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Médicos no YouTube: educando o paciente à distância

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Um grande problema enfrentado pelos médicos ao longo da carreira é lidar com a educação do paciente. Apesar de a pessoa ir presencialmente até o consultório ou clínica para o atendimento, nem sempre todas as dúvidas são sanadas no encontro, além de outros questionamentos surgirem durante o tratamento.

A consulta raramente termina quando o paciente sai pela porta, estendendo-se por telefone e, principalmente, em conversas via WhatsApp. Por isso, no intuito de reverter esse quadro, muitos profissionais têm usado as redes sociais como alternativa para acabar com o vácuo entre médico e paciente, assim como sites com detalhes sobre doenças, procedimentos clínicos e suas especialidades.

Alguns profissionais também optaram pelo Instagram para passar informação mais resumida e de forma instantânea, assim como dar detalhes da rotina. Entretanto, outros preferem o Facebook para interagir e divulgar notícias interessantes da área, mas uma outra rede social vem se tornando um canal importante para a educação do paciente: o YouTube.

Com mais de 1 bilhão de usuários ativos, o serviço de broadcast é utilizado estrategicamente por médicos para continuar o relacionamento pós-consulta, educar o paciente via vídeos informativos e reforçar a marca do próprio profissional, bem como de sua clínica ou consultório.

É o caso do dermatologista Lucas Fustinoni. Ultrapassando a marca de 1,7 milhões de inscritos em seu canal, o médico investe na plataforma de vídeos há quase cinco anos. De acordo com ele, a iniciativa surgiu pela preocupação com a baixa qualidade das informações disseminadas na internet. “A ideia de criar o canal no YouTube foi para levar mais informações aos pacientes. Eu percebi que muitas pessoas chegavam desinformadas na consulta, confusas e com pouco conhecimento científico”, analisa.

Prioridade na educação do paciente

Fustinoni esclarece que os vídeos são pautados com base científica, uma vez que muitas informações disseminadas são sensacionalistas e os pacientes estão cada vez mais exigentes. “Vejo um amadurecimento da internet brasileira. Todo o conteúdo disponibilizado no meu canal do YouTube é respaldado com referências científicas de qualidade para evitar informações falsas e de fontes duvidosas”, explica.

A ginecologista Laura Lucia Martins também apostou na educação do paciente via YouTube. Com cerca de 620 mil inscritos em seu canal, a médica começou a investir nessa área ainda em 2006, no extinto Orkut. Assim, a especialista participava da rede com objetivo de esclarecer dúvidas. “A iniciativa partiu de uma paciente muito querida, que criou uma comunidade para mim, e eu comecei a promover debates sobre diversos assuntos de saúde. Mais tarde, em 2008, tudo aquilo que eu escrevi acabou se tornando um site”, relembra.

Laura não parou por aí. A ginecologista criou um perfil no Instagram para produzir conteúdo e ampliar seu alcance. No entanto, por conta do limite na duração dos vídeos, a médica optou pela criação do canal no YouTube. “O canal foi fruto de todo o passado nas redes sociais. Até hoje me espanto com o sucesso dele e vejo como as pessoas estão realmente preocupadas com informações de qualidade sobre saúde fornecidas por especialistas com autoridade e não por blogueiras. Portanto, eu vejo o YouTube como a melhor ferramenta para praticar a educação do paciente, sem esquecer dos aspectos éticos”, destaca.

Atenção ao Código de Ética Médica

Também atento às normas do Código de Ética Médica (CEM), Fustinoni conta com uma assessoria jurídica para não infringir nenhuma orientação do documento. “Todos os vídeos seguem as normas do Código de Ética Médica. Nossa equipe consulta um escritório especializado nessa área e nenhuma das nossas produções sofreu qualquer tipo de sanção nesses quase cinco anos de canal”, comemora.

Laura, por sua vez, recomenda cuidado na hora de se posicionar nas redes sociais, não só no YouTube. Ela lembra que o código passou por alterações e que as atualizações devem ser seguidas para evitar problemas na justiça. “Todas as redes sociais merecem atenção em relação ao CEM. Os médicos não podem divulgar marcas ou dar diagnósticos para os pacientes pelas mídias. Isso jamais poderá ser feito”, enfatiza.

Autoridade digital

Criadora da primeira campanha de saúde íntima do Brasil, chamada Saia com Saia, a ginecologista reforça que muitas mulheres não conhecem o básico sobre o tema. O perfil do projeto já conta com mais de 55 mil seguidores no Instagram e, segundo Laura, as pessoas não tinham uma referência médica para falar a respeito do assunto. “O YouTube reforça o meu relacionamento com o paciente, esclarecendo dúvidas sobre esse e outros temas, além de me tornar uma autoridade dentro da minha área de atuação”, afirma.

Autor do e-book Calvície: é genética ou tem cura?, Lucas decidiu não só reunir as principais dúvidas e informações sobre esse tema na publicação, como criar uma landing page para fazer o cadastro dos pacientes, sendo essa uma estratégia muito usada no marketing digital atualmente. “O e-book foi pensado para condensar todos os questionamentos dos pacientes em um único material de maneira fácil e divertida”, conclui.

Números do YouTube

Comprado pelo Google em 2006, o YouTube é a principal plataforma de compartilhamento de vídeos do mundo. Veja alguns números da rede social:

  • US$1,65 bilhão foi o valor que o Google pagou para comprar o YouTube.
  • 1,9 bilhão de usuários ativos mensalmente.
  • Mais de 1 bilhão de horas assistidas todos os dias.
  • Cerca de 70% dos acessos vêm dos dispositivos móveis.
  • 87% das empresas usam vídeos como estratégia de marketing.
  • O YouTube está presente em 91 países e 80 idiomas.
  • É o segundo maior buscador do mundo, perdendo apenas para o próprio Google.
  • Em 2017, a plataforma tinha quase 100 milhões de usuários no Brasil.
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Marketing Médico: Gerando valor pelas redes sociais

 

As plataformas digitais oferecem recursos que podem ser bem interessantes para valorizar e sedimentar a credibilidade do profissional diante de seu público. Mais do que expor o consultório e/ou clínica, o médico pode aproveitar as ferramentas para construir um diálogo mais efetivo, desde que respeitando as resoluções e normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Na opinião de especialistas ouvidos por nossa equipe, o maior papel das plataformas sociais não está em fazer qualquer tipo de promoção dos serviços que o profissional de saúde oferece, mas em educar seu público. Uma excelente maneira de usar os mecanismos digitais é oferecer conteúdo aos pacientes, criando um diálogo mais forte com eles, além de passar informações relevantes e desmistificar boatos que possam induzir o indivíduo ao erro, com promessas de curas ou relatos de contraindicações ou riscos não embasados pela ciência.

O médico pode usar as redes para fornecer informações educativas, genéricas, relacionadas a práticas saudáveis ou a ações preventivas. Deve informar sobre riscos e benefícios de tratamentos, mas deixando sempre bem claro que cada caso é único e que recomendações dirigidas a uns podem não ser adequadas para outros.

Oferecer informações relevantes e de qualidade é algo que pode ser feito em qualquer canal, desde um site até as redes mais atuais, como a plataforma de fotos Instagram ou, ainda, o consagrado portal de vídeos YouTube. Com uma abordagem profissional, os resultados tendem a ser bem interessantes, fazendo com que o processo educativo gerado pelo médico chegue a um número maior de pessoas. As redes ampliam a visibilidade e reforçam junto à população o papel social exercido pelos profissionais.

Um elemento crucial para o bom uso das redes é separar perfis pessoais e profissionais. O ideal é possuir um perfil de caráter exclusivamente médico, de forma que os conteúdos não se misturem: as postagens pessoais continuam preservadas, enquanto o conteúdo formatado para ser entregue aos pacientes segue um caminho específico, o que pode evitar ao profissional algumas dores de cabeça.

Respeitando as regras do CFM e seguindo as dicas apresentadas, o médico certamente terá excelentes resultados na construção de um relacionamento sólido com seus pacientes.

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Saúde no Youtube

Com a evolução das plataformas digitais, ferramentas na internet possibilitam um contato maior entre as pessoas. Para o médico, um leque de oportunidades se abre, podendo o meio digital ser uma forma de divulgar seu conhecimento e expandir a promoção da Saúde. Seguindo um fenômeno do século XXI, o site YouTube, cresce o número de médicos que assumem uma segunda função, a de youtuber.

O youtuber é um comunicador que utiliza essa plataforma para ter acesso à casa das pessoas, expor ideias e conversar com os espectadores. Entre os jovens a moda já é mania, existindo, atualmente, as chamadas web celebrities. Entre os médicos, o meio está em popularização. O famoso e conceituado Drauzio Varella é um comunicador na área da Saúde conhecido pelo grande público que já se rendeu ao site. Seu canal possui mais de 500 mil inscritos e divulga vídeos às segundas e quintas-feiras, explicando conceitos médicos ao público leigo e propagando a educação do paciente. (https://youtu.be/r9rGLaQ03Qs)

Segundo Bruno Garcia, o professor de Marketing e Negócios no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e mestre em Administração, o digital pode ser uma excelente ferramenta para a criação de valor para a relação médico-paciente. “O médico pode, como exemplo, gravar vídeos para o YouTube explicando os casos que mais atende ou peculiaridades da área atuante, ou seja, atender ao interesse do público-paciente que tem. Isso ajuda a reforçar a credibilidade e o posicionamento do profissional, além de conscientizar seu paciente. Melhor do que uma pesquisa no Google, que não tem confiabilidade, essa é uma forma de levar a informação qualificada, trabalhar sua reputação e seu relacionamento e gerar valor para o paciente”, define.

Levando informação para o paciente

O pediatra e homeopata Moises Chencinski lançou seu primeiro site em 2006, no qual postava os diferentes textos que escrevia para entregar aos pais de seus pacientes, sanando dúvidas sobre a primeira infância. Com o respaldo de uma assessoria, passou a ser chamado para dar entrevistas em meios de comunicação tradicional e, alguns anos mais tarde, migrou para a comunicação por meio do Youtube. (https://youtu.be/8mcFk777lmY)

“É preciso entender a dinâmica do site, que costuma dar maior visibilidade a vídeos curtos. A ideia principal é fugir da aula, encontrar sua própria linguagem. Eu falo de um jeito que tem uma característica marcante. Se você lê o que eu escrevo, vem a uma consulta, me ouve no rádio ou me assiste pelo YouTube, vai perceber que sou a mesma pessoa em todos os meios, não sou um personagem”, explica.

A linguagem simples e clara é utilizada para sanar dúvidas e questões dos pacientes, que encontram no vídeo um meio rápido de conseguir a informação de que precisam. “É um modo que eu tenho de passar uma informação atualizada, de forma simples e ética, e que, por vezes, atinge aquelas pessoas que não têm acesso a um médico pediatra”, declara.

Uma forte possibilidade, ao se expor no YouTube, é a angariação de novos “pacientes”, que, tomados por alguma dúvida, sentimento de identificação ou agradecimento, desejam comunicar-se com o médico que veem pela tela do computador.

Chencinski afirma receber cerca de 2.500 perguntas por mês de pacientes e não pacientes. O pediatra aproveita os intervalos na agenda no consultório e se mantém disponível, durante todos os dias da semana, para sanar as dúvidas de quem o procura. “Minha intenção é sempre a de orientar e não de substituir a consulta. Já recebi mensagens de brasileiros que residem nos mais variados lugares do país, e também no exterior, e faço questão de responder a todos eles. Essa parte da comunicação, para mim, como médico, é realmente gratificante”, conta.

Com o objetivo principal de servir informação, acolhimento e apoio, Chenchinski explica que seus vídeos têm origem nas dúvidas que encontra em seu consultório e em sua caixa de mensagens eletrônica. O pediatra relata que tenta entender a limitação de quem o assiste, buscando sempre explicar e informar da maneira mais simples e embasado pelas fontes com maior credibilidade e confiabilidade, como as instituições sérias na área da Saúde.

Reportagem por Bruno Bernardino