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7 erros para não cometer em suas redes sociais

erros nas redes sociais

Se você, como médico, já trabalha sua imagem profissional nas redes sociais, perguntamos:  tem tido um bom retorno dos seus seguidores? Na verdade, não consegue avaliar esse feedback? Não sabe quais são seus possíveis erros nas redes sociais? Ou acredita que seja melhor desistir desse meio de comunicação, pois não conseguiu uma boa adesão dos seguidores ao que você publica? Será que essa é a melhor solução?

Facebook, Twitter, LinkedIn, Instagram e outras redes vêm ampliando a facilidade de acesso a informações e reforçam o meio de comunicação bilateral que a internet iniciou. Segundo uma pesquisa divulgada em 2019, o Brasil é o segundo país em tempo gasto em redes sociais. Além disso, a pesquisa ainda mostrou que nos últimos 7 anos o tempo médio gasto nas redes sociais aumentou em quase 60%.

Dentro desse cenário, muitos são os que fazem uso das redes para angariar informações sobre saúde e como manter uma vida de qualidade. Para isso, seguem páginas de médicos no Facebook e Instagram, a fim de obter mais conhecimento sobre determinada doença, por exemplo. Caso o paciente confie nas informações transmitidas pelo profissional, ele pode vir a compartilhá-las e ainda marcar uma consulta com o médico que segue. Ou seja, além de propagar o trabalho do profissional, ainda se torna um cliente em potencial.

Com base nisso, as redes sociais podem ser boas aliadas para o seu crescimento profissional. Caso você já possua uma conta em alguma delas e não esteja vendo resultados positivos, é possível que esteja fazendo algo errado. Para ajudá-lo, apresentamos uma lista com os sete erros mais comuns nas redes sociais e como evitá-los. Se você ainda não iniciou um perfil profissional, mas tem vontade de abrir uma conta em uma delas, fique atento para começar com o pé direito.

1- Atuar sem planejar

Não ter um planejamento de como atuar nas redes sociais pode fazer com que você se perca em suas postagens. Portanto, defina como quer trabalhar. Como médico, você pode estimular a promoção de saúde na sua especialidade, incentivando comportamentos saudáveis. Além disso, a divulgação de dados de pesquisas bem fundamentadas pode também ser uma boa oportunidade de mostrar que você se mantém atualizado.

2- Mesclar perfil profissional com pessoal

Não confunda os dois. Caso pretenda obter relacionamentos que venham a ajudá-lo a se tornar mais conhecido como um bom médico, crie um perfil com objetivo estritamente profissional. Por isso, misturar ambos pode acarretar em descrédito por parte dos seguidores e você ainda pode sentir que perdeu sua privacidade.

3- Ter desprezo e automatismo

É bem provável que as pessoas entrem em contato com você para tirar dúvidas ou até mesmo para dar uma opinião sobre algum conteúdo que você publicou. Não as ignore e nem dê respostas automáticas. Nas redes sociais, as pessoas buscam interação. Assim, marque na agenda um momento do dia para ver como está sua conta na rede e responda aos comentários sempre com educação e clareza.

4- Ignorar reclamações

Não ignore reclamações ou opiniões contrárias. Responda até mesmo as críticas. Responda com polidez e evite discussões. Mantenha a postura profissional e, se preferir, ofereça seu e-mail para que tudo seja esclarecido da melhor forma possível. Em caso de provocações, não revide em tom de ataque. Outro ponto: caso tenha publicado algo errado, peça desculpas e corrija-o o mais rápido que puder.

5- Não entender que as redes são diferentes

Disparar o mesmo conteúdo, da mesma forma, para redes sociais diferentes pode soar impessoal. Por isso, procure entender como cada rede funciona. O Twitter, por exemplo, possui uma linguagem rápida baseada em limite de caracteres e faz pouco uso de imagens, enquanto no Instagram, você possui mais liberdade de textos e, principalmente, de imagens e vídeos. Estude a melhor forma de adaptar seu conteúdo a cada rede.

6- Comprar likes

Fuja da compra de seguidores, fãs ou curtidas. As pessoas podem enxergar seu conteúdo como spam, diminuindo sua credibilidade diante delas e correndo o risco de ser penalizado pela rede social. Portanto, aposte em conteúdo de qualidade, atualizado com frequência e que mantenha um padrão na linguagem do texto e das imagens a serem divulgadas.

7- Não avaliar feedbacks

Não avaliar o feedback pode fazer com que você perca boas oportunidades. Por isso, preste atenção ao que o seu público diz sobre você nas redes, crie enquetes para saber quais são os interesses deles, o que eles gostariam de saber dentro da especialidade que você aborda. Assim, você conseguirá direcionar ainda mais o seu conteúdo para o que de fato interessa a eles.

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O que diz o CFM sobre uso do WhatsApp

whatsapp

Criado em 2009, o WhatsApp é utilizado, atualmente, por mais de dois bilhões de pessoas em mais de 180 países. Além disso, 98% dos usuários do aplicativo no Brasil utilizam-no todos os dias.

Esses números apenas reforçam o que já observamos em nossa realidade. O WhatsApp é muito mais do que um canal de comunicação pessoal, pois muitos profissionais utilizam a ferramenta para entrar em contato com clientes.

Na Saúde não é diferente: pacientes entram em contato com médicos pelo aplicativo, seja para marcar consulta ou tirar dúvidas sobre medicações, diagnósticos e tratamentos.

O que diz o CFM?

O uso do aplicativo é permitido pelo órgão, mas algumas regras devem ser respeitadas. A troca de mensagens por WhatsApp não pode substituir uma consulta, seja ela feita de forma presencial ou por meio de Telemedicina.

Alice Selles, mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial e mentora do curso WhatsApp para consultórios e clínicas, avalia que é natural que, diante da disponibilidade de um médico nas mídias sociais, pacientes busquem obter orientações específicas. Algumas pessoas podem até tentar uma consulta gratuita on-line. “Nesses casos, explique que o Código de Ética Médica proíbe a prescrição sem o exame físico do paciente. Isso vale também para o WhatsApp. Seus pacientes podem enviar fotos, vídeos, áudios e mensagens, mas precisam agendar uma consulta presencial”, destaca.

A especialista enfatiza, ainda, que o médico não é obrigado a fazer consultas por Telemedicina, nem teleorientação, mas, caso opte por adotar essa modalidade, deve se lembrar que o WhatsApp pode ser usado para orientar o paciente e instruí-lo sobre a necessidade ou não de passar por uma consulta presencial.

Parecer CFM nº 14/2017

Esse documento trata especificamente do uso do WhatsApp por médicos. Por meio da publicação, CFM define que é permitido usar o aplicativo e plataformas similares para comunicação entre médicos e pacientes, bem como entre  médicos.

Nesses casos, o contato deve ser feito de forma privada – para enviar dados ou sanar dúvidas – ou em grupos de especialistas ou do corpo clínico de uma instituição. Mas atenção! Essas informações devem ser confidenciais e não podem extrapolar os limites do grupo, impedindo a circulação em grupos recreativos, mesmo que compostos apenas por médicos.

“O que estamos regulando não diz respeito ao uso saudável dos meios de comunicação, mas o abuso, a violação de regras que comprometa a segurança da assistência, do sigilo, ou as de cunho personalíssimo para obter ganho pessoal, como a proibição imposta à divulgação de selfies durante atividade médica, bem como imagens do antes e depois”, reforça o CFM no documento.

Impacto da telemedicina

Em 19 de março, o CFM editou o Ofício 1756/2020, considerando a pandemia de Covid-19 e a necessidade de proteger médicos e pacientes. Para aperfeiçoar a eficiência dos serviços médicos, enquanto dura a pandemia, o órgão reconhece a utilização da Telemedicina além do disposto na Resolução CFM 1.643/2002. “O ofício não revogou ou modificou permanentemente a Resolução; contudo, sabemos que o mundo e a ciência nunca mais serão os mesmos. De alguma forma, a Telemedicina veio para ficar”, esclarece Alice.

No mesmo caminho, em 20 de março, o Ministério da Saúde editou a Portaria 467/2020, que dispõe em caráter excepcional e temporário sobre as ações de Telemedicina, com o objetivo de regulamentar e operacionalizar as medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública. Além disso, no final do mesmo mês, o Senado aprovou o Projeto de Lei 696/2020, que libera o uso da Telemedicina durante a pandemia de coronavírus no Brasil. Em seguida, a sanção presidencial aprovou o PL.

Alice Selles considera que, com a autorização para modalidades da Telemedicina no Brasil, tudo que se sabia sobre o que era permitido fazer em termos de orientar pacientes usando aplicativos foi alterado, já que a normatização inclui a teleorientação e a teleconsulta como modalidades possíveis. “O cuidado aqui deve ser com o nível de segurança exigido: o WhatsApp é excelente para a teleorientação, mas, apesar de criptografado, não é reconhecido para a realização de teleconsultas com segurança”, ressalta.

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Glosa Médica: como evitá-la?

glosa médica

No dia a dia, os profissionais da Saúde precisam lidar com situações de todos os tipos. Em alguns casos, o paciente chega ao consultório, apresenta a carteira do seu convênio, realiza um procedimento e deixa o consultório com seu problema resolvido. Porém, para o médico, essa não é a realidade.

Ao final do processo, é preciso enviar uma solicitação de prestação de contas para que as operadoras de saúde possam reembolsar o prestador. Nesse trâmite, porém, o médico pode encontrar um obstáculo: a glosa médica.

Glosa é toda cobrança efetuada que não coincide com os acordos e as regras firmadas entre o serviço contratado e a empresa contratante. Na área da Saúde Suplementar, a glosa médica ocorre quando o plano de saúde suspende o pagamento de serviços contratados, como consultas, atendimentos, medicamentos, materiais ou taxas cobradas por hospitais, clínicas, laboratórios ou outros profissionais de saúde conveniados, repassando esse custo para os prestadores do serviço.

Operadora versus prestador de serviço

No geral, a relação entre os planos de saúde e os médicos é complexa, principalmente quando o assunto é glosa médica. Para Marcelo Brito, presidente da Federação Baiana de Saúde (Febase), esse relacionamento se torna conflituoso, pois um dos lados sai perdendo.

“A operadora pede que o médico atenda, mas ela deseja que você não atenda, e se atender, que seja pelo menor custo possível, o que nem sempre é viável, dependendo da doença apresentada pelo beneficiário do plano, para que você possa realizar o tratamento ou a recuperação do estado de saúde desse mesmo usuário. Ou seja, não é uma relação na qual os dois lados ganham: é uma relação que para um ganhar, o outro tem que perder”, analisa.

Ao estabelecer o contrato com médicos autônomos ou clínicas, há uma série de critérios que devem ser estabelecidos. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é obrigatório formalizar, em contratos escritos entre operadoras e prestadores de serviços, as obrigações e as responsabilidades entre essas empresas. Caso não existam esses documentos, a ANS poderá aplicar as penalidades previstas na Resolução n° 124/2006.

Segundo Rodrigo Andrade, advogado da Confederação Nacional de Saúde (CNS), em muitos contratos, os critérios não são claros. Com isso, as operadoras se reservam o direito de glosar as contas, muitas vezes sem qualquer justificativa. “Por vezes, as operadoras alegam que o material usado no procedimento é mais caro do que o autorizado, outras vezes não dão explicação. Além disso, os critérios, prazos e procedimentos variam de uma operadora para outra, sendo completamente feitos dentro do seu próprio sistema de informações. Como não há prazo para a conclusão da auditoria, o prestador pode ficar esperando anos pelo pagamento da conta, sem previsão de esclarecimento”, alerta.

Glosa Médica no dia a dia

De acordo com um boletim divulgado pela Federação dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas e Demais Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (Fehoesp), em março de 2018, 90% das clínicas médicas sofreram com glosas praticadas por planos de saúde.

Márcia Massari, gerente de contas médicas do Hospital Prontobaby, no Rio de Janeiro, revela que as glosas mais comuns são as administrativas, pois dependem do correto cadastro do paciente no sistema, como matrícula, solicitações de autorizações e senhas, o que frequentemente gera erros.

“Para evitar essas situações, temos sempre que verificar se todos os dados do paciente estão corretos, além de conferir se as guias estão devidamente assinadas e preenchidas, e enviar também documentação comprovando a realização dos procedimentos cobrados e justificativas técnicas, quando necessário”, resume.

Para Brito, outro tipo de glosa comum é em relação a valores. “Há uma tabela determinada em contrato, e a operadora, por alguma razão, passa a dizer que aquele valor acordado ficou desatualizado. Com isso, ela passa a aplicar um novo valor, sem a concordância nem a aceitação por parte do prestador de serviço”, exemplifica.

A fim de evitar essas situações, o médico aconselha: “O que se pode fazer é ter muito cuidado na confecção da fatura e ter uma equipe absolutamente preparada para isso, além de ter um sistema de informática de faturamento robusto, para que o médico possa apresentar a fatura”.

Segundo Márcia, a agilidade do prestador de serviços também pode auxiliá-lo no ato de recorrer de uma glosa. “Quanto mais rápido ele analisar as glosas e fizer o recurso, mais rápida será a resposta do recurso. Existem várias formas de realizar os recursos, que são determinadas pela operadora: por meio do próprio site da operadora, por planilhas em Excel, por telefone, presencialmente e outros meios”, afirma.

Tecnologia em foco

Usar a tecnologia também tem se mostrado uma ótima forma de evitar as glosas. “Antigamente, os recursos eram, em sua maioria, presenciais. Hoje, com avanço da tecnologia de informação, a maioria dos recursos são feitos pelo site da operadora, ocorrendo mais agilidade e otimizando tempo”, constata Márcia. A tecnologia melhora a troca de informações e ajuda a organizar dados, otimizando a rotina de consultórios. A implantação de prontuários eletrônicos é um bom exemplo dessa ferramenta.

Essas plataformas reduzem de maneira significativa o número de erros e deixa as informações mais claras, além de padronizar os processos. “A própria ANS determinou um critério de apresentação de glosas, um formulário eletrônico padronizadoPorém, a maioria das operadoras não implementou o arquivo. Ou seja, elas não têm interesse em justificar essa glosa, pois permite ao prestador apresentar recursos ou acirrar o relacionamento se a glosa for indevida. Podendo ele exigir o pagamento integral, sob pena até de uma rescisão contratual”, sustenta Brito.

Tipos de Glosa

  • Administrativa: é caracterizada por processos administrativos incorretos, como erros no preenchimento do número da carteira do beneficiário ou do código de um procedimento, realização de um serviço não coberto pelo plano, falta de assinatura do paciente ou do médico na ficha clínica, entre outras situações.
  • Técnica: está associada à necessidade de um auditor para avaliar procedimentos cobrados sem argumentação técnico-científica, como descrição incompleta da assistência de enfermagem prestada no prontuário do paciente, anotações realizadas a lápis e utilização de um procedimento diferente daquele autorizado pelo plano.
  • Linear: são recorrentes de uma postura unilateral dos convênios ou planos de saúde e podem caracterizar prática irregular e possibilitar visita técnica e outras medidas regulatórias por parte da ANS.

Orientação jurídica

Como recorrer de uma glosa médica?

O prestador precisa buscar o Poder Judiciário, para que seja declarado o abuso dessa prática e para a operadora ser condenada a pagar pelos serviços.

É uma situação complicada e nem sempre recomendável, pois as operadoras são verdadeiros gigantes e, na maioria das vezes, a maior parte do faturamento desses profissionais decorre do atendimento pelos planos de saúde. Isso significa que, para o prestador, o vínculo com a operadora faz toda a diferença para sua sobrevivência, mas a recíproca não é verdadeira: a operadora pode descredenciar o profissional quando quiser, e isso não a afetará.

As operadoras descredenciam os médicos devido às glosas?

As operadoras não descredenciam por glosas reiteradas. Para elas, não faz diferença, já que simplesmente suspendem o pagamento e, se pagarem meses depois, não incluirão juros nem atualização financeira. As operadoras apenas ameaçam descredenciar os profissionais se eles questionarem muito ou se buscarem o Judiciário contra elas.

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Qual é o tempo ideal de duração da consulta?

tempo consulta

Quanto tempo deve durar uma consulta? Essa é uma dúvida frequente entre médicos e pacientes e, muitas vezes, as respostas para essa pergunta podem ser diferentes.

Uma consulta rápida pode trazer prejuízos tanto para quem atende como para quem recebe o atendimento. Por este motivo, é essencial ter conhecimento sobre o que os órgãos oficiais orientam sobre o assunto.

De acordo com a Portaria nº 3046, do Ministério da Saúde, e a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tempo sugerido para que a consulta seja realizada de maneira adequada é de 15 minutos para a carga horária de 20 horas semanais. O Conselho Federal de Medicina (CFM), contudo, entende que a consulta deva durar o tempo necessário para que o médico realize toda a avaliação do paciente.

Os pareceres CREMESP nºs 1.138/97; 24.358/97 e 29.349/97 declaram que o tempo reduzido de consulta pode acarretar baixa qualidade do atendimento, por eventual falta de procedimentos indispensáveis, como:

  • Anamnese;
  • Solicitação de exames diagnósticos;
  • Prescrição e orientação da medicação.

Atenção aos detalhes

Segundo Emmanuel Fortes, terceiro vice-presidente do CFM, a consulta apressada impossibilita que o médico compreenda adequadamente o problema do paciente. “Nesses casos, a menos que se trate de um paciente que já é acompanhado por um mesmo médico há bastante tempo e que apresenta recaídas de uma mesma doença, a consulta pode ser abreviada, pois o profissional já possui o histórico daquele paciente e conhece os seus problemas”, esclarece.

Ainda assim, é recomendável que o médico preste bastante atenção nas queixas dos pacientes, pois a formulação do diagnóstico passa por diversas etapas. Uma consulta rápida faz com que muitos elementos importantes passem desapercebidos.

“Só no olhar, o médico pode realizar uma inspeção prévia do paciente, observando sua cor, marcha, se possui edema, entre outros fatores. Esses detalhes são aprendidos durante o curso de Medicina para avaliação preliminar propedêutica – um aprendizado fundamental para o médico”, reforça Emmanuel.

Teoria e prática

Os aprendizados sobre o planejamento de uma consulta iniciam quando o médico está no terceiro ano de faculdade. Com isso, esse profissional pode elaborar uma estratégia de investigação. A semiologia ensina a realizar uma avaliação adequada dos sintomas do paciente para que, então, seja construída uma hipótese de diagnóstico.

Algumas especialidades realizam avaliações muito minuciosas e outras nem tanto, mas, de qualquer forma, todos os profissionais precisam fazer a avaliação de acordo com o que aprendem quando começa a parte clínica da formação médica. É o que recomenda o membro da diretoria do CFM.

O interrogatório sobre os sintomas dos pacientes é um procedimento que pode levar tempo. O médico deve sempre questionar o motivo da visita, o que o paciente está precisando e como pode ajudá-lo. Além disso, o profissional precisa compreender que a atenção contempla a anamnese, os exames físicos e possíveis avaliações complementares, para que, então, possa ser construída uma hipótese de diagnóstico.

Confira!

A Resolução CFM nº 2056/2013 apresenta um roteiro de anamnese, exames físicos e outros registros que o médico precisa fazer no prontuário do paciente.

A Resolução CFM nº 1.638/2002 em seu artigo 5º estabelece os itens que deverão constar obrigatoriamente do prontuário eletrônico ou papel.

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Empatia de máscara: humanização durante a pandemia

empatia

A empatia tem o poder de mudar as relações humanas de maneira geral. Na Medicina, uma dose dessa prática no atendimento pode potencializar a terapêutica instituída e melhorar a relação entre médico e paciente. No entanto, durante uma pandemia, esse comportamento se torna urgente. A fragilidade diante do desconhecido, o medo, a insegurança e as dúvidas são motivadores para que a humanização no atendimento cresça e se faça presente.

Uma pessoa atendida por profissionais com empatia é informada com delicadeza e tem as suas preocupações ouvidas com atenção pelo profissional de saúde. Para Guilherme Sargentelli, pediatra do Hospital Municipal Lourenço Jorge, no Rio de Janeiro, a empatia é fundamental ao atendimento médico, em qualquer momento da vida.

“Conseguir colocar-se no lugar do paciente é primordial para que o médico possa ser mais assertivo e proporcionar uma maior transferência no momento da consulta. Na pandemia, essa condição amplia-se exponencialmente”, defende o médico.

Em 2003, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Humanização com a finalidade de promover mudanças na cultura do atendimento de saúde no Brasil. Apesar do tempo, alguns princípios do documento são extremamente necessários nos dias de hoje, principalmente durante a pandemia. Entenda como alguns deles podem ser aplicados neste momento:

Colaboração

O antigo modelo de cuidado em que o profissional de saúde assumia uma posição de autoridade e o paciente devia seguir suas orientações deve ceder lugar ao trabalho colaborativo entre esses dois públicos. Nesse formato, médico e sua equipe, paciente e familiares são envolvidos em todas as etapas do atendimento e do tratamento, participando de maneira conjunta da tomada de decisões. Assim, é oferecido conforto sem comprometer a eficácia do tratamento.

Comunicação

Ao buscar um serviço de saúde, o paciente não procura apenas a solução para uma queixa física, mas também algum conforto emocional. Essa é a premissa básica do atendimento médico humanizado escutar a queixa, sem minimizar sintomas ou negligenciar alguém com dificuldade de expressar o que sente, é o primeiro passo para acolher o indivíduo de forma empática.

Descomplicar as informações, substituindo termos técnicos por linguagem acessível também é fundamental para aproximar as duas partes e desenvolver um vínculo de confiança. Passar informações com clareza é outro ponto-chave, sobretudo para comunicação de diagnósticos difíceis, quando se deve assegurar que o paciente entendeu o que foi dito.

Atenção às equipes

A empatia também deve abranger a rotina interna de médicos, equipes e gestores em suas unidades de saúde. A ideia é que proporcionar boas condições de trabalho e um ambiente saudável para os profissionais de saúde se reflete diretamente na qualidade do cuidado prestado aos pacientes. Durante o estresse de uma pandemia, por exemplo, é interessante disponibilizar atendimento psicológico aos profissionais da saúde, principalmente aqueles que trabalham na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Satisfeitos e recebendo cuidados da própria saúde mental, esses profissionais se tornam mais preparados para prestar um atendimento humanizado aos pacientes.

Apesar de haver uma barreira inicial durante as consultas, ainda há espaço para práticas empáticas, mesmo com o isolamento social. “Promover a empatia implica em uma postura de escuta do médico, de dar voz ao paciente, para que ele sinta que sua fala teve repercussão e que o médico está interessado no seu caso. Isso pode ser auxiliado pelo sorriso dos olhos, por uma fala sem julgamentos do profissional e por uma compreensão de que aquele é um momento único de apoio ao paciente”, conclui Sargentelli.

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Relação com o paciente a distância: como fica?

Relação com o paciente

De todas as profissões, a Medicina é uma das que mais se destaca quando falamos sobre relação interpessoal. Afinal, até pouco tempo, era praticamente impossível imaginar uma consulta que não fosse a presencial, com uma anamnese feita “olho no olho”. Com o desenvolvimento e o avanço da Telemedicina, essa relação com o paciente vem mudando constantemente e tem se tornado um desafio para os profissionais, que precisam preservar, além da qualidade do atendimento, a credibilidade e a confiança que conquistaram com seus pacientes.

É justamente por meio dessa troca que o médico consegue realizar um trabalho de excelência. Mas, para isso, é fundamental saber eleger as melhores estratégias para a construção de um vínculo duradouro, baseado no respeito e na ética. E esse plano deve ser pensado para duas vertentes: a parte prática, que envolve questões como o tempo de espera pela consulta e como foi o processo de agendamento; e a parte mais subjetiva, que engloba o envolvimento do profissional com o paciente e o tratamento oferecido durante o atendimento.

Para te ajudar a melhorar sua relação médico-paciente, sobretudo aqueles tratados de forma remota, reunimos algumas dicas:

Foque e conecte-se com o paciente

Não se distraia! Todos nós procuramos serviços médicos porque estamos convivendo com algum problema. E, ao marcar um horário, tudo o que o seu paciente deseja é ser ouvido e valorizado. Então, dedique-se 100% a todas as informações que forem passadas por ele; tente ao máximo lembrar do histórico desse paciente, obtido em consultas anteriores; reserve um tempo suficiente para cada um deles; evite atrasos; e não utilize uma linguagem muito técnica e de difícil compreensão.

Invista em você e em sua marca

Apesar do marketing ter origem no escopo da Comunicação, ele é essencial para todas as áreas de atuação. O marketing médico, especificamente, é a ferramenta que vai lhe auxiliar a conquistar sua reputação e, consequentemente, seu espaço no mercado. Por isso, invista na sua marca, ganhe credibilidade e se torne uma referência para conquistar ainda mais esse paciente episódico/remoto.

Não se esqueça do atendimento humanizado.

Confiança é um dos pilares fundamentais para o surgimento e para a continuidade de qualquer relação. E você só consegue adquirir isso demonstrando ao paciente que ele não é mais um! Seja atencioso, mostre empatia e solidariedade à situação do paciente.

Busque os feedbacks e mostre interesse.

Por mais que esse passo esteja relacionado ao pós-consulta, é importantíssimo ter em mente que não se trata de um paciente antigo, mas daquele que você não tem tanto contato e ainda não conquistou sua fidelidade. Por isso, deixe claro que você se importa com ele e com a opinião sobre o consultório e a consulta oferecida. Mantenha-se aberto e disposto a receber suas dúvidas ou até mesmo críticas. E sempre aproveite esses momentos para crescer e se aprimorar, tanto pessoal quanto profissionalmente.

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Como as sociedades médicas atuam na educação do paciente?

educação do paciente

Na atualidade, um atendimento de excelência não se baseia apenas em diagnosticar e tratar a condição de saúde de uma pessoa. A educação do paciente conquistou seu espaço na Medicina e esta se mostra uma tendência fundamental para complementar o trabalho dos profissionais de saúde. Nesse sentido, algumas sociedades médicas têm fortalecido suas mídias sociais ao criar espaços focados apenas no paciente. Essas instituições têm se engajado cada vez mais nesse formato de comunicação, seja com páginas nas mídias sociais, lives, podcasts ou programas de teleorientação voluntária, por exemplo.

Por isso, conversamos com representantes de três dessas sociedades, que trouxeram algumas informações sobre o posicionamento de cada entidade em relação à educação do paciente. Acompanhe a seguir.

Conselho Brasileiro de Oftalmologia

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) tem se engajado de forma crescente na educação de médicos e pacientes. De acordo com Cristiano Caixeta, vice-presidente do CBO, o conselho entende que a melhor maneira de educar é informar e, por isso, ele se preocupa tanto em transmitir ao paciente as informações de maneira correta e objetiva. “Uma pessoa que é consciente de suas atividades é muito mais responsável com o seu tratamento”, pontua o representante.

Além disso, o vice-presidente revela que a medicina preventiva é fundamental na solução de vários problemas e só é possível por meio da educação da população de forma plena e correta. “O conselho não minimizou esforços para usar todos os seus canais de comunicação: site, mídias sociais como Instagram e Facebook, com a realização de lives com a presença de pacientes e professores, nas quais o diálogo é simples e franco e o público leigo é capaz de interpretar e questionar por meio dos chats”, destaca.

Um grande exemplo de ação adotada pelo CBO com foco na educação do paciente é o programa de teleorientação “Brasil que Enxerga”.  O objetivo de sua criação foi orientar e instruir os pacientes que perderam contato com seus médicos durante a pandemia de Covid-19. “É fundamental que ações como essa tornem-se cada vez mais frequentes, e o conselho tem esse objetivo: tornar essa experiência duradoura com a criação de canais de comunicação para vários outros temas”, acrescenta o vice-presidente.

Sociedade Brasileira de Quadril

A Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ) também tem promovido uma série de iniciativas para esclarecer dúvidas da população sobre diversos assuntos da especialidade. Entre eles estão doenças do quadril, prevenção, tratamentos não invasivos e cirúrgicos e duração de próteses, por exemplo. As ações de educação do paciente adotadas pela sociedade englobam: páginas em Instagram, Facebook e YouTube (com transmissões ao vivo de palestras direcionadas ao público e vídeos da série “Minuto do Quadril”); uma série de talk shows com milhares de visualizações; e outras medidas disponíveis no site.

De acordo com Giancarlo Polesello, presidente da SBQ, atualmente, divulgar conteúdos em uma linguagem específica para o paciente é essencial. “A proliferação de fake news, na internet e em grupos de WhatsApp, fez com que tivéssemos que agir rapidamente para elaborar conteúdos relevantes e confiáveis para o público. Estamos fazendo isso em vários formatos de textos e vídeos para atingir o maior número de pessoas”, revela.

Para Polesello, ações que promovam a educação do paciente geram uma série de benefícios. Isso porque o paciente bem informado entende melhor um tratamento, cuida mais da sua saúde e toma atitudes preventivas que melhoram a qualidade de vida. “Os médicos podem reproduzir em suas próprias mídias sociais os nossos conteúdos. É interessante que eles também recomendem aos seus pacientes buscar informações com credibilidade”, assegura o presidente da SBQ.

Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) também se destaca entre as sociedades que têm se posicionado ativamente no ato de educar os pacientes. Segundo Ricardo Pavanello, diretor de Comunicação da Socesp, a entidade possui uma grande tradição em promover ações voltadas ao público e, com a pandemia, intensificou ainda mais a sua comunicação pelas mídias sociais. “A Socesp possui páginas ativas no Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin, Spotify e YouTube, além de um site inteiramente dedicado à população”, informa.

De acordo com Pavanello, o site conta com dicas sobre prevenção cardiovascular, qualidade de vida, informações sobre fatores de risco para o coração e outros materiais educativos. “O site, que foi reformulado recentemente, traz informações confiáveis validadas por cardiologistas, nutricionistas, educadores físicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, dentistas, assistentes sociais e psicólogos da entidade”, complementa.

O diretor de comunicação da sociedade explica que, no Brasil, as doenças cardiovasculares matam mais que câncer, doenças respiratórias e mortes violentas. Segundo o representante, esse número de óbitos é muito maior do que o próprio coronavírus irá vitimar ao longo de 2020, o que mostra a importância de se focar em uma linguagem específica para o paciente. “Divulgar conteúdos confiáveis e de qualidade é dar informação para que a população possa cuidar mais da própria saúde”, pontua.

Conheça algumas das iniciativas:

CBO

SBQ

Socesp

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Telemedicina: qual a opinião do paciente?

telemedicina

Recentemente, uma pesquisa americana publicada originalmente pela Medical Economics, entrevistou mil pacientes adultos para entender a relação deles com a prática de Telemedicina durante a pandemia de Covid-19. Para coletar os dados, os pesquisadores também levaram em consideração a idade dos entrevistados, analisando três principais segmentos geracionais:

  • Millennials (18–36 anos)
  • Geração X (37–52 anos)
  • Baby boomers (acima de 53 anos)

Descobriu-se que mais de 75% dos que fizeram o atendimento remoto mostraram-se muito ou completamente satisfeitos com a experiência. Contudo, os resultados também sugerem que as instituições de saúde precisam aprimorar a experiência, a aquisição e a retenção dos pacientes, descomplicando o agendamento e o acompanhamento virtual.

A maioria dos entrevistados fez uma avaliação positiva de suas experiências com a Telemedicina, tanto que 50% indicaram que estariam dispostos a mudar de provedor para ter atendimento virtual regularmente. Por outro lado, menos de 50% dos entrevistados relataram que deixaram suas visitas sabendo quais eram as próximas etapas; e menos de 1/3 recebeu acompanhamento por escrito ou por e-mail.

Outras descobertas do estudo

Aumento na procura por agendamento online

Ainda que apenas 30% dos entrevistados tenham agendado suas visitas virtuais on-line, 54% afirmaram preferir esse método de reserva no futuro.

Alta demanda, baixa conscientização

Apesar de muitos desejarem fazer uso da Telemedicina, a conscientização sobre como realizar esse acesso é relativamente baixa. Menos de metade dos entrevistados relatou compreender claramente como seria possível acessar as visitas de atendimento virtual no futuro após o término de suas consultas.

Compreensão dos pacientes sobre os próximos passos após a(s) visita(s) virtual(is)

45% “Saí da visita sabendo quais eram os próximos passos”

45% “Eu entendi claramente como eu poderia acessar as visitas virtuais de atendimento no futuro”

Custo-benefício considerável

Um quarto dos entrevistados disse que pretende utilizar o atendimento virtual no futuro, mesmo que esse serviço não seja coberto pelo seguro de saúde e precisem arcar com a despesa por conta própria.

Nesse cenário, o estudo reforçou a tensão que a Covid-19 colocou no acesso dos pacientes gerou um aumento na disponibilidade e adoção de cuidados virtuais. A pesquisa mostrou também que os pacientes não apenas adotaram a Telemedicina como uma alternativa de curto prazo às visitas pessoais, mas agora também a procuram como parte permanente de seus cuidados de saúde.

 

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Médicos no YouTube: educando o paciente à distância

youtube

Um grande problema enfrentado pelos médicos ao longo da carreira é lidar com a educação do paciente. Apesar de a pessoa ir presencialmente até o consultório ou clínica para o atendimento, nem sempre todas as dúvidas são sanadas no encontro, além de outros questionamentos surgirem durante o tratamento.

A consulta raramente termina quando o paciente sai pela porta, estendendo-se por telefone e, principalmente, em conversas via WhatsApp. Por isso, no intuito de reverter esse quadro, muitos profissionais têm usado as redes sociais como alternativa para acabar com o vácuo entre médico e paciente, assim como sites com detalhes sobre doenças, procedimentos clínicos e suas especialidades.

Alguns profissionais também optaram pelo Instagram para passar informação mais resumida e de forma instantânea, assim como dar detalhes da rotina. Entretanto, outros preferem o Facebook para interagir e divulgar notícias interessantes da área, mas uma outra rede social vem se tornando um canal importante para a educação do paciente: o YouTube.

Com mais de 1 bilhão de usuários ativos, o serviço de broadcast é utilizado estrategicamente por médicos para continuar o relacionamento pós-consulta, educar o paciente via vídeos informativos e reforçar a marca do próprio profissional, bem como de sua clínica ou consultório.

É o caso do dermatologista Lucas Fustinoni. Ultrapassando a marca de 1,7 milhões de inscritos em seu canal, o médico investe na plataforma de vídeos há quase cinco anos. De acordo com ele, a iniciativa surgiu pela preocupação com a baixa qualidade das informações disseminadas na internet. “A ideia de criar o canal no YouTube foi para levar mais informações aos pacientes. Eu percebi que muitas pessoas chegavam desinformadas na consulta, confusas e com pouco conhecimento científico”, analisa.

Prioridade na educação do paciente

Fustinoni esclarece que os vídeos são pautados com base científica, uma vez que muitas informações disseminadas são sensacionalistas e os pacientes estão cada vez mais exigentes. “Vejo um amadurecimento da internet brasileira. Todo o conteúdo disponibilizado no meu canal do YouTube é respaldado com referências científicas de qualidade para evitar informações falsas e de fontes duvidosas”, explica.

A ginecologista Laura Lucia Martins também apostou na educação do paciente via YouTube. Com cerca de 620 mil inscritos em seu canal, a médica começou a investir nessa área ainda em 2006, no extinto Orkut. Assim, a especialista participava da rede com objetivo de esclarecer dúvidas. “A iniciativa partiu de uma paciente muito querida, que criou uma comunidade para mim, e eu comecei a promover debates sobre diversos assuntos de saúde. Mais tarde, em 2008, tudo aquilo que eu escrevi acabou se tornando um site”, relembra.

Laura não parou por aí. A ginecologista criou um perfil no Instagram para produzir conteúdo e ampliar seu alcance. No entanto, por conta do limite na duração dos vídeos, a médica optou pela criação do canal no YouTube. “O canal foi fruto de todo o passado nas redes sociais. Até hoje me espanto com o sucesso dele e vejo como as pessoas estão realmente preocupadas com informações de qualidade sobre saúde fornecidas por especialistas com autoridade e não por blogueiras. Portanto, eu vejo o YouTube como a melhor ferramenta para praticar a educação do paciente, sem esquecer dos aspectos éticos”, destaca.

Atenção ao Código de Ética Médica

Também atento às normas do Código de Ética Médica (CEM), Fustinoni conta com uma assessoria jurídica para não infringir nenhuma orientação do documento. “Todos os vídeos seguem as normas do Código de Ética Médica. Nossa equipe consulta um escritório especializado nessa área e nenhuma das nossas produções sofreu qualquer tipo de sanção nesses quase cinco anos de canal”, comemora.

Laura, por sua vez, recomenda cuidado na hora de se posicionar nas redes sociais, não só no YouTube. Ela lembra que o código passou por alterações e que as atualizações devem ser seguidas para evitar problemas na justiça. “Todas as redes sociais merecem atenção em relação ao CEM. Os médicos não podem divulgar marcas ou dar diagnósticos para os pacientes pelas mídias. Isso jamais poderá ser feito”, enfatiza.

Autoridade digital

Criadora da primeira campanha de saúde íntima do Brasil, chamada Saia com Saia, a ginecologista reforça que muitas mulheres não conhecem o básico sobre o tema. O perfil do projeto já conta com mais de 55 mil seguidores no Instagram e, segundo Laura, as pessoas não tinham uma referência médica para falar a respeito do assunto. “O YouTube reforça o meu relacionamento com o paciente, esclarecendo dúvidas sobre esse e outros temas, além de me tornar uma autoridade dentro da minha área de atuação”, afirma.

Autor do e-book Calvície: é genética ou tem cura?, Lucas decidiu não só reunir as principais dúvidas e informações sobre esse tema na publicação, como criar uma landing page para fazer o cadastro dos pacientes, sendo essa uma estratégia muito usada no marketing digital atualmente. “O e-book foi pensado para condensar todos os questionamentos dos pacientes em um único material de maneira fácil e divertida”, conclui.

Números do YouTube

Comprado pelo Google em 2006, o YouTube é a principal plataforma de compartilhamento de vídeos do mundo. Veja alguns números da rede social:

  • US$1,65 bilhão foi o valor que o Google pagou para comprar o YouTube.
  • 1,9 bilhão de usuários ativos mensalmente.
  • Mais de 1 bilhão de horas assistidas todos os dias.
  • Cerca de 70% dos acessos vêm dos dispositivos móveis.
  • 87% das empresas usam vídeos como estratégia de marketing.
  • O YouTube está presente em 91 países e 80 idiomas.
  • É o segundo maior buscador do mundo, perdendo apenas para o próprio Google.
  • Em 2017, a plataforma tinha quase 100 milhões de usuários no Brasil.
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Telemedicina: 4 passos para começar a utilizar

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A Medicina dá mais um passo rumo à transformação digital. Com a pandemia de Covid-19, a telemedicina, assunto muito discutido nos últimos anos, foi aprovada como forma de facilitar o acesso do paciente ao médico durante esse período. Porém, apesar de representar uma ótima ferramenta para otimizar a atenção em Saúde, facilitar diagnósticos de forma remota, além de possibilitar a interpretação de exames e a emissão de laudos a distância, é preciso estar preparado para começar a trabalhar com telemedicina.

Confira a seguir 4 passos essenciais para a carreira de todos os médicos que desejam ingressar nessa nova realidade:

1- Defina de que forma você quer utilizá-la

O primeiro passo que todo profissional deve ter em mente ao começar a atender por meio da telemedicina é definir de que forma deseja utilizar esse novo modo de cuidar dos pacientes. Nesse sentido, sabe-se que a ferramenta pode ser dividida em: teleorientação, teleconsulta, teleinterconsulta, teleducação e telediagnóstico (emissão de laudos a distância).

De acordo com Alexandre Taleb, coordenador do Núcleo de Telemedicina e Telessaúde na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, se um médico souber o que espera, poderá selecionar as melhores ferramentas para o atendimento e obterá os melhores resultados. “Há colegas que desejam apenas fazer teleorientação: passar orientações de tratamentos já prescritos, tirar dúvidas sobre medicamentos ou acompanhar um pós operatório, sem necessidade de prescrição de novos fármacos”, explica.

Nesses casos, o especialista pontua que uma ferramenta de interação de áudio e vídeo segura é suficiente. “Há outros colegas, entretanto, que desejam fazer uma teleconsulta, com prescrição de receita e até laudos e atestados”, destaca. Em situações como essa, segundo Taleb uma plataforma com prontuário eletrônico e um certificado digital também será necessária. “Uma vez que o médico tenha definidos os seus objetivos, ele verá que um mundo de possibilidades se abrirá” revela.

2- Esteja preparado tecnologicamente

Outro passo muito importante para ingressar na telemedicina é estar preparado tecnologicamente. Antes de querer iniciar os atendimentos a distância, é preciso organizar algumas ferramentas que irão permitir que a prática seja bem sucedida e evitar que falhas atrapalhem o serviço assistencial.

Portanto, alguns pilares básicos são necessários para que os médicos possam estruturar suas atividades:

  • Equipamentos adequados ao que se pretende;
  • Ambiente Virtual de Atendimento;
  • Conexão segura e redundante à internet;
  • Prontuário eletrônico;
  • Certificado digital;
  • Termo de consentimento;
  • Protocolos de segurança de dados.

3- Priorize sempre ética e transparência

Segundo Taleb, os preceitos éticos independem da forma de interação, já que o mundo virtual deve seguir o que acontece no mundo real. “Os pacientes devem ser tratados com a mesma forma, respeito e honestidade com que são tratados presencialmente”, assegura.

Além disso, segundo o especialista em Telemedicina, os dados devem ser anotados em prontuário eletrônico. “Gosto de definir a telemedicina como um novo modo de cuidar. Agora podemos, também, cuidar virtualmente dos nossos pacientes, ampliando, de forma segura e ética, o acolhimento e a atenção à saúde deles”, complementa.

4- Telemedicina não substitui o cuidado presencial

Por último, ter em mente que a telemedicina não substitui as consultas presenciais é fundamental para garantir a responsabilidade profissional. “Deve haver transparência em comunicar o que é possível e o que não é possível de se fazer virtualmente, com humildade de reconhecer o momento em que uma consulta virtual deve ser interrompida e o paciente encaminhado para atendimento presencial, seja ele de urgência ou não”, destaca Taleb.

Além disso, ele assegura que a telemedicina não substitui o cuidado presencial, mas, quando bem indicada, é uma opção muito valiosa para os pacientes. “Não vejo como não permitir que essa prática se torne perene. É fundamental, entretanto, que as normas sejam colocadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para que todos possamos atuar tranquilos e com plataformas que obedeçam às regras”, pontua.

Para muitos especialistas, a telemedicina veio para ficar, independentemente dos desafios que o novo formato propõe à carreira médica. Nesse sentido, Taleb afirma que cada médico tem uma rotina e um modo de trabalho e, por isso, esse tipo de atendimento deve ser inserido de forma a respeitar as características individuais. “O médico precisa identificar como a telemedicina pode agregar valor ao cuidado que ele já dispensa a seus pacientes”, conclui.