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Relação com o paciente a distância: como fica?

Relação com o paciente

De todas as profissões, a Medicina é uma das que mais se destaca quando falamos sobre relação interpessoal. Afinal, até pouco tempo, era praticamente impossível imaginar uma consulta que não fosse a presencial, com uma anamnese feita “olho no olho”. Com o desenvolvimento e o avanço da Telemedicina, essa relação com o paciente vem mudando constantemente e tem se tornado um desafio para os profissionais, que precisam preservar, além da qualidade do atendimento, a credibilidade e a confiança que conquistaram com seus pacientes.

É justamente por meio dessa troca que o médico consegue realizar um trabalho de excelência. Mas, para isso, é fundamental saber eleger as melhores estratégias para a construção de um vínculo duradouro, baseado no respeito e na ética. E esse plano deve ser pensado para duas vertentes: a parte prática, que envolve questões como o tempo de espera pela consulta e como foi o processo de agendamento; e a parte mais subjetiva, que engloba o envolvimento do profissional com o paciente e o tratamento oferecido durante o atendimento.

Para te ajudar a melhorar sua relação médico-paciente, sobretudo aqueles tratados de forma remota, reunimos algumas dicas:

Foque e conecte-se com o paciente

Não se distraia! Todos nós procuramos serviços médicos porque estamos convivendo com algum problema. E, ao marcar um horário, tudo o que o seu paciente deseja é ser ouvido e valorizado. Então, dedique-se 100% a todas as informações que forem passadas por ele; tente ao máximo lembrar do histórico desse paciente, obtido em consultas anteriores; reserve um tempo suficiente para cada um deles; evite atrasos; e não utilize uma linguagem muito técnica e de difícil compreensão.

Invista em você e em sua marca

Apesar do marketing ter origem no escopo da Comunicação, ele é essencial para todas as áreas de atuação. O marketing médico, especificamente, é a ferramenta que vai lhe auxiliar a conquistar sua reputação e, consequentemente, seu espaço no mercado. Por isso, invista na sua marca, ganhe credibilidade e se torne uma referência para conquistar ainda mais esse paciente episódico/remoto.

Não se esqueça do atendimento humanizado.

Confiança é um dos pilares fundamentais para o surgimento e para a continuidade de qualquer relação. E você só consegue adquirir isso demonstrando ao paciente que ele não é mais um! Seja atencioso, mostre empatia e solidariedade à situação do paciente.

Busque os feedbacks e mostre interesse.

Por mais que esse passo esteja relacionado ao pós-consulta, é importantíssimo ter em mente que não se trata de um paciente antigo, mas daquele que você não tem tanto contato e ainda não conquistou sua fidelidade. Por isso, deixe claro que você se importa com ele e com a opinião sobre o consultório e a consulta oferecida. Mantenha-se aberto e disposto a receber suas dúvidas ou até mesmo críticas. E sempre aproveite esses momentos para crescer e se aprimorar, tanto pessoal quanto profissionalmente.

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Telemedicina: qual a opinião do paciente?

telemedicina

Recentemente, uma pesquisa americana publicada originalmente pela Medical Economics, entrevistou mil pacientes adultos para entender a relação deles com a prática de Telemedicina durante a pandemia de Covid-19. Para coletar os dados, os pesquisadores também levaram em consideração a idade dos entrevistados, analisando três principais segmentos geracionais:

  • Millennials (18–36 anos)
  • Geração X (37–52 anos)
  • Baby boomers (acima de 53 anos)

Descobriu-se que mais de 75% dos que fizeram o atendimento remoto mostraram-se muito ou completamente satisfeitos com a experiência. Contudo, os resultados também sugerem que as instituições de saúde precisam aprimorar a experiência, a aquisição e a retenção dos pacientes, descomplicando o agendamento e o acompanhamento virtual.

A maioria dos entrevistados fez uma avaliação positiva de suas experiências com a Telemedicina, tanto que 50% indicaram que estariam dispostos a mudar de provedor para ter atendimento virtual regularmente. Por outro lado, menos de 50% dos entrevistados relataram que deixaram suas visitas sabendo quais eram as próximas etapas; e menos de 1/3 recebeu acompanhamento por escrito ou por e-mail.

Outras descobertas do estudo

Aumento na procura por agendamento online

Ainda que apenas 30% dos entrevistados tenham agendado suas visitas virtuais on-line, 54% afirmaram preferir esse método de reserva no futuro.

Alta demanda, baixa conscientização

Apesar de muitos desejarem fazer uso da Telemedicina, a conscientização sobre como realizar esse acesso é relativamente baixa. Menos de metade dos entrevistados relatou compreender claramente como seria possível acessar as visitas de atendimento virtual no futuro após o término de suas consultas.

Compreensão dos pacientes sobre os próximos passos após a(s) visita(s) virtual(is)

45% “Saí da visita sabendo quais eram os próximos passos”

45% “Eu entendi claramente como eu poderia acessar as visitas virtuais de atendimento no futuro”

Custo-benefício considerável

Um quarto dos entrevistados disse que pretende utilizar o atendimento virtual no futuro, mesmo que esse serviço não seja coberto pelo seguro de saúde e precisem arcar com a despesa por conta própria.

Nesse cenário, o estudo reforçou a tensão que a Covid-19 colocou no acesso dos pacientes gerou um aumento na disponibilidade e adoção de cuidados virtuais. A pesquisa mostrou também que os pacientes não apenas adotaram a Telemedicina como uma alternativa de curto prazo às visitas pessoais, mas agora também a procuram como parte permanente de seus cuidados de saúde.

 

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Rede Rute e o crescimento da telemedicina no Brasil 

Rede Rute

No cenário atual, a telemedicina tem se mostrado cada vez mais importante para a área da Saúde no Brasil. Ela se tornou uma medida estratégica para garantia de acesso e educação dos profissionais. Dessa forma, alguns projetos foram criados para incentivar essa nova prática em saúde digital, como a Rede Rute.

 Como surgiu?

Em 2006, foi criada a Rede Universitária de Telemedicina (Rute),  uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e patrocinada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) com parcerias estabelecidas posteriormente com os ministérios da Educação e da Saúde.

A iniciativa nacional tem como principais objetivos:

  • Possibilitar a integração em projetos de telemedicina e telessaúde em hospitais universitários, hospitais certificados de ensino, faculdades de Medicina e profissionais da área da saúde;
  • Oferecer uma infraestrutura de serviços de comunicação, assim como parte dos equipamentos de informática e comunicação para os grupos de interesse especial (SIGs);
  • Proporcionar o surgimento de novas aplicações e ferramentas que explorem mecanismos inovadores na educação em saúde, na colaboração a distância para pré-diagnóstico e na avaliação remota de dados de atendimento médico.

Quem são os SIGs?

Os chamados grupos de interesse especial (special interest groups –SIGs) são criados e coordenados por instituições que fazem parte da Rute, profissionais de saúde, pesquisadores e professores que planejam uma agenda de videoconferências ou webconferências para debater temas específicos.

De acordo com Luiz Ary Messina, coordenador Nacional da Rute, em relação ao ensino e pesquisa foram criados e mantidos em torno de 55 SIGs em especialidades e subespecialidades da saúde, com, em média, três sessões diárias por videocolaboração. “Ou seja, milhares de profissionais da saúde já estavam habituados à prática da telemedicina quando a pandemia nos atingiu. Esta consolidação permite uma predominância de conhecimento público, o que é crucial para o crescimento da telemedicina e telessaúde no Brasil”, afirma Messina.

Quais são os serviços prestados?

A Rute contribui tanto para a melhoria na qualificação dos profissionais, através do desenvolvimento de inovações na área de educação em saúde, quanto para o atendimento aos pacientes, por meio de diagnósticos à distância. Mas de que forma?

  1. Possibilita a utilização de aplicativos que demandam mais recursos de rede e o compartilhamento dos dados dos serviços de telemedicina dos hospitais universitários e instituições de ensino e pesquisa participantes da iniciativa;
  2. Leva os serviços desenvolvidos nos hospitais universitários do país a profissionais que estão em cidades distantes. Os serviços são levados por meio do compartilhamento de arquivos de prontuários, consultas, exames e segunda opinião.

Impacto da Rute para o crescimento da telemedicina no Brasil

Desde sua criação, em 2006, a rede vem crescendo bastante. Na primeira fase da iniciativa, 19 instituições foram beneficiadas. Já em sua segunda fase, em agosto de 2007, o número de instituições beneficiadas aumentou para 57. Atualmente, com 14 anos de atuação do mercado, a rede Rute conta com 139 unidades operando em todo o Brasil.

Para Messina, o apoio do ministério a RNP para estruturar e operar a rede Rute foi um dos marcos para a telemedicina no Brasil. Antes existiam alguns projetos, mas com poucos pontos integrados.

A perspectiva de uma rede acadêmica, com base no domínio de conhecimento da saúde no país nos hospitais universitários e de ensino, permitiu o avanço estruturado em todos os estados do país, pelo menos no que diz respeito às práticas de ensino, pesquisa e assistência à distância a partir destes hospitais.

Por dentro da rede: O que esperar dela no futuro?

Messina acredita que o avanço das comunicações, tecnologias e metodologias computacionais exige conectividade e pessoal qualificado. Em ambos os casos, a base acadêmica desenvolvida em 14 anos permite voos nas novas tecnologias, como IoT, BigData, IA, sensores, atuadores, robôs e 5G. Entretanto, a base acadêmica, principalmente, consolidou um ambiente virtual para a prática de experiências em rede e relacionamento.

Portanto, os especialistas em rede poderão agora aplicar os conhecimentos praticados ao longo deste tempo para capacitar toda a classe de profissionais da saúde no Brasil, tanto em telemedicina, telessaúde e saúde digital, como também em suas especialidades expandidas no ambiente virtual, inovando a partir das novas tecnologias e com base em experiência acumulada.

E você, o que acha sobre as iniciativas em telemedicina no Brasil?

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Telemedicina: 4 passos para começar a utilizar

telemedicina

A Medicina dá mais um passo rumo à transformação digital. Com a pandemia de Covid-19, a telemedicina, assunto muito discutido nos últimos anos, foi aprovada como forma de facilitar o acesso do paciente ao médico durante esse período. Porém, apesar de representar uma ótima ferramenta para otimizar a atenção em Saúde, facilitar diagnósticos de forma remota, além de possibilitar a interpretação de exames e a emissão de laudos a distância, é preciso estar preparado para começar a trabalhar com telemedicina.

Confira a seguir 4 passos essenciais para a carreira de todos os médicos que desejam ingressar nessa nova realidade:

1- Defina de que forma você quer utilizá-la

O primeiro passo que todo profissional deve ter em mente ao começar a atender por meio da telemedicina é definir de que forma deseja utilizar esse novo modo de cuidar dos pacientes. Nesse sentido, sabe-se que a ferramenta pode ser dividida em: teleorientação, teleconsulta, teleinterconsulta, teleducação e telediagnóstico (emissão de laudos a distância).

De acordo com Alexandre Taleb, coordenador do Núcleo de Telemedicina e Telessaúde na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, se um médico souber o que espera, poderá selecionar as melhores ferramentas para o atendimento e obterá os melhores resultados. “Há colegas que desejam apenas fazer teleorientação: passar orientações de tratamentos já prescritos, tirar dúvidas sobre medicamentos ou acompanhar um pós operatório, sem necessidade de prescrição de novos fármacos”, explica.

Nesses casos, o especialista pontua que uma ferramenta de interação de áudio e vídeo segura é suficiente. “Há outros colegas, entretanto, que desejam fazer uma teleconsulta, com prescrição de receita e até laudos e atestados”, destaca. Em situações como essa, segundo Taleb uma plataforma com prontuário eletrônico e um certificado digital também será necessária. “Uma vez que o médico tenha definidos os seus objetivos, ele verá que um mundo de possibilidades se abrirá” revela.

2- Esteja preparado tecnologicamente

Outro passo muito importante para ingressar na telemedicina é estar preparado tecnologicamente. Antes de querer iniciar os atendimentos a distância, é preciso organizar algumas ferramentas que irão permitir que a prática seja bem sucedida e evitar que falhas atrapalhem o serviço assistencial.

Portanto, alguns pilares básicos são necessários para que os médicos possam estruturar suas atividades:

  • Equipamentos adequados ao que se pretende;
  • Ambiente Virtual de Atendimento;
  • Conexão segura e redundante à internet;
  • Prontuário eletrônico;
  • Certificado digital;
  • Termo de consentimento;
  • Protocolos de segurança de dados.

3- Priorize sempre ética e transparência

Segundo Taleb, os preceitos éticos independem da forma de interação, já que o mundo virtual deve seguir o que acontece no mundo real. “Os pacientes devem ser tratados com a mesma forma, respeito e honestidade com que são tratados presencialmente”, assegura.

Além disso, segundo o especialista em Telemedicina, os dados devem ser anotados em prontuário eletrônico. “Gosto de definir a telemedicina como um novo modo de cuidar. Agora podemos, também, cuidar virtualmente dos nossos pacientes, ampliando, de forma segura e ética, o acolhimento e a atenção à saúde deles”, complementa.

4- Telemedicina não substitui o cuidado presencial

Por último, ter em mente que a telemedicina não substitui as consultas presenciais é fundamental para garantir a responsabilidade profissional. “Deve haver transparência em comunicar o que é possível e o que não é possível de se fazer virtualmente, com humildade de reconhecer o momento em que uma consulta virtual deve ser interrompida e o paciente encaminhado para atendimento presencial, seja ele de urgência ou não”, destaca Taleb.

Além disso, ele assegura que a telemedicina não substitui o cuidado presencial, mas, quando bem indicada, é uma opção muito valiosa para os pacientes. “Não vejo como não permitir que essa prática se torne perene. É fundamental, entretanto, que as normas sejam colocadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para que todos possamos atuar tranquilos e com plataformas que obedeçam às regras”, pontua.

Para muitos especialistas, a telemedicina veio para ficar, independentemente dos desafios que o novo formato propõe à carreira médica. Nesse sentido, Taleb afirma que cada médico tem uma rotina e um modo de trabalho e, por isso, esse tipo de atendimento deve ser inserido de forma a respeitar as características individuais. “O médico precisa identificar como a telemedicina pode agregar valor ao cuidado que ele já dispensa a seus pacientes”, conclui.

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Responsabilidade civil e telemedicina: o que muda com o paciente?

responsabilidade civil

Não é novidade que a Medicina traz uma grande responsabilidade civil aos que escolhem seguir na carreira. Uma consulta interfere diretamente na vida de um paciente e, dependendo do tipo de atendimento, pode ter consequências irreversíveis.

Diante de um cenário em que o atendimento online por Telemedicina se faz cada vez mais presente, como dimensionar essa responsabilidade? Se antes os médicos precisavam estar atentos ao impacto de suas ações, em tempos de diminuição do relacionamento presencial, devem redobrar os cuidados e estar atentos, sobretudo, aos aspectos legislativos, que serão decisivos para o futuro da profissão.

De acordo com o advogado especialista em Direito Médico, Lymark Kamaroff, a responsabilidade civil do profissional de Medicina é subjetiva e necessita de comprovação para afirmar que ele agiu com imprudência, negligência ou imperícia. Mas, com a Telemedicina, esse processo pode se tornar mais simples. “Fica muito mais fácil e crível comprovar essa reponsabilidade, já que o médico pode prescrever um exame ou um remédio sem tocar no paciente. Se ele não tiver cuidado no uso da Telemedicina, agir com extrema cautela e prudência, realizar uma anamnese detalhada e simplesmente acreditar na palavra do paciente, isso poderá potencializar os casos de erro médico”, adverte.

Dicas para um atendimento online seguro

  • Monte um roteiro. É imprescindível que você tenha um padrão de atendimento, que não mude de paciente a paciente. Analise o paciente, escute as queixas, faça uma anamnese detalhada. E prescreva apenas em último caso, priorizando exames e medicamentos simples;
  • Tenha em mente a abrangência da consulta durante a Telemedicina. Ela será variável, de acordo com o tipo de paciente. Aqueles mais antigos, que você já conhece há algum tempo, já estabeleceu um relacionamento e possuem um prontuário detalhado e extenso, podem receber instruções mais aprofundadas. Mas, se forem pacientes de primeira vez, o ideal é que seja feita apenas a teleorientação. Lembre-se que, nesse caso, você não tem um conhecimento vasto sobre o paciente e uma prescrição pode ser arriscada;
  • Nunca se esqueça do prontuário! Toda conversa com um paciente por teleatendimento deve ser registrada, justamente para servir como base de defesa. Dessa forma, é possível comprovar sua cautela e responsabilidade sob o paciente e sob as expectativas dele para a consulta;
  • Elabore um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Este documento deve ser passado ao paciente antes da consulta, independentemente se ela for cobrada ou não, esclarecendo que a Telemedicina tem suas limitações. O paciente deverá assiná-lo, alegando estar ciente de tais limitações e concordando, mesmo assim, em receber o teleatendimento.
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Telemedicina: você está preparado para o “novo normal”?

Não é novidade que a vida se transforma a todo momento. E o ano de 2020 se tornou um dos maiores símbolos disso, afinal, a pandemia de Covid-19 trouxe mudanças significativas na forma de nos relacionarmos. Surge então o questionamento: o que pode ser considerado, agora, ‘normal’?

De fato, as respostas para essa pergunta são infinitas e, talvez, a maior verdade de todas é que já não exista mais um único ‘normal’ e, sim, vários ‘novos normais’. Sob tal perspectiva, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) organizou um webinar, no último dia 16, para discutir o tema: “Telemedicina no Novo Normal”. Mediada pela diretora executiva da entidade, Vera Valente, o evento online contou com a participação do médico e chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Chao Lung Wen; da obstetra, pós-graduada em Telemedicina pelo Hospital das Clínicas da USP, e ex-assessora parlamentar, Roberta Grabert; e do médico e professor associado de Medicina da Família na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e ex-secretário municipal de saúde de Porto Alegre (2017-2018), Erno Harzheim.

Tendo em vista o crescimento da Telemedicina, o foco da videoconferência foi abordar a consolidação dessa metodologia – que veio com a pandemia e se tornou irreversível – e sua aplicabilidade no futuro da Saúde, principalmente no que tange questões legislativas e relacionadas a saúde pública no Brasil.

De acordo com o especialista Chao Lung Wen, um dos maiores problemas enfrentados hoje no país é a procrastinação. Chao, que trabalha com a ideia de medicina conectada e estuda a Telemedicina desde a década de 1990, pontuou que a primeira resolução sobre o tema surgiu em 2002 e, desde então, evoluímos muito pouco do ponto de vista de regulamentação. Com a Covid-19, em apenas 60 dias, o Brasil teve uma mudança histórica: pela primeira vez temos uma lei e uma portaria ministerial sobre o tema, em sintonia com um ofício do Conselho Federal de Medicina (CFM) e com duas normas técnicas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O professor da USP acredita que a Telemedicina não cuidará apenas de doenças, mas também fará a gestão de qualidade de saúde. Todavia, alertou que um dos maiores riscos dessa metodologia é a mercantilização. Ele reforça que a remuneração do médico tem a ver com o compromisso assumido por ele com o paciente e não com a forma como essa conexão será realizada. “Há uma confusão entre Telemedicina como ato profissional com uma vídeo-chamada”, reitera. Para o futuro, o especialista só enxerga um caminho: educação. “Precisamos formar melhor os profissionais, tornar a Telemedicina como matéria obrigatória na graduação e na residência, e ensinar a bioética digital e as técnicas telepropedêuticas”, defende.

Complementando a discussão, o médico de família Erno Harzheim contou sua experiência enquanto secretário de Saúde de Porto Alegre. Ele foi responsável pela implementação do programa de Telemedicina no sistema público de saúde da capital gaúcha, que oferece teleconsultoria, telediagnóstico e tele-educação para ampliar a atenção primária, reduzir filas e aumentar o acesso à assistência a saúde. “Nós aliamos dois processos: discutir casos clínicos com médicos de atenção primária com uma regulação clínica. Criamos protocolos de encaminhamentos, em que nós trouxemos o conhecimento clínico de cada doença e determinamos quais critérios exigiriam uma consulta com um especialista daquela área e quais critérios serviriam de prioridade para aquela área. As listas caíram entre 60% e 80% em seu tamanho. Em dois anos, passamos de 90 mil pessoas para 40 mil pessoas na fila”, relembrou.

Por fim, ex-assessora parlamentar, Roberta Grabert, que participou da elaboração do projeto de lei n° 1.998/2020, apresentado pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP), para regulamentar a telemedicina na pós-pandemia, agregou ao webinar comentando sobre o sistema legislativo brasileiro e sua experiência na política.  Ela defende que o projeto que for aprovado seja simples, de maneira a oferecer segurança jurídica e autonomia para os profissionais. “O brasileiro é viciado em lei. Mas as leis têm de ter um arcabouço legal, para abraçar as políticas públicas, que são infralegais. Existem, mais ou menos, 25 projetos de lei apenas para Telemedicina atualmente. Não precisamos de tudo isso. É importante que o Conselho Federal de Medicina entre em ação”, afirmou.

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Telemedicina: desafios para implementação no consultório

A pandemia do novo coronavírus tem provocado inúmeras mudanças em diversos segmentos, mas, sobretudo, tem influenciado as mais importantes áreas do conhecimento — como a Medicina. Nesse contexto, a telemedicina, serviço de saúde a distância e altamente relevante, tem conquistado cada vez mais espaço no Brasil e no mundo.

Não é à toa que a ferramenta tem se tornado indispensável na rotina de médicos, profissionais da saúde, clínicas e hospitais. Em entrevista especial, Renato Gregório, CEO do Universo DOC e autor do livro Marketing Médico: criando valor para o paciente, relata um pouco mais sobre a importância dessa ferramenta para o mercado da saúde e para o dia a dia do médico.

Para ele, os benefícios da telemedicina vão muito além de ser um recurso útil em favor do isolamento social. Isso porque ela traz uma facilidade para novas formas de prestação de serviço em saúde: “Com certeza, ela traz mais flexibilidade, redução de custos, traz comodidade ao paciente, que não gasta tempo para se deslocar, e tudo é resolvido online”, defende o especialista.

Desafios

É fato que o uso da telemedicina traz benefícios em diversos aspectos, mas isso não significa que o processo de implementação dela seja uma tarefa fácil. Dentre os desafios estão as particularidades de cada especialidade médica. Para Gregório, é fundamental fazer a avaliação de todas elas para entender em que situações é possível usar esse recurso tecnológico de maneira bem-sucedida.

Além disso, ele defende que existem outros dois grandes grupos de desafios que impactam diretamente o sucesso da ferramenta. O primeiro deles está relacionado à dimensão estrutural. Este abriga uma série de questões, como:

  • A familiarização com a tecnologia;
  • A relação com os convênios;
  • O pagamento das consultas;
  • O sigilo da informação;
  • A adaptação do ambiente online.

Já o segundo grupo diz respeito à dimensão humana, ou seja, à relação com o paciente e como ela fica com a nova forma de se comunicar. “É preciso repensar esse modelo de comunicação com o paciente e criar uma experiência positiva com ele”, afirma Gregório. Ele acredita que, por serem consultas sem o contato físico, os pacientes podem não perceber que a telemedicina é um recurso eficiente e traz diversos benefícios.

Nesse sentido, ele traz alguns pontos importantes que devem ser repensados no momento atual: “É preciso estar atento aos aspectos relacionados à identidade visual do ambiente online, se está sendo bem promovido, se tem um layout adequado e se o médico possui um site que dê suporte ao seu trabalho”, salienta.

Gregório afirma, ainda, que o médico precisa entender que no ambiente online também é possível criar percepções e tangenciar alguns aspectos que existiam no atendimento presencial. “No consultório, o médico pode investir na decoração, às vezes ele entrega um folheto de orientação ao paciente, ou seja, uma série de atributos que tangenciam esse atendimento, então o médico precisa fazer isso online também de certa maneira”, sugere. Para ele, algumas formas de fazer isso são provendo conteúdo de qualidade e criando uma plataforma amistosa e fácil, em que o paciente navega sem dificuldades.

Perspectivas

No Brasil, a telemedicina ainda é uma prática que divide opiniões entre a classe médica. No entanto, durante a pandemia, ela foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina e, por isso, muitos médicos vêm fazendo uso da ferramenta. Para Gregório, embora o momento seja difícil para a sociedade, pode trazer bons frutos no que diz respeito à saúde no país: “Acredito que o Brasil vai ganhar com isso, acho que vamos crescer em termos de prover saúde para a população criando mais esse canal e intensificando os atendimentos e os procedimentos”, defende.

O especialista também acredita que, mesmo com divergências de opiniões quanto ao uso dela, todos os médicos, cedo ou tarde, vão atender remotamente. Isso significa que a telemedicina vai fazer parte do trabalho dos médicos brasileiros, seja porque ele tem um consultório e disponibiliza a modalidade, seja porque ele faz parte de uma rede e ela instituiu em sua operação o acesso remoto. “A questão do atendimento remoto vai ser um fato no Brasil e a tendência é que, cada vez mais, os serviços de saúde sejam feitos por essa modalidade”, conclui.

 

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Telemedicina e o debate sobre o futuro da Saúde

Desde que a tecnologia da informação começou a ganhar espaço em todo o mundo, as distâncias passaram a ser menores. Muitas pessoas imaginam que vivemos, hoje, em uma realidade próxima à dos filmes de ficção científica. Prova disso é que conseguimos falar com quem está distante – até mesmo do outro lado do planeta – em poucos segundos por meio de mensagens, vídeos e áudios em celulares, redes sociais e outros dispositivos digitais. Já que tudo isso invadiu nosso dia a dia, era de se esperar que também invadisse os consultórios e, de quebra, impactasse a relação médico-paciente. A partir disso, um termo passou a ser muito falado nos últimos tempos: a Telemedicina.

O debate sobre a tecnologia na Saúde ganhou mais força depois que uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) foi publicada em fevereiro de 2019. O documento definia o que é a Telemedicina e de que forma ela poderia ser exercida no país, além de regulamentar toda a questão no Brasil. Porém, a resolução não foi bem recebida pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs), que criticaram vários pontos do documento. Devido aos debates que surgiram, o CFM revogou a resolução 16 dias depois, para que fossem analisadas sugestões e críticas recebidas.

Da teoria à “possível” prática

A Telemedicina é definida pela resolução do CFM como o exercício da Medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e de lesões e promoção da saúde. “Nos tempos atuais, é importante registrar que a Telemedicina é a ferramenta com maior potencial para agregar novas soluções em saúde e que muitos dos procedimentos e atendimentos presenciais poderão ser substituídos por interações intermediadas por tecnologias. Porém, não se deve esperar que se torne um remédio para todos os problemas de assistência à saúde”, explica Aldemir Humberto Soares, conselheiro-relator da resolução 2.227/2018, em texto publicado em anexo ao documento do CFM.

O presidente da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms), Humberto Serra, concorda que a Telemedicina tem potencial para solucionar grandes problemas da Saúde no Brasil. “Nos países em desenvolvimento, ela pode ampliar o acesso aos serviços médicos especializados em locais que não contam com profissionais ou serviços especializados. Também pode atuar na melhoria da qualidade da atenção à saúde, na redução do tempo gasto entre o diagnóstico e a terapia, na racionalização de custos e no apoio à vigilância epidemiológica, auxiliando na identificação e no rastreamento de problemas de saúde pública”, lista o presidente da ABTms.

O Brasil está preparado?

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Sylvio Provenzano, ressalta que a Telemedicina pode ser uma grande contribuição, sem dúvidas, para a Saúde no país, se houvesse estrutura para tal. “Como posso fazer Telemedicina em lugares remotos do país, onde certamente há dificuldade de conseguir uma banda larga suficiente para compartilhar essas informações em tempo hábil? Se em uma cidade como o Rio de Janeiro, a segunda maior do país, temos problemas com a internet, onde a banda larga fica ‘estreita’ demais e cai, como seria isso no Oiapoque (AP), em Santarém (PA) ou em Quixadá (CE)?”, questiona.

Perguntas sem respostas não vêm apenas do presidente do Cremerj. Para Luiz Ary Messina, coordenador nacional da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), a maioria da classe médica no Brasil não sabe o que é a Telemedicina. “As pessoas têm que ser treinadas sobre isso. Entre as faculdades de Medicina, você conta nos dedos as que têm alguma disciplina que trata sobre a Telemedicina na graduação. Ou seja, falta conhecimento. Soma-se a isso outras razões, como o receio de parte da classe médica de perder espaço para grandes corporações, muito mais bem preparadas tecnologicamente”, acredita.

Por outro lado, Messina ressalta que a Telemedicina já é uma realidade e cabe ao médico correr atrás para entender melhor sobre o assunto. “O desconhecimento é um problema que pode ser resolvido à medida que os médicos tomem ciência do que se trata e se informem. A Telemedicina já é uma realidade. As pessoas que não querem entender como é esse processo acabam atropeladas. Em países continentais, como Brasil, Rússia, China, Índia, Estados Unidos e Canadá, é impossível ter um especialista em todas as cidades. Isso é possível com a Telemedicina, mesmo que à distância”, defende.

Modalidades de Telemedicina*

  • Teleconsulta: consulta médica remota, com médico e paciente em diferentes espaços geográficos.
  • Telediagnóstico: emissão de laudo ou parecer de exames, com envio de imagens e dados pela internet.
  • Teleinterconsulta: troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente.
  • Telecirurgia: procedimento feito por robô, manipulado por um médico que está em outro local.
  • Teleconferência: grupo de médicos que se reúne para receber e debater sobre imagens, dados e áudios.
  • Teletriagem: avaliação a distância de sintomas para direcionar o paciente ao tipo de assistência necessária.
  • Teleorientação: declaração para contratação ou adesão a plano de saúde.
  • Teleconsultoria: troca de informações entre médicos e gestores sobre procedimentos de saúde.
  • Telemonitoramento: avaliação da saúde do paciente, evitando ida ao pronto-socorro ou casa de repouso.

Telemedicina e o coronavírus

O mundo vive um momento crítico. Desde o final de 2019, os governos e a Organização Mundial da Saúde (OMS) tentam combater o coronavírus, um “inimigo invisível”. Com milhares de contaminados e óbitos registrados, além da incerteza sobre o tratamento e sobre a cura de Covid-19, diversas medidas têm sido adotadas em vários países, sendo o isolamento social a principal delas.

Além de o isolamento social se fazer cada vez mais necessário para conter a doença, os profissionais da Saúde, sobretudo os da linha de frente, têm contato constante com infectados e passam a ser um risco de contaminação para seus pacientes. Tendo em vista que existem pacientes com doenças pré-existentes, que são de alto risco, as consultas continuam sendo extremamente necessárias, não só para orientar, mas para acalmar e esclarecer tantas dúvidas, oriundas de diversas especulações, recomendações e, principalmente, notícias falsas sobre a pandemia. Então, o que fazer nesses casos?

Diante desse cenário, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou, por meio do ofício 1.756/2020, o uso da Telemedicina durante a pandemia de Covid-19. A medida tem caráter excepcional, valendo até o fim da luta contra a disseminação da nova doença.

O que muda?

Segundo o CFM, a Telemedicina está autorizada para ser utilizada nas seguintes modalidades:

  • Teleorientação: profissional realiza à distância a orientação e o encaminhamento de pacientes.
  • Telemonitoramento: monitoramento ou vigência à distância de parâmetros de saúde e/ou doença.
  • Teleinterconsulta: troca de informações entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

De alguma forma, essa tecnologia já impacta a Medicina e os profissionais da Saúde. A Agência Nacional de Saúde (ANS), por exemplo, publicou a nota técnica 7/2020, que admite a cobrança pelas teleconsultas, sem que seja necessária qualquer alteração no Rol de Procedimentos, garantindo cobertura obrigatória pelas operadoras de planos de saúde.

A ANS não definiu regras específicas sobre o pagamento das consultas realizadas à distância, deixando que cada operadora estabeleça a forma como isso será realizado. Isso não impede que os pacientes sejam atendidos, paguem como pacientes particulares e busquem, se for o caso, o reembolso junto a sua operadora.

 

*De acordo com a resolução 2.227/2018 do CFM

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Ministério da Saúde regulamenta uso de telemedicina para combater coronavírus

O Ministério da Saúde publicou em 23 de março uma portaria que autoriza o uso de telemedicina para atendimento de pacientes durante a emergência pelo novo coronavírus.

A publicação ocorre poucos dias após o CFM (Conselho Federal de Medicina) autorizar em caráter excepcional o uso desse tipo de ferramenta.

O objetivo é reduzir a circulação de pessoas e a exposição ao vírus. Segundo o ministério, as medidas também ocorrerão em caráter excepcional.

Entre as ações possíveis com interação à distância nesse período, segundo a portaria, estão atendimento pré-clínico, suporte assistencial, consulta, monitoramento e diagnóstico.

As medidas podem ocorrer tanto na rede pública quanto na rede privada.

O ofício do CFM publicado em 19 de março citava ferramentas como teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta – troca de informações entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

Já a portaria do ministério não cita termos, mas abre espaço para que haja atendimento direto entre médico e paciente.

O texto diz que o atendimento “deve ser efetuado diretamente entre médicos e pacientes” com uso de tecnologia que garanta a segurança e o sigilo médico.

Os médicos que participarem desse tipo de atendimento devem registrar informações em prontuário clínico, com dados do atendimento, horário em que ocorreu e o número do CRM. Casos do novo coronavírus devem ser notificados à rede de saúde.

Médicos também podem emitir atestados, receitas médicas e determinar isolamento domiciliar.

A portaria diz que a receita e atestado serão válidos caso haja assinaturas eletrônicas por meio de certificado reconhecido e dados de identificação do médico e do paciente.

Já no caso de isolamento, o paciente deve comunicar termo de consentimento livre e esclarecido e documento com a relação de pessoas que vivem no mesmo endereço.

A portaria representa uma mudança de postura do setor em relação ao uso de telemedicina no país.

Em 2019, o CFM chegou a aprovar uma resolução com novas regras, mas acabou revogando-a por pressões dos conselhos regionais e de médicos, que temiam que a medida afastasse médicos e pacientes.

Com o aumento de casos de coronavírus, no entanto, entidades e o próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, passaram a pressionar o conselho e o governo pela mudança.

O ministro já havia falado anteriormente sobre a intenção do governo em utilizar recursos da telemedicina para auxiliar no combate ao novo coronavírus.

“Será uma maneira que a gente vem discutindo com nossos epidemiologistas e equipes, e deveremos ter uma ferramenta bem inovadora. Para que todo o brasileiro possa receber a chamada e, ao digitar sinais e sintomas, a gente classificar o risco e mantê-lo sistematicamente monitorado”, declarou o ministro em entrevista.

A ideia do governo é criar um mecanismo para que um profissional de saúde possa dar as primeiras orientações de forma remota.

A medida deve auxiliar principalmente em locais remotos, que devem ser atingidos depois pelo vírus.

O ministro também estuda plataformas para que médicos de cidades menos populosas possam intercambiar experiências e informações com profissionais dos grandes centros, para aproveitar a experiência dos locais que devem ser atingidos primeiro pelo vírus.

 

Fonte: Folha de São Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/ministerio-da-saude-regulamenta-uso-de-telemedicina-para-combater-coronavirus.shtml)