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Alerta da ANS: cuidados com a saúde não podem parar

No momento em que a sociedade está empenhada no sentido de frear o crescimento de casos de contaminação pelo coronavírus, praticando o distanciamento social e evitando sair de casa, há alguns pontos relevantes que precisam ser considerados sobre os cuidados que todos devem ter com a saúde:

  1. Tratamentos continuados não podem ser interrompidos, sob pena de colocarem em risco a vida dos pacientes: atendimentos relacionados ao pré-natal, parto e puerpério; doenças crônicas; revisões pós-operatórias; diagnóstico e terapias em oncologia, psiquiatria e outros tratamentos continuados ou cuja não realização ou interrupção coloque em risco o paciente devem ser mantidos pelos beneficiários de planos de saúde, de acordo com declaração do médico assistente (atestado). Para esses casos, não houve prorrogação ou suspensão de prazos de atendimento, devendo ser considerados os prazos estabelecidos na Resolução Normativa nº 259.
  2. Atendimentos de urgência e emergência devem ser realizados imediatamente: não houve qualquer alteração de prazo para a assistência aos casos de urgência e emergência. O beneficiário continua tendo direito ao atendimento imediato, tal como estabelecido na Resolução Normativa nº 259. Para esses casos, deve-se apenas considerar a carência de 24 horas após a contratação do plano.
  3. Internações e cirurgias eletivas não estão proibidas:  a ANS suspendeu, até 31/05/2020, os prazos máximos para atendimento em regime de hospital-dia e atendimento em regime de internação eletiva. A medida tem o objetivo de reduzir a sobrecarga das unidades de saúde e de evitar a exposição desnecessária de beneficiários ao risco de contaminação pelo coronavírus. Ressalta-se, portanto, que a realização de cirurgias e internações não está suspensa ou vedada pela ANS e que a suspensão de prazos máximos para tais procedimentos  não atinge os casos de tratamentos continuados mencionados acima, nem aqueles para os quais o médico assistente declarar a necessidade de realização do procedimento, casos em que valem os prazos da RN 259.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) volta a enfatizar que a prorrogação e suspensão de prazos máximos de atendimento a beneficiários de planos de saúde foi uma medida visando a redução da sobrecarga das unidades de saúde, a exposição desnecessária de beneficiários ao risco de contaminação pelo coronavírus e a possibilidade de priorização da assistência aos casos graves da Covid-19, sem prejuízo ao atendimento aos demais consumidores, sobretudo àqueles que não podem ter seus tratamentos adiados ou interrompidos.

Também é importante esclarecer que as operadoras são livres para atenderem seus beneficiários em menor prazo, se identificarem que sua rede prestadora tem capacidade de atendimento.

Atendimento à distância

A ANS vem recomendando que, sempre que possível, os beneficiários procurem aconselhamento médico por telefone ou outras tecnologias que possibilitem, de forma não presencial, a troca de informações para diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças.

A utilização do atendimento à distância (telessaúde) para os beneficiários de planos de saúde também tem o objetivo de priorizar o isolamento social e evitar a sobrecarga dos serviços de saúde.

Para ser atendido remotamente, o beneficiário deve entrar em contato com a operadora do seu plano de saúde, que lhe informará quais prestadores de serviços estão credenciados para realizar esse tipo de atendimento. É importante que os atendimentos realizados por intermédio da telessaúde sempre observem os limites autorizados pelas normativas dos respectivos Conselhos Profissionais, pelo Ministério da Saúde e, a partir de agora, também pela lei federal que autoriza o uso de telemedicina.

A ANS reforça que os atendimentos à distância realizados pelos profissionais de saúde que compõem a rede assistencial do plano – na forma autorizada por seu conselho profissional e que foram previamente pactuados entre a operadora e seus prestadores de serviços de saúde – são de cobertura obrigatória, uma vez atendida a diretriz de utilização do procedimento. Dessa forma, as operadoras e seus respectivos profissionais de saúde devem envidar esforços para garantir condições adequadas para os atendimentos remotos.

É importante destacar que os prestadores de serviços de saúde não são obrigados a realizar este tipo de atendimento. Contudo, é obrigatório que as operadoras disponibilizem, a seus beneficiários, prestadores de saúde que realizam atendimentos do tipo telessaúde, sendo necessária prévia pactuação entre operadoras e prestadores que estabeleça: a identificação dos serviços que podem ser prestados por telessaúde, os valores que remunerarão os serviços prestados neste tipo de atendimento e os ritos a serem observados para faturamento e pagamento destes serviços.

O beneficiário deve sempre entrar em contato com sua operadora de plano de saúde para que verificar se o estabelecimento e/ou profissional no qual pretende ter atendimento está credenciado para realização de procedimentos e serviços via telessaúde. Não estando, a operadora deverá lhe indicar um profissional ou estabelecimento habilitado na rede credenciada do plano para este tipo de atendimento. Caso o plano do beneficiário tenha previsão de livre escolha de profissionais, mediante reembolso, o atendimento realizado à distância deverá ser reembolsado na forma prevista no contrato.

Vale destacar que esse entendimento a respeito do teleatendimento irá perdurar enquanto o país estiver em situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN). Dessa forma, caso os atendimentos através de telessaúde continuem autorizados pela legislação e regulação nacional após este período, será necessário ajustar os instrumentos contratuais que definem as regras para o relacionamento entre operadoras e prestadores de serviços de saúde.

 

Fonte: Portal ANS (http://www.ans.gov.br/aans/noticias-ans/coronavirus-covid-19/coronavirus-todas-as-noticias/5479-alerta-da-ans-cuidados-com-a-saude-nao-podem-parar)

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Nelson Teich é anunciado como novo ministro da Saúde

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou hoje (16/4), durante pronunciamento, a escolha do oncologista Nelson Teich para substituir Luiz Henrique Mandetta, demitido agora há pouco do Ministério da Saúde.

No discurso, o presidente revelou que um dos pontos principais de sua conversa com Teich foi a preocupação em retomar o comércio e as atividades nas cidades, para evitar o desemprego em massa e aumentar a renda das famílias.

“O que conversei com o oncologista dr. Nelson foi fazer com que ele entendesse a situação como um todo, sem apontar a manutenção da vida, sem esquecer que tínhamos outros problemas ao lado disso, que é o desemprego. Junto com o vírus, veio uma máquina de moer emprego. As pessoas mais humildes começaram a sentir primeiro. Não poderíamos prejudicar os mais necessitados. Não tem como ficar em casa por muito tempo sem buscar alimento”, disse Bolsonaro.

No pronunciamento, em que novamente atacou prefeitos e governadores por aplicarem medidas de isolamento social das quais discorda, Bolsonaro afirmou que o governo federal não dará conta por muito tempo de pagar auxílio emergencial aos trabalhadores informais que teve início na semana passada.

“O governo não tem como manter o auxilio emergencial ou outras ações por muito tempo. Já se gastou R$ 600 bilhões e podemos chegar a R$ 1 trilhão. A vida não tem preço, mas a economia, o emprego tem que voltar a normalidade, não o mais rápido possível, mas tem que se flexibilizar para que não venhamos a sofrer mais com isso”, disse ele.

Os primeiros que sofreram foram os informais. Os empregos de carteira assinada, como temos conversado com toda sociedade, estão sendo destruídos. Se chegar a um nível tal, a volta da normalidade, além de demorar muito, outros problemas aparecerão. Nos preocupamos para que a volta a normalidade chege o mais breve possível. Antes de outras providêmcias, tomamos varias medidas, o auxílio emergencial, o mais importante. O governo não abandonou em momento nenhum os mais necessitados.

Ao lado do presidente, Teich agradeceu pela oportunidade e garantiu não haverá nenhuma determinação “brusca” sobre as políticas de isolamento social, defendida por órgãos de saúde internacional como como cruciais para o combate ao novo coronavírus.

A exoneração de Mandetta, segundo Bolsonaro, deve sair nas próximas horas e foi decidida “em comum acordo”, após uma reunião de aproximadamente meia hora entre ambos.

“Foi uma conversa bastante produtiva, muito cordial. Ele [Mandetta] se prontificou a participar de uma transição o mais tranquila possível. Em comum acordo, apesar de esse não ser o termo técnico, eu o exonero do ministério nas próximas horas. Foi um divórcio consensual”, disse o presidente.

Fonte: Portal Uol (https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/04/16/bolsonaro-confirma-escolha-de-nelson-teich-para-ministerio-da-saude.htm)

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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Ciberataques e instabilidade na Saúde

Os hackers são uma constante ameaça na internet. Por esse motivo, muitas empresas investem pesado para garantir a confidencialidade dos dados de seus clientes. Contudo, nem sempre esse objetivo é alcançado, pois, mesmo com a proteção, algumas instituições têm seus sistemas invadidos, provocando vazamento de informações na rede virtual.

Na área da Saúde não é diferente. Os hospitais, as clínicas e os consultórios devem estar sempre atentos para manter um sistema seguro que garanta a confidencialidade das informações de seus pacientes.

Márcia Ito, membro do Conselho da Comissão Especial de Computação Aplicada à Saúde da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), explica que para investir na confidencialidade das informações dos clientes é preciso adotar uma política de segurança a fim de ter regras bem estabelecidas na organização para trabalhar os níveis de segurança física e lógica.

“Na segurança física, devem ser adotadas políticas para proteger os equipamentos contra o acesso de pessoas não autorizadas ou contra danos que podem ocorrer por conta do ambiente, como terremotos e picos de energias. Já na segurança lógica, a proteção é relacionada ao acesso não autorizado no software e informações das empresas. Esse acesso por ser feito por uma pessoa ou por meio de um programa computacional”, define.

A especialista argumenta que, além das preocupações que devem existir em qualquer ramo, na Saúde é necessário verificar se existem regras específicas, como exemplo o Health Insurance Portability and Accountability Act (HIPAA), dos Estados Unidos, que envolve regras de privacidade dos dados de saúde de um indivíduo. Nesse contexto, a representante da SBC reforça que é preciso analisar quais são os dados críticos e que podem ocasionar algum tipo de prejuízo para a empresa e/ou pacientes.

Para Ubirajara Maia, diretor corporativo de Sistemas da MV, líder de mercado em sistemas de gestão de saúde, as instituições precisam ter uma governança da área de segurança, bem como diretrizes que garantam a confidencialidade das informações dos clientes e evitem os ciberataques.

Além de planejar melhorias para o sistema de informática, Antonio Eduardo D’aguiar, presidente da Associação Brasileira de Medicina Preventiva e Administração em Saúde, filiada à Associação Médica Brasileira (AMB), defende que as instituições de saúde devem investir em programas de defesa dos bancos de dados.

Além disso, o especialista chama atenção para o uso de backup. “O cenário atual mostra que se investimentos não forem feitos em relação à proteção de dados, a vulnerabilidade dos sistemas só irá aumentar. Os bancos de dados hospitalares necessitam de um cuidado maior na sua manipulação, não apenas pela questão de garantir a confidencialidade dos dados, mas para evitar que os mesmos sejam roubados ou sequestrados”, alerta.

Será que o sistema é seguro?

Os motivos que fazem com que os ataques virtuais continuem acontecendo, mesmo quando existe a proteção de dados, são vários. Do ponto de vista de D’aguiar, uma das razões é a proteção insuficiente. “O sistema de Saúde brasileiro ainda está tentando passar da cultura do papel para a fase eletrônica.

Porém, de nada adianta gastar energia para realizar essa mudança se a defesa do sistema de informática não é feita de maneira eficiente. Para isso, barreiras devem ser criadas de acordo com os possíveis níveis de ataque”, reforça.

Outro ponto fraco da segurança pode ser a falha humana, que pode ocorrer por distração ou falta de cuidado por parte dos indivíduos responsáveis pela proteção dos dados. Nesses casos, a representante da SBC afirma que falhas relacionadas às senhas são as mais comuns, como senhas fracas, utilizar a mesma senha para sites diferentes, anotá-las em um papel ou compartilhá-las com outras pessoas.

Segundo Maia, os ciberataques, em geral, podem acontecer por motivos de terrorismo ou sequestro virtual – quando um hacker toma conta de um sistema para vender as informações por algum motivo – ou, em outros casos, por uma questão de vandalismo.

“Por mais seguros que os sistemas sejam, existem várias maneiras de acessar um sistema de segurança. Umas das formas mais simples é a chamada engenharia social, quando um hacker tem acesso a alguém dentro da organização que facilita esse tipo de acesso”, avalia.

Dados sigilosos e estratégias de proteção

O representante da MV Informática considera que o prontuário eletrônico do paciente seja um dos dados de maior importância para uma instituição de Saúde, pois é nesse documento que as informações pessoais, prescrições, diagnósticos e tratamentos do paciente se encontram. Esses dados podem ser protegidos, de acordo com o especialista, por meio de técnicas como criptografia e certificação digital. Para Maia, ainda que uma boa proteção seja cara, o importante é o retorno financeiro que ela levará para a empresa, pois as informações que serão protegidas são valiosas.

Antonio D’aguiar indica que no momento de adquirir um sistema de informática é importante verificar se o mesmo fornece mecanismos de defesa que se atualizem constantemente. “Os hackers se atualizam diariamente, por isso é importante que o software também esteja preparado. Uma boa proteção pode ser cara, porém existem muitas opções que cabem no orçamento da clínica, consultório ou hospital. Não basta apenas ter um sistema de informática, é preciso compreender que a proteção é um investimento essencial”, destaca.

Para Márcia Ito, uma análise das formas como o ataque pode acontecer e quais informações devem ser protegidas são fatores essenciais para construir um estudo de que tipo de segurança é preciso ter. Além disso, é fundamental verificar se o sistema utilizado possui a segurança necessária. Segundo a especialista, todos esses pontos fazem parte da política de segurança que a empresa deve ter.

Principais medidas para manter a segurança dos dados:

  • Utilizar um bom antivírus;
  • Criar senhas fortes;
  • Fazer o backup de dados;
  • Utilizar um sistema de autenticação dupla;
  • Criptografia de dados;
  • Cuidados no acesso ao Wi-Fi;
  • Treinamento dos funcionários;
  • Evitar links e sites desconhecidos;
  • Manter o sistema operacional atualizado.

Implicações legais, éticas e sociais

Maia relata que as implicações pelo vazamento de informações estão relacionadas ao Código Civil e Conselhos Regionais de Medicina. “As sanções e punições são claras e bastante contundentes, trazendo não só risco para médicos ou enfermeiros, mas uma corresponsabilidade da instituição em que a situação ocorreu”, complementa.

Do ponto de vista médico, Antonio D’aguiar explica que o próprio Conselho Regional de Medicina de São Paulo estabelece que uma investigação interna seja aberta, para apurar os responsáveis pelo vazamento de informações, as condições do ato e as penalidades previstas.

“Em termos legais, podemos ter desde um processo de dano moral até a falta de privacidade dos dados. Porém, mesmo não tendo qualquer tipo de processo por parte do paciente, a imagem do médico e da instituição ficam prejudicadas, pois, a partir desse vazamento, crescerá a falta de confiança por parte do cliente”, estabelece Márcia Ito.

Treinamento dos funcionários e recuperação dos dados

Para garantir a segurança digital em uma instituição de Saúde, não basta apenas contar com um bom sistema de informática. Além disso, os profissionais que lidam com os dados confidenciais precisam ser bem treinados, para evitar os erros e vazamento de informações.

Para Márcia Ito, o treinamento é crucial, pois a especialista considera que grande parte da falta de proteção dos dados se dá por falhas humanas. Uma delas é o funcionário achar que o acesso que ele tem às informações da empresa não é importante, porque não faz parte da alta gestão ou da gerência.

“Existem várias maneiras de realizar esse treinamento, desde o uso de EAD (educação a distância) até folhetos e aulas presenciais. Na verdade, o formato não importa, desde que as informações sobre as políticas de segurança da empresa sejam esclarecidas e cumpridas”, determina a especialista.

O treinamento dos funcionários pode ser feito no dia a dia, dentro da própria instituição, de acordo com o representante da MV. Nessas circunstâncias, o especialista reforça que é preciso deixar claro aos colaboradores a importância da segurança dos dados e como eles podem ser protegidos.“O compartilhamento de senhas com outros funcionários é um ponto importante a ser abordado no treinamento. Além disso, o contrato de trabalho desses profissionais deve ter um indicativo sobre a importância da segurança de informações confidenciais da instituição”, define.

A política de compliance bem estabelecida na instituição de Saúde é, de acordo com Antonio D’aguiar, essencial para que exista um sigilo absoluto das informações confidenciais. “Estamos falando do comportamento humano.

Nesse caso, teoricamente, não existe um sistema de informática que impeça o colaborador de causar algum prejuízo em relação às informações, mas sim uma clara conscientização desses funcionários em relação ao manuseio de dados. Além disso, é necessário esclarecer quais são as penalidades previstas caso as informações vazem”, define o especialista.

Segundo a representante da SBC, um grupo de profissionais responsáveis pelas políticas de segurança da empresa e que deverá ser acionado quando esse tipo de problema ocorrer é essencial para resolver situações de crise. “Quando se perceber que houve um ciberataque é preciso analisar por onde ocorreu esse problema e, imediatamente, saná-lo.

Também é necessário identificar o tipo de problema, que pode ser, por exemplo, roubo de dados ou alterações em dados existentes. A equipe deve verificar se existem chances de consertar o que foi alterado, mas, se possível, usar o backup”, explica.

Maia destaca que nessas situações é preciso ter um plano de disaster recovery, ou seja, um plano de continuidade dos negócios. Segundo o especialista, dentro da política de tecnologia da informação é preciso detalhar a maneira como os dados foram afetados e que procedimentos são necessários para garantir o restabelecimento do sistema rapidamente.

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Medicina paliativa e os cuidados com a vida

A Medicina Paliativa vem crescendo rapidamente como subespecialidade médica

Os avanços científicos e tecnológicos são em parte responsáveis pela redução da taxa de mortalidade global e pelo aumento da expectativa de vida. No entanto, a maioria dos idosos acometidos por doenças de alta gravidade, como as crônico-degenerativas, ainda não consegue se beneficiar dos recursos mais modernos à disposição da Medicina. Para esses pacientes, os cuidados paliativos são essenciais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu, em 2002, cuidados paliativos como sendo as condutas para melhoria da qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida, por meio de prevenção, alívio do sofrimento, identificação precoce, impecável avaliação e tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. Nesse documento, a OMS também reitera a necessidade de incluir os cuidados paliativos como parte da assistência completa à saúde, no tratamento a todas as doenças crônicas, inclusive em programas de atenção aos idosos.

Dessa forma, a Medicina Paliativa vem crescendo rapidamente como subespecialidade médica responsável pelo cuidado amplo não só a pacientes terminais, mas a todos aqueles que convivem com doenças crônico-degenerativas, como câncer, diabetes, cardiopatias, doenças pulmonares crônicas em estágio avançado, Alzheimer, entre outras.

Em países como Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra e Japão, a terapia paliativa é exercida há pelo menos meio século. No Brasil, as atividades relacionadas a esses cuidados ainda não são regularizadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Reconhecida em 2010 como área de atuação, o objetivo agora é que os cuidados paliativos conquistem o status de especialidade, o que vem sendo pleiteado por entidades como a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).

A expectativa é de que isso ocorra em um prazo de aproximadamente dois anos. “Essa é uma área que vem crescendo no país. Hoje, os hospitais, para receberem uma acreditação internacional, como da Joint Commission International, que comprova a qualidade da assistência, precisam contar com uma equipe de cuidados paliativos no atendimento aos pacientes”, explica Milena Reis, diretora da ANCP.

Em 2015, um levantamento detectou cerca de 68 serviços brasileiros de cuidados paliativos, sendo que metade desses serviços atua no estado de São Paulo (50%). Segundo a pesquisa, o modelo de atendimento mais prevalente é o ambulatorial (53%), em modelo misto com pacientes oncológicos e não oncológicos (57%). A prevalência é de assistência a adultos (88%) e idosos (84%), e o modelo de financiamento mais comum é o público (50%).

Formação

Segundo a diretora da ANCP, é fundamental ampliar a discussão e a formação sobre cuidados paliativos para aprimorar o currículo dos cursos de graduação, com disciplinas que tratem da morte e dos cuidados. “É preciso desmistificar a ideia de que os cuidados paliativos só devem ser empregados quando não há mais possibilidade de tratamento e o paciente estiver em condição de terminalidade”, afirma Milena Reis.

Já a residência médica em Cuidados Paliativos apresenta duração de um ano e, para cursá-la, exige-se como pré-requisito a residência médica em uma das seguintes áreas: Clínica Médica, Oncologia, Neurologia, Geriatria e Gerontologia, Medicina de Família e Comunidade, Pediatria e Anestesiologia.

Em relação aos cursos de aperfeiçoamento e especialização voltados para os cuidados paliativos, a ênfase é o aprofundamento do conhecimento teórico-científico e o desenvolvimento de competências e habilidades práticas, integrando o cuidado paliativo às ações que buscam a cura ou o controle das doenças. De acordo com Milena, as habilidades e competências exigidas do médico paliativista diferem das exigidas em outras especialidades médicas, começando pela comunicação, uma das competências fundamentais para quem pretende atuar nessa área.

“A comunicação empática, centrada nas necessidades do paciente, tem demonstrado ser capaz de melhorar a adesão ao tratamento e o prognóstico da doença. É importante que o médico compreenda que a comunicação inadequada pode ser muito prejudicial ao tratamento. Além disso, o profissional precisa desenvolver sua capacidade de gestão, de liderança e de diálogo com a equipe, pois o médico paliativista pode coordenar equipes multiprofissionais, assim como outros profissionais capacitados que atendem o paciente”, explica Milena.

No cuidado paliativo, o foco não é a doença, mas o paciente. Por essa razão, o médico precisa rever conceitos, conhecer o limite da sua atuação e trabalhar com a equipe multidisciplinar formada por enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e farmacêuticos, entre outros. Isso permite otimizar os cuidados em cada área na qual o paciente ou seus familiares tenham necessidade.

Desafios na carreira

Ricardo Caponero, coordenador do Centro Avançado em Terapia de Suporte e Medicina Integrativa (CATSMI) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, afirma que faltam profissionais capacitados para atuar com a Medicina Paliativa. “Os hospitais precisam de equipes preparadas para lidar com a dor do paciente. Mas muitas dificuldades impedem que o médico opte por essa área de atuação, como a má remuneração, uma vez que a Medicina Paliativa não é reconhecida como especialidade”, conta.

Além disso, segundo ele, cabe ao médico paliativista e a toda a equipe de cuidados estar preparada para atender o paciente em todas as suas necessidades, oferecendo, inclusive, assistência espiritual e assistência ao luto, por exemplo. “Depois que a Medicina Paliativa foi reconhecida como subespecialidade, os profissionais passaram a ter mais conhecimento sobre o que são os cuidados paliativos. Para quem tem como meta ingressar nessa área, é preciso, antes de mais nada, aprender a lidar com a frustração, entendendo que o seu papel não será o de curar, mas buscar maneiras de levar mais qualidade de vida e conforto ao paciente e a sua família”, explica.

Caponero enumera ainda outras competências exigidas desse profissional, como equilíbrio emocional; comunicação e disponibilidade para o paciente e para a sua família; empatia; e conhecimento em diagnosticar, prognosticar e antever sintomas para poder controlá-los e até mesmo preveni-los. O especialista dessa área precisa, ainda, saber como admitir o limite da intervenção médica, oferecer suporte à família do paciente e reconhecer que ele próprio e a equipe multiprofissional também precisam de suporte emocional.

Princípios dos cuidados paliativos

A equipe de Cuidados Paliativos tem seu trabalho regido, em todas as atividades desenvolvidas, por princípios claros, reafirmados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2002. Assim sendo, o cuidado paliativo:

  • Promove o alívio da dor e de outros sintomas estressantes;
  • Reafirma a vida e vê a morte como um processo natural;
  • Não pretende antecipar e nem postergar a morte;
  • Integra aspectos psicossociais e espirituais ao cuidado;
  • Oferece um sistema de suporte que auxilie o paciente a viver tão ativamente quanto possível, até a sua morte;
  • Oferece um sistema de suporte que auxilie a família e os entes queridos a sentirem-se amparados durante todo o processo da doença;
  • Deve ser iniciado o mais precocemente possível, junto a outras medidas de prolongamento de vida, como a quimioterapia e a radioterapia, e incluir todas as investigações necessárias para melhor compreensão e manejo dos sintomas.
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Jogos ajudam a reinventar o tratamento e a educação dos pacientes

Jogos eletrônicos normalmente são utilizados como forma de entretenimento e alívio do tédio, mas o que pouca gente conhece é sua aplicação em diferentes contextos, inclusive na área da Saúde. Quando utilizados nas atividades médicas, são capazes de tornar os tratamentos mais interessantes, contribuindo, assim, para um engajamento maior do paciente. Ao fazerem uso de ferramentas lúdicas e dinamismo, os games demonstram ser de grande valia e auxílio, surgindo como alternativa aos métodos tradicionais – muitas vezes considerados tediosos e, por isso, mais difíceis de serem incorporados pelos pacientes.

Thiago Rivero, psicólogo e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UFSP), explica que a estratégia abrange importantes aspectos que impactam na maneira como o paciente lida com o tratamento. “Os games trazem motivação, engajamento e aprendizado eficaz, permitindo que o paciente participe, de maneira mais fluida, de tratamentos que, por vezes, são longos, estressantes e complexos”, afirma. “Os jogos são ferramentas lúdicas. Nesse ambiente novo, que envolve desafios prazerosos e obstáculos a serem vencidos, existe uma motivação intrínseca muito maior do que aquilo que é obrigatório e não queremos”, define Rivero.

Um exemplo disso é relatado pela fisioterapeuta Izabela Mendes. Criadora de um jogo de realidade virtual para mulheres em reabilitação pós-câncer de mama, na Universidade do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, a médica revela que a iniciativa garante a execução correta dos movimentos de maneira inovadora, reduzindo os desconfortos causados pela doença. “Desenvolvemos uma ferramenta de fácil acesso e tecnológica, no intuito de inovar os métodos de reabilitação sensório-motora, voltados para a saúde e qualidade de vida pós-câncer”, destaca.

Ainda que apresentem grande potencial na área, Rivero salienta que os games não devem ser encarados como uma substituição aos métodos tradicionais. “Os jogos, quando empregados em um tratamento, devem ser utilizados juntamente com outras estratégias complementares”, informa.

A importância da socialização

Com o psicológico abalado, na maioria das vezes, por causa do tratamento médico, o paciente pode encontrar nos games outro importante fator motivacional: a socialização. Para Ysmar Vianna, presidente da MJV Tecnologia e Inovação, esse é o principal motivo que leva as pessoas a jogarem. Por esse motivo, a socialização deve ser trabalhada para que haja maior envolvimento do paciente. “Essa é a grande vantagem dos jogos. É fazer com que as pessoas se juntem em torno de um objetivo em comum, alinhando-as em uma direção e engajando-as cada vez mais. Na área da Saúde, os pacientes vão caminhar nessa direção de uma forma divertida, o que, em muitos casos, irá proporcionar a melhoria na adesão ao tratamento e na motivação deles”, analisa.

Jogos para educar

Além de promoverem maior adesão ao tratamento, os jogos também podem auxiliar na educação e conscientização das pessoas por meio da divulgação de informações sobre doenças e tratamentos. Foi com esse objetivo que surgiu o projeto Jogo digital para comunicação em Saúde, desenvolvido pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O primeiro produto elaborado pelo grupo de pesquisa foi um newsgame virtual chamado Jogo do Acesso Aberto, um game curto e simples, para conscientizar o público sobre a importância do acesso livre para a Saúde.

Marcelo de Vasconcellos, pesquisador do Icict e coordenador do projeto, acredita que a promoção da saúde por meio de jogos faz a população se sentir parte do processo. “O jogo é um ambiente em que, necessariamente, há interação e exige uma posição ativa das pessoas”, relata. Segundo o pesquisador, a chance de interagir, “jogar junto” e ter acesso à informação se torna uma necessidade muito forte para quem está em tratamento, servindo como importante fator de apoio. “É mais uma forma de minimizar a carga negativa do medo e da incerteza sobre o tratamento. Isso é um ganho formidável para todos os envolvidos”, completa.

Com colaboração de Bárbara Mello

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Envelhecimento bem-sucedido

Graças ao avanço da Medicina e à maior conscientização das pessoas sobre os cuidados com a saúde, as taxas de longevidade estão disparando quando comparadas com as de natalidade. A partir dessa mudança no panorama mundial, criou-se um paradoxo: todos querem viver muito, mas não querem parecer velhos. Essa revolução trouxe impactos e mudanças na Medicina atual, além de um novo conceito – o de envelhecimento bem-sucedido.

O Brasil, por sua vez, demonstra um ritmo muito acelerado nesse processo. Enquanto países desenvolvidos enriqueceram antes de envelhecer e tiveram muitas décadas para se preparar para esse fenômeno, no Brasil, acredita-se que ele se completará ao longo de 25 anos. Por isso, os médicos que lidam diretamente com esse público precisam estar preparados, em pouco tempo, para o desafio de buscar soluções que atendam as demandas do envelhecimento populacional e tornem seu impacto mais sustentável sobre a sociedade.

Pensando nisso, o americano Robert Goldman, cofundador da Academia Americana de Antienvelhecimento, acredita que o envelhecimento bem-sucedido é sobre prevenção, ou seja, se trata de prevenir as doenças antes de elas acontecerem ou, se ocorrerem, revertê-las. Por isso, ele acredita que a principal maneira de garantir uma boa velhice está no cuidado ao longo de toda a vida, que é feito por meio do que o próprio chama de Medicina Preventiva.

Outro problema de envelhecer sem cuidados, para o médico, está nos custos que isso traz para o Estado. Isso pois, com o número de jovens cada vez menor, não é possível alcançar o equilíbrio econômico e social que garante uma boa vida na terceira idade e por isso, ele acredita que uma das soluções para esse problema passa também pela suplementação de nutrientes.

Atualmente, um dos maiores problemas no processo de envelhecimento é que as pessoas, ao chegarem em uma certa idade, ficam doentes por tempo prolongado e gastam muito dinheiro com a manutenção da saúde. Essa fase é o que o médico chama de “idade de pico”, que representa aproximadamente 60 anos de vida. Para Goldman, a forma ideal é começar a ter doenças crônicas já por volta dos 80 anos, melhorando a qualidade de vida e gerando menos gastos.

Além de prevenir, é necessário também intervir de forma adequada nas doenças já existentes. Por isso, é preciso estar em contato com métodos alternativos e eficazes que atuem sobre as principais doenças da terceira idade: “É preciso intervir de uma forma inteligente. Pode ser com medicina tradicional chinesa, acupuntura, medicina nutricional, precisamos pegar as melhores coisas de cada área da Medicina e colocar em um programa de envelhecimento bem-sucedido”, explica o médico.

Esses métodos podem ser aplicados, principalmente, no tratamento das doenças crônicas, responsáveis pela maior parte de enfermidades nos idosos, como mostra o gráfico:

Gráfico Brasil: proporção de idosos com algumas doenças crônicas (2013)

  • Hipertensão (45,3%);
  • Colesterol alto (17,0%);
  • Diabetes (16,1%);
  • Artrite ou reumatismo (9,7%);
  • Câncer (6,9%)
  • Outras (5%)

Fonte: IBGE /PNS de 2013

Pessoas antigas, hábitos novos

A partir desse cenário, aconteceram mudanças em diversas especialidades médicas. A Geriatria, por exemplo, foi uma das áreas mais impactadas por esse fenômeno, já que em 2011 eram registrados 716 médicos geriatras e, em 2018, existiam 1.817. A médica Ana Cristina Canedo, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Rio de Janeiro, afirma que esse processo de envelhecimento populacional trouxe uma demanda de formar mais especialistas.

Segundo ela, houve o surgimento de novos centros de formação, e a disciplina passou a ser obrigatória e já compõe o currículo de algumas universidades no país. Apesar disso, esse número ainda é muito aquém do necessário e, por isso, a geriatra aponta a importância da capacitação dos médicos da atenção básica na avaliação sistematizada, com posterior encaminhamento dos casos complexos para os serviços especializados.

Outra especialidade que precisou se adaptar aos idosos do século 21 foram os dermatologistas. Embora a área seja treinada para lidar com doenças cutâneas próprias do idoso, agora esses profissionais precisam aprimorar ainda mais seus conhecimentos para atender as necessidades desse público. A dermatologista Flávia Addor acredita que o envelhecimento bem-sucedido passa pela especialidade porque esse sucesso significa, em boa parte, uma preservação anatômica e funcional da pele.

A médica acredita que é nesse contexto que as novas tecnologias aplicadas à Medicina são de extrema importância, já que diversos tratamentos para reduzir os sinais do envelhecimento são realizados por meio de mecanismos tecnológicos. Além disso, Flávia conta que foi possível prever um aumento desse público no consultório, com a constatação da melhora nos indicadores de saúde.

Os cuidados com a saúde na terceira idade muitas vezes exigem resultados definitivos. É nesse contexto que a realização de cirurgias plásticas surge como a solução para insatisfações estéticas dos idosos. Para a cirurgiã Marcela Cammarota, diretora da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, houve um aumento importante na quantidade de cirurgias realizadas nessa fase.

Segundo ela, as pessoas com perfil ativo são as que mais procuram por cirurgias plásticas, e os procedimentos realizados com mais frequência nesse grupo são a plástica de face e de pálpebras. Apesar de ser muito procurada por idosos, a especialidade não foi a mais impactada pelo aumento desse público. Mesmo com um aumento de 2.288 novos médicos em sete anos, a médica afirma que não há nenhuma relação entre esse crescimento e o aumento da expectativa brasileira: “Isso está diretamente ligado ao aumento do número de vagas nas residências médicas ligadas ao Ministério da Saúde e não implica em expansão do mercado de trabalho”, conclui.

A SBGG e o envelhecimento bem-sucedido

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia lançou, no ano passado, um guia de orientações sobre envelhecimento para cobertura jornalística. O documento foi escrito com a intenção de mudar alguns estigmas acerca do processo de envelhecimento e de informar como as pessoas, principalmente os jornalistas, devem abordar essa questão.

Ele conta com conceitos de longevidade, informações e interpretações sobre o Estatuto do Idoso, ética, nomenclaturas adequadas e Os 10 mandamentos da cobertura do envelhecimento, com dicas sobre o que não usar em matérias jornalísticas, a fim de respeitar o idoso, a biografia e a autonomia do personagem.

Confira o documento na íntegra:

https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2018/11/Guia_para_jornalistas_na_cobertura_do_envelhecimento.pdf

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Jogos ajudam a reinventar o tratamento e a educação dos pacientes

Jogos eletrônicos normalmente são utilizados como forma de entretenimento e alívio do tédio, mas o que pouca gente conhece é sua aplicação em diferentes contextos, inclusive na área da Saúde. Quando utilizados nas atividades médicas, são capazes de tornar os tratamentos mais interessantes, contribuindo, assim, para um engajamento maior do paciente. Ao fazerem uso de ferramentas lúdicas e dinamismo, os games demonstram ser de grande valia e auxílio, surgindo como alternativa aos métodos tradicionais – muitas vezes considerados tediosos e, por isso, mais difíceis de serem incorporados pelos pacientes.

Thiago Rivero, psicólogo e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UFSP), explica que a estratégia abrange importantes aspectos que impactam na maneira como o paciente lida com o tratamento. “Os games trazem motivação, engajamento e aprendizado eficaz, permitindo que o paciente participe, de maneira mais fluida, de tratamentos que, por vezes, são longos, estressantes e complexos”, afirma. “Os jogos são ferramentas lúdicas. Nesse ambiente novo, que envolve desafios prazerosos e obstáculos a serem vencidos, existe uma motivação intrínseca muito maior do que aquilo que é obrigatório e não queremos”, define Rivero.

Um exemplo disso é relatado pela fisioterapeuta Izabela Mendes. Criadora de um jogo de realidade virtual para mulheres em reabilitação pós-câncer de mama, na Universidade do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, a médica revela que a iniciativa garante a execução correta dos movimentos de maneira inovadora, reduzindo os desconfortos causados pela doença. “Desenvolvemos uma ferramenta de fácil acesso e tecnológica, no intuito de inovar os métodos de reabilitação sensório-motora, voltados para a saúde e qualidade de vida pós-câncer”, destaca.

Ainda que apresentem grande potencial na área, Rivero salienta que os games não devem ser encarados como uma substituição aos métodos tradicionais. “Os jogos, quando empregados em um tratamento, devem ser utilizados juntamente com outras estratégias complementares”, informa.

A importância da socialização

Com o psicológico abalado, na maioria das vezes, por causa do tratamento médico, o paciente pode encontrar nos games outro importante fator motivacional: a socialização. Para Ysmar Vianna, presidente da MJV Tecnologia e Inovação, esse é o principal motivo que leva as pessoas a jogarem. Por esse motivo, a socialização deve ser trabalhada para que haja maior envolvimento do paciente. “Essa é a grande vantagem dos jogos. É fazer com que as pessoas se juntem em torno de um objetivo em comum, alinhando-as em uma direção e engajando-as cada vez mais. Na área da Saúde, os pacientes vão caminhar nessa direção de uma forma divertida, o que, em muitos casos, irá proporcionar a melhoria na adesão ao tratamento e na motivação deles”, analisa.

Jogos para educar

Além de promoverem maior adesão ao tratamento, os jogos também podem auxiliar na educação e conscientização das pessoas por meio da divulgação de informações sobre doenças e tratamentos. Foi com esse objetivo que surgiu o projeto Jogo digital para comunicação em Saúde, desenvolvido pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O primeiro produto elaborado pelo grupo de pesquisa foi um newsgame virtual chamado Jogo do Acesso Aberto, um game curto e simples, para conscientizar o público sobre a importância do acesso livre para a Saúde.

Marcelo de Vasconcellos, pesquisador do Icict e coordenador do projeto, acredita que a promoção da saúde por meio de jogos faz a população se sentir parte do processo. “O jogo é um ambiente em que, necessariamente, há interação e exige uma posição ativa das pessoas”, relata. Segundo o pesquisador, a chance de interagir, “jogar junto” e ter acesso à informação se torna uma necessidade muito forte para quem está em tratamento, servindo como importante fator de apoio. “É mais uma forma de minimizar a carga negativa do medo e da incerteza sobre o tratamento. Isso é um ganho formidável para todos os envolvidos”, completa.