das habilidades de comunicação do médico com o seu paciente resulta em uma melhor satisfação do mesmo, o que gera uma maior retenção e recomendação de serviços para outros clientes

De acordo com a especialista em marketing e negócios, Rosane Bernardi, a prestação de serviços médicos ocorre em um ambiente onde há competição e disputa por clientes (pacientes), como em qualquer outro mercado, e a melhora da experiência do paciente deve ser vista como um imperativo. “Pacientes insatisfeitos são clientes que abandonam o tratamento, não retornam para novas consultas e fazem comentários negativos sobre os serviços prestados. A satisfação do paciente influencia em seu retorno ao consultório e na recomendação do profissional para outros pacientes”, enfatiza a especialista.

Percebendo a importância da temática, Rosane apresentou um pôster sobre o assunto em um congresso europeu no ano passado. O objetivo era fornecer evidências sobre o impacto positivo da boa comunicação médico-paciente na satisfação do paciente, adesão ao tratamento e lealdade. Entre diversos pontos abordados, ela destacou o fato de a comunicação na assistência médica estar associada a uma maior adesão às recomendações médicas ao tratamento.

Dicas para o dia a dia:

  • Olhe nos olhos do paciente ao falar com ele;
  • Demonstre interesse por sua opinião e sentimentos;
  • Dê informações de qualidade, mas que podem ser compreendidas pelo paciente;
  • Verifique se o paciente entendeu a explicação;
  • Seja gentil e bem-humorado(a);
  • Trabalhe sua imagem nas redes sociais para ser reconhecido(a) como autoridade na especialidade.

O que é marketing de relacionamento?

 O marketing de relacionamento é composto por estratégias que são utilizadas para cuidar da relação entre quem oferece um serviço e quem o consome. As estratégias devem ser aplicadas desde o primeiro contato com o cliente e têm como objetivo principal a sua fidelização.

Marketing de Relacionamento: Como cuidar bem da sua relação médico-paciente.

De acordo com Flávio Muniz, especialista e palestrante nesse assunto, a área da Medicina ainda não vem utilizando o marketing de relacionamento da forma como deveria. “O marketing de relacionamento é algo pouco explorado, principalmente pela área médica, que ainda se comunica de forma precária com seus clientes; no caso, os pacientes”, afirma Muniz. Para o profissional, é preciso ir além do bom atendimento quando se trata de marketing de relacionamento. “Receber um bom atendimento, respeito e atenção é o mínimo que o cliente espera de um atendimento médico. Mas, para fidelizar o cliente, é preciso mais do que isso”, aponta o especialista.

A tecnologia tem evoluído muito e auxiliado no diagnóstico de doenças por meio de equipamentos modernos e altamente especializados. Mas, por outro lado, tem ocorrido uma lacuna entre médico e paciente. “Apesar de tantos avanços, a área médica tem tido seu foco primordial no tratamento e cura de seus pacientes. O médico da família, que acompanhava a todos por vários anos, está quase extinto. Hoje as relações estão muito individualistas e o médico foca mais na doença do que no doente”, ressalta Muniz.

O que todo médico deveria saber na hora de lidar com os pacientes? 

  • Pacientes querem profissionais que os escutem, compreendam e demonstrem preocupação;
  • Esperam receber informações claras sobre sua doença e tratamento;
  • Buscam atenção, respeito e cortesia;
  • Pacientes devem ser tratados como clientes com expectativas a serem atendidas;
  • Pacientes são seres humanos com necessidades individuais.

Excelência do atendimento na prática

De acordo com Muniz, atender a expectativa de pacientes cada vez mais exigentes e com maior acesso à informação é um importante diferencial dos serviços de um profissional, que vai além da competência técnica. Para isso, o médico deve entregar serviços que inspirem confiança, mas precisam, também, ser empáticos e atentos às expectativas dos pacientes em relação à interação com seus médicos. O campo é vasto e as ações em suas especificidades são muitas, mas o relevante sempre será a decisão em estabelecer parceria com o que de melhor o mercado de marketing poderá lhe oferecer.

Ainda segundo o especialista, um diagnóstico correto é importante, mas os pacientes valorizam muito um bom atendimento. Quando um profissional médico dá o diagnóstico correto, mas não é sensível na maneira de transmiti-lo, poderá perder o cliente, que não vai querer voltar a ser atendido por esse médico, pois não vai ter boas lembranças do momento do anúncio do diagnóstico e do pouco vínculo que esse relacionamento lhe proporcionou. “Ele vai se sentir como mais um paciente, com uma doença que precisa ser curada e não como um ser humano em especial que está enfrentando um sério problema e precisa de apoio”, explica Muniz.