Médico também adoece: como lidar com o Burnout?

Em geral, os médicos estão acostumados a lidar com ambientes estressantes e situações difíceis e, mesmo assim, conseguem manter a calma para passar as informações a seus pacientes. Porém, todo esse estresse pode gerar uma série de problemas, como o Burnout

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Profissionais da Saúde precisam encarar diversas situações emergenciais e, por vezes, estressantes. Muitos trabalham 50 a 60 horas por semana, senão mais, sem contar a frequência com que se engajam em plantões de 24 horas ou mais. E desde que a pandemia de covid-19 começou, este cenário só se agravou. A carga emocional do trabalho também é um fator que contribui para o estresse, já que médicos estão constantemente lidando com sofrimento, medo, falhas e com a morte. Nesse cenário, surge o risco de adoecimento médico.

Em diversos momentos, é comum que o médico se identifique com seus pacientes – ou mesmo com colegas, cuidadores –, sentindo-se incapaz e sem forças de buscar a cura para o seu problema, talvez por estar fixado ao processo de negação tão característico do momento inicial da descoberta de uma doença terminal ou um fato irrecuperável, que foge de nosso controle.

Em seu livro “Sobre a morte e o morrer”, Elisabeth Kübler-Ross lembra as cinco etapas pelas quais as pessoas costumam passar nesses momentos. São elas:

  • Negação
  • Raiva
  • Depressão
  • Barganha
  • Aceitação

De acordo com o endocrinologista Rafael Reinehr, o processo acontece da seguinte forma: no começo, é um choque. As pessoas sentem medo e tentam evitar o que lhes afronta. Daí vem a culpa, seguida da frustração, da ansiedade e da irritação. Depois, há o sentimento de vergonha, seguido de desligamento, falta de energia, sensação de que nada pode ajudar. Por fim, um início de diálogo, busca de apoio externo, desejo de contar a história, luta para encontrar sentido no que está acontecendo.

Síndrome de Burnout e incidência em profissionais da Saúde

Uma das enfermidades mais comuns entre médicos é a síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento profissional. De acordo com uma pesquisa do Archives of Internal Medicine, os médicos sofrem mais com Burnout do que qualquer outra profissão. Além disso, segundo o CFM, apenas em 2017, 45,8% dos médicos apresentaram sintomas de esgotamento profissional em algum momento de suas carreiras.

Portanto, para lhe ajudar a lidar com situações de estresse que podem desencadear ao Burnout, separamos algumas dicas de como encarar o problema. Confira!

  • Aumente sua espiritualidade

Busque desenvolver e compreender sua relação com a espiritualidade. O desenvolvimento desse aspecto da vida ajuda a se autoconhecer e entender seu papel no mundo.

  • Busque ajuda de profissionais especializados

Em alguns casos, é preciso buscar ajuda profissional, seja de um psiquiatra ou de um psicólogo. É importante ter alguém para lhe ouvir, dar conselhos e apoio em seu cotidiano. Fora do ambiente de trabalho, não há problema nenhum em falar abertamente sobre seus sentimentos e pensamentos.

  • Cuide da saúde física

Disso todo médico sabe, mas é sempre bom lembrar: pratique exercícios físicos regularmente. Caso você ainda não tenha essa rotina, priorize um horário na sua agenda e comece já!

  • Priorize momentos de lazer

Para médicos, pode ser difícil desenvolver um hobby, mas é preciso se esforçar para conseguir esses pequenos momentos de lazer. Cultive interesses e atividades que deem alegria e satisfação fora do consultório. Torne os momentos com a sua família, seus amigos, seus cursos e divertimento algo que está na sua agenda, e você não irá faltar.

Essas práticas irão lhe auxiliar no combate ao Burnout, mas, sozinhas, não são o suficiente. É preciso que o médico entenda seus limites e adapte-se a eles. Por isso, tente ajustar suas cargas horárias e seu cotidiano de forma que a qualidade de vida esteja sempre em primeiro lugar.

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