Artigo: Novo modelo para tomada de decisão

Eduardo Regonha 4 minutos

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Não é novidade que o setor da Saúde passa por um momento de fortes transformações. Novos desafios aparecem a cada dia: incentivos à atenção primária à Saúde, novos formatos de remuneração, discussões sobre saúde baseada em valor, dentre outras medidas. Mas a grande diferença é que, agora, as mudanças estão ocorrendo de fato.

E diante desse novo cenário, não existe mais espaço para sequer pensar em uma gestão desprovida de profissionalismo. A necessidade de informações confiáveis para tomada de decisões seguras tornou-se um imperativo dos dias atuais – a melhoria dos padrões de gestão, por meio de um sistema de informações gerenciais, e o conhecimento dos custos dos serviços tornaram-se bases imprescindíveis para o sucesso da empresa e, muitas vezes, da própria sobrevivência.

Estamos diante de fatos inusitados, em que as negociações passam a ser direcionadas para a qualidade do atendimento e não mais na quantidade. As operadoras passam a negociar com os prestadores de serviços por meio de novos modelos, com foco na resolutividade, exigindo de ambas as partes uma nova forma de pensar e de negociar.

Uma das discussões de maior frequência diz respeito à necessidade de impor maior consistência conceitual na formulação de preços e no estabelecimento de relações de negociação entre prestadores e tomadores de serviços compatíveis com o grau de profissionalismo que um mercado competitivo exige. Os mecanismos tradicionais de negociação já não funcionam mais, o momento exige ousadia, com uma pitada de risco, porém as decisões devem ser alicerçadas em informações confiáveis – afinal, até quando vamos negociar sem conhecer os verdadeiros custos dos serviços? Está mais do que na hora de as clínicas conhecerem o custo de um consultório, de um exame ou, até mesmo, de um equipamento parado ou com pouco uso.

As negociações passam a ser totalmente diferentes do modelo tradicional. As tabelas de preços atuais estão sendo substituídas por outros formatos de negociação, que consideram o desfecho clínico, adoção de metodologias, como o Diagnosis Related Groups (DRG), o orçamento ajustado, dentre outros tipos que vêm surgindo como opções aos atuais. Mas um ponto é consenso por todos os atores envolvidos: a informação de custos é fundamental para qualquer modelo de negociação que seja adotado.

Alguns efeitos são esperados das informações de custo, como:

  • Estabelecimento de preços adequados;
  • Mensuração dos custos com “retrabalhos”;
  • Identificação de serviços e clientes mais lucrativos;
  • Avaliação dos custos fixos e variáveis;
  • Definição do ponto de equilíbrio, dentre outros.

Porém, para que esses efeitos ocorram, é de extrema importância que a direção da instituição esteja plenamente convencida da necessidade da informação.  Urge a necessidade de adequação da organização com um sistema de informações compatíveis com as novas condições impostas pelo mercado – a constituição de informações de custos dos insumos compreendidos nos tratamentos e a geração de parâmetros de referência médica são dados que já deveriam estar fluindo de forma rotineira nas instituições.

Cabe à instituição avaliar, junto à operadora, qual é o modelo a ser adotado, que seja adequado e bom para os dois lados. E acaba sendo inerente à instituição a necessidade da adoção de uma metodologia que propicie informações confiáveis durante todas as fases do processo. No que diz respeito a custo, existem diversas opções de ferramentas para apuração dos dados. Porém o mais importante é adotar a cultura de custos na instituição e usar a informação de custos para controle, gerenciamento e tomada de decisão, com confiança e credibilidade.

Completando o cenário descrito acima, temos, ainda, um mercado em crescente competitividade, que não permite demora nas decisões. Pois bem! Esse é o retrato da área nos tempos atuais, um momento de grandes desafios, que exigem perspicácia e atitudes inovadoras.

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