Brasil supera marca de 500 mil médicos. Distribuição desigual é desafio

Pesquisa Demografia Médica no Brasil 2020 revela que o país ultrapassou a marca de 500 mil médicos. Entretanto, a desigualdade geográfica e a desigualdade entre os setores públicos e privados de saúde continuam sendo os maiores desafios

Marcello Manes 3 minutos

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O estudo Demografia Médica no Brasil 2020, publicado ontem (8/12) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), mostra que o Brasil tem hoje 502.475 médicos. Esse número representa mais do que o dobro de médicos no início do século. Em 2000, eram 230.110 profissionais.

Esse aumento também se refletiu na proporção de médicos por mil habitantes, que chegou a 2,4. O índice ainda está abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 3,5, mas superior a países como Japão e muito próximo aos índices dos Estados Unidos (2,6), Canadá (2,7) e Reino Unido (2,8).

De acordo com Mauro Scheffer, coordenador do estudo e professor da USP, esse aumento é decorrente, principalmente, da ampliação de oferta no ensino superior, por meio da liberação de novos cursos ao longo dos últimos anos. “De 2011 até agora foram mais de 20 mil novas vagas de graduação de Medicina. É isso que impacta no número de médicos”, destacou.

A pesquisa mostrou que o Brasil possui hoje 342 escolas médicas que oferecem ao todo 35.622 vagas anualmente, o que representa uma média de 10,4 recém-formados a cada 100 mil habitantes. Essa taxa é superior aos números da França (9,5), Estados Unidos (7,76), Canadá (7,7) e Japão (6,94). Dessa forma, com o aumento do número de recém-formados, a projeção é que rapidamente o Brasil ultrapasse a proporção de médicos da OCDE (3,4).

Desigualdade é o maior desafio

Apesar do forte crescimento, a desigualdade dos números pelas regiões brasileiras continua sendo o maior desafio. Em estados do Sul e do Sudeste, as taxas são muito superiores aos demais. No Sudeste, a proporção de médicos por mil habitantes é de 3,15 e, na Sul, 2,68. Entretanto, nas regiões Norte e Nordeste, as taxas são de 1,3 e 1,69, respectivamente.

A desigualdade dos números fica ainda mais evidente quando se compara dados das capitais com cidades do interior. Enquanto as capitais reúnem 23,8% dos brasileiros e 54,3% dos médicos, o interior, que abriga 76,2% da população, possui apenas 45,7% dos médicos.

O desequilíbrio também acontece quando os dados dos sistemas de saúde são comparados. O número de profissionais que atendem somente no setor privado chega a 28%, enquanto que no setor público são 22%. Os outros 50% atendem nos dois tipos de serviço.

Segundo Mauro Scheffer, a pesquisa então revela que a desigualdade não está somente na distribuição regional dos médicos, mas também no próprio sistema de saúde. “Se pensarmos que o setor privado atende 25% da população, temos concentração de médicos de forma desproporcional, muito mais concentrados nas estruturas privadas de saúde”, analisou.

Perfil dos médicos

O estudo mostrou também que o perfil demográfico vem mudando ao longos das décadas, principalmente a relação entre homens e mulheres. Em 1990, as mulheres representavam 31% dos profissionais. Já a nova pesquisa revela que elas já são 47%.

Já a idade média dos profissionais chegou a 45 anos, sendo 42 entre as mulheres e 48 entre os homens.

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