O que esperar da saúde suplementar em 2021?

Em 2020, o setor de saúde suplementar teve de se reinventar para atender às demandas da pandemia. Porém, em 2021 novos desafios estão por vir, e a questão é: será que estamos preparados para um novo ciclo de mudanças?

Julia Lins 4 minutos

Folder

A saúde suplementar brasileira passou por diversas mudanças em 2020, mas o que podemos esperar de 2021? Para fazer essa análise, recorremos a um livro publicado em 2012 pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina intitulado “A Saúde no Brasil em 2021 – Reflexões sobre os desafios da próxima década”. A publicação aborda as expectativas para o mercado da saúde em 2021, e um dos pontos discutidos ao longo da publicação é a saúde suplementar.

Nos últimos anos, a área de saúde suplementar passou a ser um desejo da população. Em 2002, a revista Veja fez uma pesquisa com a população brasileira de classe média sobre quais eram os seus maiores sonhos de consumo. Como resultado, a primeira opção foi o desejo de ter um plano de saúde.

Em 2009, quando novamente a pesquisa foi realizada, o primeiro lugar seguia inalterado: o desejo de ter assistência médica privada. Mas em 2021, será que esse cenário sofrerá mudanças?

Número de beneficiários

Em 2012, o livro relatou que, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 24% da população tinha acesso aos planos de saúde privados, representando cerca de 45,5 milhões de beneficiários.

Atualmente, dados levantados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE revelam que o acesso aos planos de saúde permanece restrito a 28,5% da população. Esse número representa aproximadamente 47 milhões de beneficiários.

De acordo com as projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o número de beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares poderá chegar a 51,6 milhões em 2030, considerando as constantes taxas de cobertura por faixa etária, o efeito do crescimento da população brasileira e da mudança na composição etária.

Cenário público x privado

Para Gutemberg Fialho, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), a pandemia da Covid-19 nos colocou diante de uma série de dilemas e constatações sobre o sistema brasileiro de saúde pública. De um lado reforçou as certezas de que o Sistema Único de Saúde (SUS) é indispensável, de que tem de ser implantado na sua plenitude e de que precisa de financiamento adequado, gestão e auditoria eficazes.

Porém, também nos coloca diante de um cenário de crise econômica, que por certo afeta as relações de consumo na área da saúde. Nesse cenário; colocam-se a proliferação das clínicas populares e a adoção da Telemedicina, que ainda carece de regulamentação definitiva, mas se apresenta como uma alternativa das operadoras de planos de saúde para redução de custos.

Foco na pandemia

Devido à pandemia de Covid-19, a saúde suplementar teve de se adaptar ao novo cenário e demandar grandes esforços no atendimento desses pacientes. A pandemia fez com que boa parte dos recursos em saúde fossem alocados para tratamento da pandemia, principalmente dos casos mais graves de pacientes.

Segundo o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Fernandes, por conta da pandemia, o tratamento de doenças “comuns” foi colocado em segundo plano, embora não fosse desejável. “As doenças que merecem acompanhamento, tratamento e monitoração de resultados precisariam ter o acompanhamento que sempre se quer nessas condições. Procedimentos, cirurgias eletivas e oncológicas foram suspensas. Tenho a impressão de que em 2021 podemos ter números expressivos de procedimentos, e a saúde suplementar pode sofrer com isso”, alerta.

Baixos honorários

Outro problema que ganhou notoriedade com a pandemia foi a questão dos baixos honorários médicos praticados na saúde suplementar. Para o presidente da AMB, as operadoras de saúde devem respeitar as tabelas de honorários mínimos propostos pela Associação Médica Brasileira (AMB), por meio da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), que deveria ser praticada universalmente entre os planos.

“Muitas delas praticam unidades próprias para remuneração de procedimentos, que estão defasados. E nessa escassez de recursos, acredito que em 2021 esse argumento será usado mais uma vez como escudo para que não sejam atualizadas essas remunerações de atos médicos que ainda são praticados a preços aviltantes, com a precarização do serviço médico. Por isso, gostaria de alertar que 2021 é um ano que nos preocupa bastante em relação ao que acontecerá na saúde suplementar”, conclui César Eduardo.

Compartilhe
x

Revista DOC nova edição

100% gratuita

Faça seu download