Artigo: Os novos modelos de consultório e sua gestão financeira

Eduardo Regonha 3 minutos

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Há alguns anos, fui convidado para proferir uma palestra para alunos do quinto ano de Medicina da Santa Casa de São Paulo. O tema sugerido foi: Como montar o seu consultório – investimentos e custos operacionais. Minhas primeiras frases neste evento foram talvez um tanto quanto desanimadoras para os futuros médicos, pois procurei ser o mais realista possível. Eu disse a eles: “Vocês não montarão um consultório, pelo menos não nos padrões de consultórios tradicionais, constituídos por uma sala, uma recepção, dependendo da especialidade também há a necessidade de algum equipamento etc.”.

Esse tipo de consultório está em extinção. Cito alguns agravantes: primeiro, pelo alto custo para um médico sozinho assumir. Depois, que operadoras credenciarão o consultório? Dependendo da especialidade, exigem-se investimentos em equipamentos. Será que vale a pena investir sozinho? Haveria muitos outros aspectos ainda a serem elencados, mas não é o caso.

Atualmente, o profissional médico recém-formado teria algumas opções para iniciar sua carreira (pelo menos no aspecto financeiro): trabalhar para um colega em uma clínica já consolidada; alugar um espaço ou um período em uma clínica e desenvolver sua própria carteira de pacientes; ou, ainda, reunir colegas e montar uma clínica.

Por que clínica e não consultório? A clínica tem um custo de estrutura física maior, todavia, se ela possui vários consultórios, todos os custos são reduzidos, pois são distribuídos por uma quantidade maior de salas, sem contar a possibilidade de rotatividade delas, por meio de aluguel, ou trazendo mais colegas para participar.

Outra decisão a ser tomada após algum tempo de atividade (não muito, estimo em dois ou três anos) é o profissional médico decidir se ele quer a clínica como um local para desenvolver sua atividade profissional enquanto estiver ativo ou se o objetivo é tornar a clínica uma empresa, direcionada para a perenidade e a obtenção de lucro. Dependendo da decisão (e uma das duas deve ser adotada), a forma de administrar a clínica deve seguir caminhos distintos.

Caso a decisão seja ter a clínica somente como um local de trabalho para o desenvolvimento da atividade profissional, devemos ter em mente que a instituição tem um prazo de vida determinado e os investimentos devem levar em conta esse prazo. De tudo o que os profissionais médicos produzirem, como consultas, exames e procedimentos, deve-se subtrair os custos e despesas de forma proporcional e cada profissional retira a parte que lhe cabe. A clínica, nesse caso, não gera lucro, sendo uma espécie de condomínio.

Um bom controle de caixa é o suficiente para a administração desse tipo de empreendimento – vale observar que muitos profissionais optam ou optaram por esse tipo de gestão e colheram (e muitos colhem até hoje) bons frutos e acabaram criando riqueza, todavia sustentada em pacientes particulares (cada vez mais raros).

Diante desse cenário, para manter o consultório ativo e sustentável, somente terão chances de sobrevivência as instituições norteadas com objetivos claros na busca da perenidade, do crescimento, da geração de lucro e da visão empreendedora.

 

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