Ano novo, caminhos novos: o que esperar da Saúde em 2021?

Com a pandemia de Covid-19, a Medicina teve que se reinventar em diversos aspectos. Mas como será em 2021? Para nos auxiliar nessa resposta, convidamos os presidentes da AMB e da Fenam para dimensionar essas mudanças e nos contar sobre suas expectativas para o próximo ano

Julia Lins 5 minutos

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O ano de 2021 está se aproximando; com isso, aumentam as expectativas em relação ao futuro do setor da Saúde. Desde tecnologia à relação médico-paciente, 2020 foi um ano de constantes mudanças para os profissionais da Saúde, e 2021 promete ainda mais novidades.

Ainda não é possível dimensionar as mudanças que essa pandemia vai causar na sociedade como um todo, mas é possível de se pensar quais as previsões para 2021 na área da saúde no Brasil pós-pandemia.

Em 2012, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina produziu um livro intitulado “A Saúde no Brasil em 2021 – Reflexões sobre os desafios da próxima década”, com algumas previsões para o setor da Saúde em 2021. Por isso, a seguir traremos alguns pontos que foram abordados no livro, e, para fazer os contrapontos da situação atual e abordar as expectativas para o próximo ano, convidamos César Eduardo Fernandes, presidente eleito da Associação Médica Brasileira (AMB) e Gutemberg Fialho, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Confira!

Perfil e distribuição dos profissionais em 2021

O perfil dos profissionais de saúde vem mudando bastante com o passar dos anos, principalmente devido à introdução de novas tecnologias no setor.

No livro, os autores estimavam que em 2021 teríamos cerca de 390 mil médicos, porém a realidade é bem diferente. Entraremos em 2021 com mais de 500 mil médicos no mercado de trabalho brasileiro. Entretanto, um problema continua o mesmo: a distribuição regional.

Segundo Gutemberg, apesar do aumento no número de médicos no país, permanece a concentração de profissionais nos grandes centros, em especial na região Sudeste. “A alternativa a essa assimetria, proposta pelas entidades médicas, é a criação da carreira médica de Estado. Cursos sem qualidade passaram a colocar no mercado profissionais cuja formação é duvidosa. Os governos priorizaram a contratação de profissionais para o preenchimento de vagas de médico de família e comunidade e emergencistas, ainda que sem formação específica nessas áreas, para dar vazão à demanda nas unidades públicas de saúde, o que tem reflexo nos programas de residência médica”, aponta.

Gutemberg acredita que ao mesmo tempo em que os profissionais se ajustam à demanda e oferta de mercado, também têm diante de si o desafio de estarem aptos a atuar em um cenário de crescente aplicação de tecnologias, seja na área médica, seja na da comunicação.

Reinvenção da relação médico-paciente

No livro, os autores abordam a necessidade de reinventar a relação médico-paciente. E 2020 definitivamente foi um ano no qual os pacientes tiveram que se adaptar a um novo cenário. A necessidade do uso de máscaras, álcool e o distanciamento social em função da pandemia da Covid-19 levaram o paciente a rever sua forma de se comportar no cenário da prestação de serviços em saúde.

Para o presidente da Fenam, a influência das novas tecnologias de informação e comunicação no setor da saúde se tornaram mais evidentes, mas a questão do uso de práticas em Telemedicina, além de regulamentação específica, demandará um acordo de conduta entre médico, paciente e toda a cadeia de atores do segmento da saúde, como hospitais e operadoras de planos de saúde. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é outro fator determinante nesse cenário e no campo da judicialização da Medicina.

Porém, para César Eduardo, é preciso ter cuidado com a Telemedicina. “Tenho receio de que as operadoras de saúde possam se apropriar dessa ferramenta, trazer para si e quebrar o vínculo do médico com o paciente. Se o paciente tem vínculo com um médico dentro do sistema da operadora de saúde, isso não pode jamais ser substituído”, alerta.

Para César, a operadora não pode ter um sistema de atendimento para a Telemedicina desatrelado do sistema de atendimento da Medicina presencial. É preciso que haja um sistema único que permita ao mesmo tempo o exercício da medicina presencial e da Telemedicina.

Papel das redes sociais na promoção de saúde em 2021

Em 2012, os autores do livro realizaram uma pesquisa para abordar a expansão dos canais de comunicação na área da Saúde com o uso das redes sociais. Esse levantamento revelou que 85% dos entrevistados concordavam que as redes sociais teriam papel fundamental na promoção da saúde em 2021. E eles estavam certos.

Tanto médicos quanto pacientes estão mais conectados ao ambiente digital. De acordo com o presidente da AMB, o papel dos médicos nas redes sociais é de educação do paciente, não de autopromoção. “Nós, médicos, temos que ter a responsabilidade de nos colocar apenas como vetores dos conhecimentos de saúde, não como indivíduos que praticam uma Medicina com um diferencial em relação ao que os nossos colegas fazem. Devemos passar os conhecimentos de maneira impessoal, não com o interesse de ‘seduzir’ pacientes, para que nos procurem individualmente”, pondera.

Para César, o médico que se propõe a ter uma página nas redes sociais para promover o exercício de sua profissão deve falar de maneira impessoal, sem trazer qualquer diferencial que possa oferecer vantagens em relação aos seus pares.

Além disso, o médico nos alerta sobre as orientações do CFM em relação ao uso das redes para marketing médico. “Precisamos ter princípios éticos muito sólidos. Vale lembrar que os Conselhos, tanto estaduais quanto o CFM, orientam claramente sobre quando devemos participar das redes sociais por meio de suas diferentes mídias; todavia, devemos fazê-lo com absoluta responsabilidade e não em busca de interesses pessoais”, conclui.

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